quinta-feira, 10 de maio de 2012

TOLERÂNCIA

"Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas" - Mateus, cap.5 - v.41

Sem dúvida, o exercício da tolerância é indispensável à conquista da serenidade.
Mas tolerar não significa afligir-se e torturar-se interiormente, como quem impõe a si mesmo determinada violência.
A tolerância nasce da conscientização de quem nem sempre se podem alterar, de imediato, situações que apenas o tempo possui elementos para transformar.
As pessoas serão como são, até quando optarem pela própria mudança.

Há quanto tempo Deus nos espera, admitindo, inclusive, que descreiamos de sua Divina Paternidade ?
Existem muitos espíritos de entendimento tardio com os quais precisamos aprender a conviver, sem alimentarmos grandes expectativas em torno de sua capacidade de corresponder-nos aos anseios.
Em oferecendo-nos pouco, muitos daqueles que conosco convivem estão praticamente oferecendo-nos tudo o que possuem.

Como exigir da árvore que sequer floresceu a produção de frutos ? Ou de um pássaro implume arrojados vôos na amplidão.
Quem sofre com as decepções que os outros lhe causam, sofre voluntariamente, porque sabe que, na Terra, ninguém está lidando com santos, mas com seres humanos tão frágeis e limitados quanto a ele mesmo.
Jesus, de fato, recomendou-nos caminhar a segunda milha como os que mais solicitam de nossas possibilidades de renúncia e tolerância, que, habitualmente, são aqueles que convivem conosco na experiência comum, mas não nos disse que deveríamos carregá-los sobre os ombros.

(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A. Baccelli / Inácio Ferreira)

quarta-feira, 9 de maio de 2012

SÚPLICA

      Espírita, meu irmão,
      Hoje procuro refúgio no teu coração, cansado como me encontro de mil embates, na longa jornada dos séculos.
      Dizem que sou débil plantinha, no entanto, relegam-me ao vendaval, deixando-me à mercê da canícula ou na via das enxurradas imundas.
      Afirmam que sou o futuro, todavia, desrespeitam o meu presente, colocando dificuldades e aflições ao alcance das minhas débeis mãos.
      Expressam que eu sou diamante precioso, mas ninguém procura retirar a jaça e a ganga que me tornam imprestável, por enquanto.
      Informam que eu sou um pequeno rei, no império da vida, todavia, descuidam do meu aprimoramento, sem me aformosearem o caráter para o nobre ministério.
      Chamam-me anjo e conduzem-me, por negligência, ao inferno do desespero e da revolta.
      Agradam-me e, muitas vezes, degradam-me, deixando-me sob o jugo imperioso de forças desordenadas.
      Ajuda-me agora, para que, por minha vez, eu possa ajudar mais tarde.
      Acolhe-me na terra fértil do teu coração e desenvolve-me os sentimentos latentes dentro de mim.
      Serei amanhã o que fizeres de mim agora. Não te peço muito.
      Rogo-te, apenas, que abras os braços e me alcances.
      Suaviza tua voz para ensinar-me e dá leveza à tua mão quando seja necessário corrigir-me. Mas não me deixes sem o carinho que estimula nem a correção que educa e salva.
      Confio em ti. Socorre-me hoje, e não mais tarde.
      Necessito urgente de orientação e sustento.
      Recebe-me enquanto não me maculam as nódoas da vida.
      Dilata as tuas possibilidades e eu coroarei os teus dias com as bênçãos da alegria perene, levando, pelas gerações em fora, a mensagem viva do teu auxílio como legatário natural da tua fé libertadora e santa.
      Irmão do Cristo, recolhe-me no teu amor em nome de Quem, em apresentando os pequeninos aos discípulos amados, asseverou pertencer o Reino dos Céus.

Anália Franco - (De: “Sementeira da Fraternidade”, de Divaldo Pereira Franco, por diversos Espíritos).