quarta-feira, 13 de junho de 2012

PILATOS

“Mas entregou Jesus à vontade deles.” — Lucas, 23:25
 
        Pilatos hesitava. Seu coração era um pêndulo entre duas forças poderosas...
        De um lado, era a consciência transmitindo-lhe a vontade superior dos Planos Divinos, de outro, era a imposição da turba ameaçadora, encaminhando-lhe a vontade inferior das esferas mais baixas do mundo.
*
        O infortúnio do juiz romano foi entregar o Senhor aos desígnios da multidão mesquinha.
        Na qualidade de homem, Pôncio Pilatos era portador de defeitos naturais que nos caracterizam a quase todos na experiência em que o nobre patrício se encontrava, mas como juiz, naquele instante, seu imenso desejo era de acertar.
*
        Queria ser justo e ser bom no processo do Messias Nazareno, entretanto, fraquejou pela vontade enfermiça, cedendo à zona contrária ao bem.
*
        Examinando o fenômeno, todavia, não nos move outro desejo senão de analisar nossa própria fragilidade.
        Quantas vezes agimos até ontem, ao modo de Pilatos, nas estradas da vida? Imaginemos  o tribunal de Jerusalém transportado na osso foro íntimo.
*
        Jesus não se punha contra o nosso exame, mas, esperando pela nossa decisão, aí permanece conosco a Sua ideia Divina e Salvadora.
*
        Qual aconteceu ao juiz, nosso coração transforma-se em pêndulo, entre as exortações da consciência eterna e as requisições dos desejos inferiores.
*
        Quase que invariavelmente, entregamos o pensamento de Jesus às zonas baixas, onde sofre a mesma crucificação do Mestre.
        Vemos assim que Pilatos converteu-se em profundo símbolo para a caminhada humana.
 
(De “Alma e Luz”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

terça-feira, 12 de junho de 2012

AGRADECIMENTO

Na vida terrestre, bem podemos entender que toda a relação entre os seres e o Criador da Vida é demarcada pelo fenômeno do agradecimento.
A natureza sabe ser grata pelas ofertas do Criador, dando aos humanos sublimados exemplos nesse sentido.
O solo costuma agradecer ao Pai do Céu pela confiança do lavrador, quando guarda em seu seio as sementes prenhes dos recursos potencializados do futuro vegetal. O agradecimento do solo, assim, é a promoção da germinação da semente aninhada sob sua calidez.
O vegetal agradece a DEUS enfeitando-se de flores, muitas vezes detentoras de raros perfumes e de cores exóticas. As flores, por sua vez, agradecem a ramagem que as sustenta, homenageando a vida com a oferta de seus frutos.
A brisa rende graças ao Senhor por poder movimentar-se, celeremente, em todo lugar, e, por isso beija as florações, refrescando-as, carinhosamente. As florações são agradecidas à brisa refrescante embalsamando-a com seu perfume.
A corrente fluvial agradece pelo leito em que se estira, no seu rumo para o mar, fertilizando as suas margens, que se tornam áreas abençoadas pela fertilidade.
As aves são gratas à vida e, por isso, emitem seu mavioso canto, enchendo de sonora harmonia seus espaços.
O Sol é reconhecido ao Criador por sua natureza estelar, e, por esse motivo, além de projetar seu brilho sobre o corpo lunar, opaco, tornando-o formidável lâmpada que derrama prata sobre a imensidão, esparge sementes de vida por todos os planetas que se lhe tornaram satélites.
A lua se mostra agradecida ao Supremo Pai e coopera grandemente para os movimentos das marés, que, agitando a enorme massa líquida, contribui para o equilíbrio planetário.
Como bem podemos ver, é verdade que tudo se une em agradecimento ao nosso Pai Maior. Cada coisa ou cada ser, a seu modo, sabe ser penhorado.
Pense, então, a respeito das suas relações com a vida e sobre o modo como tem se mostrado grato a DEUS. Importante é que, muito embora possamos orar a DEUS, com entusiasmo ou com tristeza n'alma, no cerne da nossa oração possamos não apenas pedir, mas, também, louvar e agradecer ao Dispensador Absoluto, através de uma existência rica de belezas, plena de construções nobilitantes, para que se estabeleça em cada um de nós a sonhada ventura, patrimônio inalienável de quem aprende a
agradecer pelas bênçãos que recebe a cada momento, contribuindo com os projetos do Pai pelos caminhos do mundo.

(Mensagem psicografada em 25.12.2002 - Niterói - RJ - Raul
Teixeira/Rosângela)