"Por que não se vendeu
este perfume por trezentos denários e não de seu aos pobres?" - João, cap. 12 - v. 5
As palavras acima foram
pronunciadas por Judas, diante da atitude de Maria, irmã de
Lázaro, que ungira os pés de
Jesus com perfume e os enxugara com os cabelos...
O apóstolo que considerou tal
atitude um desperdício trairia, um pouco mais tarde,
o Mestre por trinta moedas de
prata !
Os sofismas que o espírito
engendra para perder a si mesmo são inesgotáveis...
A preocupação de Judas era
simples inveja.
Àquela altura, provavelmente,
ele já estava de conluio com os doutores da lei.
Não procuremos nos justificar
em nossos deslizes, como quem se absolve para
continuar fazendo o que não
deve.
Sim, é verdade que somos
imperfeitos, mas não podemos sê-lo para sempre.
Não recriminemos, pois, nos
outros, atitudes que, em nós, costumam ser piores.
A falsa moralidade é mais
difícil de ser detectada que a absoluta ausência de moral.
Existem intenções no bem que
não passam de aparência.
Não sejamos como as pessoas
dissimuladas que pensam poderem enganar a Deus.
De alguém muito solícito ao
nosso lado pode vir o golpe da traição.
Prefiramos as pessoas que se
mostram com os seus defeitos àquelas que se
escondem debaixo de virtudes
que não têm.
(Obra: Saúde Mental À Luz do
Evangelho - Carlos A.Baccelli/Inácio Ferreira)
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quinta-feira, 28 de junho de 2012
quarta-feira, 27 de junho de 2012
VINGANÇA ALIENANTE
Remanesce,
como vestígio do primarismo, em a natureza humana, o mórbido costume da
vingança.
Presença
do rancor nos sentimentos asselvajados, programa o desforço e aguarda o momento
para desferir o golpe certeiro contra quem não espera o atentado vil.
Cavilosamente,
o vingador maquina a agressão, comprazendo-se, antecipadamente, com a surpresa
dorida de que será objeto aquele a quem detesta.
Quando
se sente superior em força e oportunidade, esmaga o adversário, cortando-lhe o
passo de acesso a qualquer libertação.
Se é
fraco — e todo aquele que se vinga, é doente e frágil — urge com
falsidade a trama que envolverá o desafeto, ferindo-lhe o mais profundo do ser.
Às
vezes fica, a distância, usufruindo o gozo, ante o sofrimento daquele a quem
odeia.
Em
circunstâncias diferentes, desnuda o caráter e revela-se ao tombado,
informando-lhe haver produzido o desastre, por tal ou qual motivo, que traz à
tona, alegrando-se com a amargura que vê estampada na face do vencido.
A
vingança se manifesta, no entanto, de várias outras formas sutis, não, porém,
menos danosas.
Impossibilitada
de eliminar o rival diretamente, apunhá-la-lhe a alma com a calúnia, que ao outro
infelicita as horas, trazendo-lhe amargura e dor;
abre-lhe
abismos, mediante a cizânia que o arroja ao poço da vergonha e da aflição;
prepara
armadilhas morais que lhe arruínam a dignidade e lhe envilecem a conduta;
inspira
suspeitas que lhe corroem a estrutura do comportamento, deixando-o com
insegurança e mal-estar;
espreita-lhe
o passo e não perde ocasião de o humilhar ou de levá-lo ao ridículo, sempre
encontrando forma de malsinar-lhe as horas...
A
vingança é alta expressão de covardia moral, compreensível e desculpável por
ser reflexo de morbidez e alienação mental, inspirando piedade em razão dos
danos que sobre si mesmo acumula o seu agente.
O
vingador é um ser sempre infeliz e atormentado.
Mesmo
quando logra o seu intento não se satisfaz, porque se descobre vazio e sem
objetivos.
Envolve-te
na luz da caridade e espraia-a até aqueles que se vingam, evitando também
derrapares, quando ferido, na treva densa da vingança onde o ódio se homizia e
aguarda.
(De
“Luz da Esperança”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna
de Ângelis)
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