quinta-feira, 28 de junho de 2012

SOFISMAS

"Por que não se vendeu este perfume por trezentos denários e não de seu aos pobres?"  - João, cap. 12 - v. 5
 
As palavras acima foram pronunciadas por Judas, diante da atitude de Maria,  irmã de
Lázaro, que ungira os pés de Jesus com perfume e os enxugara com os cabelos...
O apóstolo que considerou tal atitude um desperdício trairia,  um pouco mais tarde,
o Mestre por trinta moedas de prata !
Os sofismas que o espírito engendra para perder a si mesmo são inesgotáveis...
A preocupação de Judas era simples inveja.
Àquela altura, provavelmente, ele já estava de conluio com os doutores da lei.
Não procuremos nos justificar em nossos deslizes,  como quem se absolve para
continuar fazendo o que não deve.
Sim, é verdade que somos imperfeitos, mas não podemos sê-lo para sempre.
Não recriminemos, pois, nos outros, atitudes que, em nós, costumam ser piores.
A falsa moralidade é mais difícil de ser detectada que a absoluta ausência de moral.
Existem intenções no bem que não passam de aparência.
Não sejamos como as pessoas dissimuladas que pensam poderem enganar a Deus.
De alguém muito solícito ao nosso lado pode vir o golpe da traição.
Prefiramos as pessoas que se mostram com os seus defeitos àquelas que se
escondem debaixo de virtudes que não têm.
 
(Obra: Saúde Mental À Luz do Evangelho - Carlos A.Baccelli/Inácio Ferreira)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

VINGANÇA ALIENANTE

      Remanesce, como vestígio do primarismo, em a natureza humana, o mórbido costume da vingança.
        Presença do rancor nos sentimentos asselvajados, programa o desforço e aguarda o momento para desferir o golpe certeiro contra quem não espera o atentado vil.
        Cavilosamente, o vingador maquina a agressão, comprazendo-se, antecipadamente, com  a surpresa dorida de que será objeto aquele a quem detesta.
        Quando se sente superior em força e oportunidade, esmaga o adversário, cortando-lhe o passo de acesso a qualquer libertação.
        Se é fraco — e todo aquele que se vinga, é doente e frágil — urge com falsidade a trama que envolverá o desafeto, ferindo-lhe o mais profundo do ser.
        Às vezes fica, a distância, usufruindo o gozo, ante o sofrimento daquele a quem odeia.
        Em circunstâncias diferentes, desnuda o caráter e revela-se ao tombado, informando-lhe haver produzido o desastre, por tal ou qual motivo, que traz à tona, alegrando-se com a amargura que vê estampada na face do vencido.
        A vingança se manifesta, no entanto, de várias outras formas sutis, não, porém, menos danosas.
        Impossibilitada de eliminar o rival diretamente, apunhá-la-lhe a alma com a calúnia, que ao outro infelicita as horas, trazendo-lhe amargura e dor;
        abre-lhe abismos, mediante a cizânia que o arroja ao poço da vergonha e da aflição;
        prepara armadilhas morais que lhe arruínam a dignidade e lhe envilecem a conduta;
        inspira suspeitas que lhe corroem a estrutura do comportamento, deixando-o com insegurança e mal-estar;
        espreita-lhe o passo e não perde ocasião de o humilhar ou de levá-lo ao ridículo, sempre encontrando forma de malsinar-lhe as horas...
        A vingança é alta expressão de covardia moral, compreensível e desculpável por ser reflexo de morbidez e alienação mental, inspirando piedade em razão dos danos que sobre si mesmo acumula o seu agente.
        O vingador é um ser sempre infeliz e atormentado.
        Mesmo quando logra o seu intento não se satisfaz, porque se descobre vazio e sem objetivos.
        Envolve-te na luz da caridade e espraia-a até aqueles que se vingam, evitando também derrapares, quando ferido, na treva densa da vingança onde o ódio se homizia e aguarda.
 
(De “Luz da Esperança”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)