terça-feira, 9 de abril de 2013

A PRECE



         A oração não será um processo de fuga do caminho que nos cabe percorrer, mas constituirá uma abençoada luz em nossas mãos, clareando-nos a marcha.

        Não representará uma porta de escape ao sofrimento regenerativo de que ainda carecemos, mas expressará um bordão de arrimo, com o auxílio do qual superamos a ventania da adversidade, no rumo da bonança.
        Não será um privilégio que nos exonere da enfermidade retificadora, ambientada em nosso próprio templo orgânico pela nossa incúria e pela nossa irreflexão, no abuso dos bens do mundo, entretanto, comparecerá por remédio balsamisante e salutar, que nos remove as energias, em favor de nossa cura.
        Não será uma prerrogativa indébita que nos isente da luta humana, imprescindível ao nosso aperfeiçoamento individual, todavia, brilhará em nossa experiência  por sublime posto de reabastecimento espiritual, susceptível de garantir-nos a resistência e o valor na tarefa de renunciação e sacrifício em que nos cabe perseverar.
        Não será uma outorga de recursos para que os nossos caprichos pessoais sejam atendidos, no jardim de nossas predileções afetivas, contudo, será uma dispensação de forças para que possamos tolerar galhardamente as situações mais difíceis, diante daqueles que nos desagradam, em sociedade ou em família, ajudando-nos, pouco a pouco, a edificar o santuário da verdadeira fraternidade, no próprio coração, em cujos altares amealharemos o tesouro da paz e do discernimento.
        Ainda mesmo que te encontres no labirinto quase inextrincável das provações inflexíveis, ainda mesmo que a tua jornada se alongue sob o granizo da discórdia e da incompreensão, em plena sombra, cultiva a prece, com a mesma persistência a que te induzas na procura da água para a sede e do pão para a fome do corpo.
        Na dor, ser-te-á divino consolo, na perturbação constituirá tua bússola.
        Não olvides que a permanência na Terra é uma simples viagem educativa de nossa alma, no espaço e no tempo, e não te esqueças de que somente pela oração, descobriremos, cada dia, o rumo que nos conduzirá de retorno aos braços amorosos de Deus.
                                       Emmanuel
(De “À luz da oração”, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos diversos)

segunda-feira, 8 de abril de 2013

COMPANHEIROS E AMIGOS


        Quando te dispuseres a reclamar contra certos traços psicológicos daqueles que o Senhor te confiou ao ministério familiar, medita na diversidade das criações que compõem a Natureza.
        Cada estrela se destaca por determinada expressão.
        Cada planta mostra finalidade particular.
        A rosa e a violeta são diferentes, conquanto ambas sejam flores.
        Os caminhos do mundo guardam linhas diversas entre si.
        Também nós, as criaturas de Deus, somos seres que se identificam pela semelhança, mas não somos rigorosamente iguais.
*
        Conforme os princípios de causa e efeito, que nos traçam a lei da reencarnação, cada qual de nós traz consigo a soma de tudo o que já fez de si, com a obrigação de extrair os males que tenhamos colecionado até a completa extinção, multiplicando os bens que já possuamos, para dividi-lo com os outros, na construção da felicidade geral.
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        Não queira transformar os entes queridos sob o martelo da força.
        Ninguém precisa apagar a luz do vizinho, para iluminar a própria casa.
        Uma vela acende outra sem alterar-se.
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        Ama os teus, aqueles com quem Deus te permite compartilhar a existência, entretanto, respeita o caminho de realização a que se ajustem.
        Esse escolheu a senda do burilamento próprio; aquele procurou a via do trabalho constante; outro escolheu a trilha de responsabilidades intransferíveis a fim de produzir o melhor; e outro, ainda, indicou a si mesmo, para elevar-se, a vereda espinhosa das provações e das lágrimas.
        Auxilia a cada um, como puderes, entretanto, não busques transfigurar-lhes o espírito, de repente, reconhecendo que também nós não aceitaríamos a nossa própria renovação em bases de violência.
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        Ama os entes queridos, tais quais são e quando nas provas a que sejam chamados para efeito de promoção na Espiritualidade Maior, se não consegues descobrir o melhor processo de auxiliá-los, acalma-te e ora pelo fortalecimento e paz deles todos, na certeza de que Deus está velando por nós e de que nós todos somos filhos de Deus.

(De “Companheiro”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)