sábado, 22 de fevereiro de 2014

Deus Castiga?


Acontece inúmeras vezes. A pessoa passa a ter dificuldades de variada ordem e se sente infeliz.
No âmbito familiar, os desentendimentos se tornam rotina. No ambiente de trabalho, um certo marasmo toma conta das ações e a pessoa não se sente mais estimulada a realizar o melhor.
Por causa disso, sucedem-se as chamadas de atenção dos superiores, as reclamações de clientes e a insatisfação íntima.
Acrescente-se a isso pequenas desavenças com um ou outro amigo, que deságuam em ruptura de relacionamentos de anos.
Então, a pessoa enumera todas as dificuldades, grandes e pequenas, e acredita que Deus a está castigando.
E não faltam os que fazem coro a essa afirmativa, dizendo-a verdadeira.
Deus castiga porque a pessoa foi desonesta em algum momento. Deus castiga porque a pessoa O desagradou, não Lhe prestando as homenagens devidas.
Deus castiga porque a pessoa não está vinculada a essa ou aquela denominação religiosa, para fazer o bem.
Deus castiga...
* * *
Que forma pequena de conceituarmos Deus! Deus, que é nosso Pai, soberanamente justo e bom, viveria a dar castigos aos filhos que Ele criou, por amor?
Deus, de quem Jesus afirmou que veste a erva do campo, que hoje se apresenta verde e amanhã já secou e é lançada ao fogo...
Deus, de quem Jesus nos cientificou que providencia o alimento para as aves que voam pelos céus, porque elas não semeiam...
Terá acaso Deus maior cuidado com a erva, os animais do que com os seres humanos?
Observamos que, no mundo, o homem tem graduações para o atendimento prioritário, onde o ser humano é mais importante do que o animal, por sua condição de ser moral, imortal.
Também observamos que, em casos de grandes comoções e necessidades, o homem salvaguarda os seres mais frágeis: idosos, crianças, mulheres.
Ora, será Deus menos sábio que nós mesmos?
Pensemos nisso. E abandonemos de vez essa ideia de que Deus castiga.
Se Deus regesse o Universo, ao sabor de paixões como as que temos nós, os humanos, viveríamos o caos.
Em certa manhã, Ele poderia estar de mau humor e, porque um número determinado de pessoas de um planeta O desagradasse, resolveria por eliminar aquele globo do conjunto universal.
Por ter preferências por uns seres em detrimento de outros, concederia bênçãos inúmeras àqueles, deixando de atender a esses, que não Lhe mereceriam melhor atenção.
Deus é soberanamente justo e bom. Tenhamos isso em mente.
Infinito em Suas qualidades, estende Seu amor a toda Sua criação, a quem sustenta com esse mesmo amor.
E, se as dores, os problemas e dificuldades se acumularem, verifiquemos até onde nós mesmos criamos todos esses entraves.
E, sempre, nos reportemos ao Pai amoroso e bom, suplicando nos auxilie a resolver os problemas, a modificarmos a nossa maneira de ser, a nos tornarmos criaturas melhores.
Com certeza, a pouco e pouco, veremos se diluírem, como névoa da manhã, o que hoje catalogamos como insolúvel, extremamente doloroso ou amargo.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Espiritismo - Doutrina filosófica de vida e uma nova forma de religar o homem a Deus


Novos tempos, ei-los aí chegados.
Forjados no ápice da vaidade e egoísmo humanos, nascidos da lama das guerras fratricidas do século passado, no rastro das revoluções de corações e mentes.
Novos tempos, sim.
Representados nas crianças que nascem sorrindo. Nos seres que vão embora dormindo.
Tempos que oferecem uma nova plantação aos semeadores.
Como disse Allan Kardec em O Que É o Espiritismo?, tempos em que a união de pensamentos em torno da solidariedade e fraternidade universais podem promover uma evolução moral dos indivíduos.
Eis o momento mágico em que a verdade dos espíritos bate em todas as portas.
Não como uma instituição, não como um dogma, muito menos uma religião tradicional.
Foi Kardec mesmo quem apressou-se a dizer que aquela doutrina que estava sendo decodificada no fervor científico do século XIX seria infinita e eterna.
Eterno espiritismo, mutável e progressista para se adequar à sociedade de todos os tempos, mas sempre ciência de observação, doutrina filosófica de vida e uma nova forma de religar o homem a Deus.
Consequências religiosas que nascem longe dos erros do passado com tantas e tantas lições expiatórias.
Eis o espiritismo, então, renovando o seu tempo, sem precisar ser o fim em si mesmo, mas apenas o meio.
E como o meio é a mensagem, ei-la propagada não através dos métodos tradicionais que outrora ergueram as bandeiras de verdades e mentiras incompletas.
Mas sim através dos homens e suas vidas transformadas.
O homem, o tempo, o espírito.
O verdadeiro espírita é aquele que pratica a reforma íntima e, então, ilumina o mundo ao seu redor. Não impõe sua crença. Não divide o mundo entre nós e eles. Vive de fé raciocinada. De amor e caridade. Impregna seu trabalho com essa verdade. E escreve as linhas da história do novo homem.
O desafio que se impõe é grande.
Eis a flotilha e os corajosos remadores que não conhecem o oceano à frente, mas são os pioneiros que anseiam por descobrir, no erro e no acerto, como será o mundo regenerado que bate à nossa porta.
Usam câmeras, microfones, palavras. Suor e lágrimas.
Antes de ser um audiovisual espírita que se forma e esbarra na fraqueza dos adjetivos limitadores, que seja então o espírita no audiovisual.
O espírita de verdade capaz de impregnar sua arte eterna, de navegar em todos os mares, de falar todas as línguas, contar todas as histórias, cantar todas as músicas e, enfim, imaginar e criar um mundo melhor dentro de si e à sua volta, anunciando-o então com humildade e alegria.
Parabéns a Fundação Espírita André Luiz pelo trabalho de amor que realiza.
Que seja ele sempre uma semente diária na proclamação desses novos tempos, desta nova história cujo protagonista é um só.
Em nome de Deus.

Wagner Assis - diretor e roteirista do filme Nosso Lar