segunda-feira, 17 de março de 2014

Uma lágrima no rio (Homenagem a Chico Xavier)


Na barranca do Tijuco
Vi um velho soluçando.
Gota a gota a sua mágoa
O Tijuco ia levando.
Tenho pena de quem chora
Muito mais de um ancião.
Quando um velho molha os olhos
O seu pranto tem razão.

Perguntei: "Meu velho amigo,
Que te faz chorar assim?"
Com os olhos sobre o rio,
Disse sem olhar pra mim:
"Meu amigo, eu amei tanto,
Eu plantei demais amor,
É deserto de canto em canto,
Não nasceu nenhuma flor.

Minha luta foi inútil,
Joguei a palavra fora!
Gente que me enternecia
Mente, rouba e mata agora!"

Fui ficando emocionado
Com esse velhos de joelhos.
Mesmo sem ser preparado
Arrisquei o meu conselho.

De joelho ao lado dele
Eu falei sem pretensão
"Não repare o meu conselho
É o que diz meu coração.
Aqui mesmo em Uberaba
Acredite se quiser
Quem te pode consolar, amigo
É o Chico Xavier"

"Agradeço o seu conselho
Mas de nada me valeu,
Aumentou meu desespero!
Chico Xavier sou eu..."


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domingo, 16 de março de 2014

Geração dos Rótulos


Geração Y. Geração Saúde. Geração dos impacientes. Dos egocêntricos. Ou dos improdutivos? Vários são os rótulos dados aos nossos filhos e que eles, sem o menor questionamento, acabam por aceitando e os incorporando. Talvez, até se utilizem deles para se esconder das oportunidades oferecidas pela vida.

Conceitualmente querem mudar o mundo, pois acham que nós e os nossos pais não tivemos a capacidade para fazê-lo. Querem ser o motor da grande revolução tecnológica e os precursores da "reinvenção" da globalização. E, diga-se de passagem, hoje tem todas as ferramentas nas mãos para alcançar esse objetivo.

Entretanto, julgam-se com capacidade intelectual acima da média e rápidos o suficientes para fazer diversas coisas ao mesmo tempo, como ouvir música, twittar, assistir TV pelo tablet, jogar, conversar ao telefone e trabalhar. E realmente são capazes disso, mas então, o que lhes falta? Tudo ao mesmo tempo, sem critérios, sem prioridades, sem uma real definição de qualidade. Quero, posso, desgosto, quero outro. Assim é essa geração que ama o discurso do politicamente correto, mas que não quer se frustrar com os resultados da prática. Uma geração da saúde. Das academias. Dos integrais. Das saladas. E dos lights. Mas que não consegue ir à padaria sem o carro, assim como a geração que usa as redes sociais como artifício para não sair de casa e encontrar os amigos pessoalmente. O que mais vemos são pessoas com centenas de amigos virtuais e pouquíssimos presenciais.

Será que não lhes falta a simplicidade? Ainda acredito na cultura do menos com mais. Eles têm tudo e, na verdade, não tem nada. Passam o tempo fazendo mil coisas e, no final, perderam tempo fazendo nada. Passam horas na academia e ganham tudo em triplo no fast food. Para essa geração do "tudo e nada", proponho uma receitinha caseira, que seja para gastar um pouco de energia, ou apenas ocupar um pouco do tempo fazendo algo que seja mais útil para alguém. Que tal começar com:
1. Estender a roupa e desentupir a pia: 166 calorias
2. Esfregar o chão e dar banho no cachorro: 285 calorias;
3. Arrumar quarto e cozinhar: 150 calorias
4. Limpar a casa depois de uma festa: 150 calorias
5. Cortar a grama, subir e descer escadas: 470 calorias
6. Desintoxicação virtual.
7. Moderação tecnológica.
8. Canalização de energias.
9. Resgate da simplicidade.
10. Ou apenas retomada de alguns dos valores de nossos pais.
Para essa geração, proponho mais ação e menos rótulos, de forma que parem de se esconder. Afinal, se continuarmos adotando rótulos daqui a pouco a Geração Y passará a ser GG.

Deivison Pedroza