terça-feira, 18 de março de 2014

Quando deixei de ver a Lua


Num final de noite frio, de noite estrelada, um homem dirige seu carro pelas ruas da cidade.
No banco de trás ele carrega um tesouro: seu filhinho de dois anos de idade.
Parados no semáforo, ele observa que o filho está com o olhar fixado no alto, longe, para fora da janela.
Uma luz azul suave adentra o veículo, iluminando o rosto da criança, proporcionando uma beleza sem igual para o pai apaixonado.
Então, com aquela voz tenra, a voz pequena da descoberta das primeiras palavras, o filho diz: lua.
Sim, é mesmo! - diz o pai. É a lua! Que linda é a lua, não é, meu filho?
A criança nada responde, e continua observando, encantada, o satélite natural da Terra.
As crianças sabem que o belo precisa ser contemplado, e que qualquer palavra é pequena e insuficiente para descrevê-lo.
Após isto, o pai torna o olhar para fora também, e consegue observar a maravilha de uma noite enluarada de outono.
Consigo então pensa: Quando deixei de ver a lua?...
Lembrou-se que fazia muito tempo, desde a última vez que pôde contemplar o fulgurante brilho lunar.
Será que me esqueci da lua?... Ela certamente não esqueceu de mim, pois há pouco conversava com meu filho, em pensamento...
* * *
Os dias tumultuosos, os muitos afazeres, as preocupações. Tudo isso pode nos fazer perder um pouco o contato com a natureza, e com as coisas simples da vida.
Começa o ano, quando vemos já é março, já é junho... E nesse tempo todo - pois é muito tempo - não pudemos ver o céu estrelado, um pôr do sol, ouvir um pássaro cantar...
Faltou tempo, alegamos, quando na verdade faltou oportunidade. E quem é capaz de criar tais oportunidades? Somos nós apenas, ninguém mais.
O contato com a natureza nos renova as forças, nos proporciona momentos de reflexão, de pensamentos mais leves, despretensiosos até...
Tudo isso faz bem à alma e ao corpo. O ser humano precisa recarregar suas energias, constantemente, e Deus nos deu diversas fontes inesgotáveis de tais recursos.
Uma volta na quadra a passos lentos; um piquenique sem hora para começar ou terminar; alguns minutos de brincadeira com os filhos...
Um jantar surpresa, a dois; uma visita a alguém querido; um final de semana sem TV ou Internet...
Não podemos nos deixar ser simplesmente consumidos, pelo mundo moderno e suas neuroses atuais.
A vida é muito mais que acordar, trabalhar, alimentar-se, usufruir de pequenos prazeres, dormir...
Estamos aqui, na Terra, com objetivos muito claros e nobres. Estamos aqui para crescer, para nos transformar em pessoas de bem através do amor.
Se nos esquecemos disso passamos a ser espécies de zumbis sociáveis, afogados em mil afazeres, sempre fazendo algo - sem tempo para nada - mas, vazios, tristes, depressivos.
Assim, não deixe de ver a lua, de notar as estrelas, e de se maravilhar com elas.
Não deixe de estar de corpo e alma com quem você ama; não deixe de observar a natureza, e escutar o que ela sempre tem a lhe dizer.

Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 17 de março de 2014

Uma lágrima no rio (Homenagem a Chico Xavier)


Na barranca do Tijuco
Vi um velho soluçando.
Gota a gota a sua mágoa
O Tijuco ia levando.
Tenho pena de quem chora
Muito mais de um ancião.
Quando um velho molha os olhos
O seu pranto tem razão.

Perguntei: "Meu velho amigo,
Que te faz chorar assim?"
Com os olhos sobre o rio,
Disse sem olhar pra mim:
"Meu amigo, eu amei tanto,
Eu plantei demais amor,
É deserto de canto em canto,
Não nasceu nenhuma flor.

Minha luta foi inútil,
Joguei a palavra fora!
Gente que me enternecia
Mente, rouba e mata agora!"

Fui ficando emocionado
Com esse velhos de joelhos.
Mesmo sem ser preparado
Arrisquei o meu conselho.

De joelho ao lado dele
Eu falei sem pretensão
"Não repare o meu conselho
É o que diz meu coração.
Aqui mesmo em Uberaba
Acredite se quiser
Quem te pode consolar, amigo
É o Chico Xavier"

"Agradeço o seu conselho
Mas de nada me valeu,
Aumentou meu desespero!
Chico Xavier sou eu..."


Leia mais lindas mensagens acessando o Site Mensagem Espírita: http://www.mensagemespirita.com.br/mensagem-em-video/444/uma-lagrima-no-rio-moacyr-franco-musica-em-homenagem-a-chico-xavier