quarta-feira, 30 de abril de 2014

Onde eu morava antes de nascer?


Onde eu morava antes de nascer? Com esta pergunta Mariana entrou correndo no quarto dos seus pais, atirando-se nos braços da mamãe que acabara de acordar.
Bom dia, filhinha! E o meu beijo?
Você estava na barriga da mamãe, respondeu o papai.
Ah, papai, isso eu já sabia, mas, antes de eu morar na barriga da mamãe onde é que eu morava?
Você morava em um lugar parecido com o mundo em que moramos. Um lugar mais belo e harmônico.
É mesmo?
Sim, Mariana, disse-lhe o papai. Agora me dá um beijo e vamos levantar.
Mariana estava curiosa aquela manhã e deseja saber mais.
Mamãe, o que eu fazia nesse lugar?
Você estudava, aprendia, trabalhava. Todos que moram nesse belo lugar fazem muitas coisas boas e úteis.
Por que, mamãe?
Porque se preparam para renascer, para voltar a morar no planeta Terra.
E como é o nome desse lugar?

Nós o chamamos de Mundo espiritual. O mundo dos espíritos desencarnados. Aqui é o mundo dos espíritos encarnados, que somos todos nós: você, eu, o papai, a vovó, os seus amiguinhos...
Desencarnados? O que é isso?
Desencarnados são os espíritos das pessoas que morreram aqui na Terra e agora moram no Mundo espiritual. Estão vivos!
O vovô Germano está morando no Mundo Espiritual?
Sim, está, minha filha.
Mamãe, vou fazer um desenho caprichado sobre a fazenda onde nós passamos as férias e enviar para ele no Mundo Espiritual.
Faça o desenho, minha filha. Quando terminar coloque-o no mural do seu quarto e pense no vovô, nas suas brincadeiras e no seu sorriso bondoso. O vovô irá receber o seu desenho através do pensamento.
Está bem, mamãe. O vovô ficará feliz com o meu desenho e os meus pensamentos?
Sim, Mariana, o vovô Germano ama você e ficará muito feliz.
Mas, antes, me dá um abraço e depois vamos tomar o café da manhã.

Isabel C. Ditzel

terça-feira, 29 de abril de 2014

Entre o Passado e o Futuro


A pluralidade das existências constitui um dos postulados básicos do Espiritismo.
Trata-se de um enunciado segundo o qual o Espírito anima incontáveis corpos em sua jornada rumo à Angelitude.
Essas existências físicas se entrelaçam e sucedem conforme o comportamento do Espírito.
Elas podem ser em número menor, desde que bem aproveitadas.
Já o Espírito rebelde necessita repetir várias vezes as mesmas experiências, até fazer bem a lição.
Como as encarnações não são desconectadas umas das outras, sempre sobra algo do ontem no hoje.
É comum as pessoas se indagarem a respeito do que foram.
Como a justiça vigora no Universo, cada qual se constrói a si próprio feliz ou desgraçado.
Com base nesse raciocínio, muitas vezes se afirma, a respeito de pessoas enfermas ou portadoras de graves problemas, que muito erraram.
Ocorre que a realidade não é tão simples.
A Espiritualidade Superior ensina que a Terra é um mundo de provas e expiações.
Ela funciona na qualidade de reformatório e de escola, na qual se aprimoram seres ainda carentes de sublimação.
Expiações constituem experiências dolorosas, frutos de erros do passado.
Elas se destinam a desgostar o Espírito do vício que o acomete, a fim de que o abandone.
Já as provas são para aferir os valores amealhados pelo ser, sua força e firmeza no bem.
O Espírito teoriza sobre determinada virtude, compreende-a e finalmente se decide a vivê-la, por entre as dificuldades e tentações inerentes à vida terrena.
Pode ou não se sagrar vencedor, conforme seja mais ou menos decidido pela vivência do bem.
Caso venha a falhar, necessitará dar conta dos erros cometidos e repetir a experiência.
Se vencer, novas e ricas oportunidades se abrirão em sua caminhada rumo à plenitude.
Bem se vê que os dramas e os suores da vida não se relacionam sempre com o ontem.
Podem ser resultado de equívocos, a reclamar corrigenda.
Mas frequentemente são uma aposta no futuro, um teste de admissão para experiências compensadoras.
É leviano afirmar que alguém sofre bastante porque muito errou.
Talvez seja antes um idealista que luta para desenvolver em si as asas dos anjos.
A rigor, o passado se revela mais pelas tendências instintivas.
Aquele que quer se conhecer, precisa prestar atenção em seus desejos e sonhos.
Quem se deleita com histórias picantes e racistas, gasta tempo com coisas vulgares, quer sempre levar vantagem, podendo se concluir que seu passado não é digno.
Mas, entre provas e expiações, não é relevante saber a origem da experiência difícil.
Qualquer que seja o contexto, importa fazer bem a lição, a fim de se libertar dela.
Ser corajoso, digno, puro e generoso em face dos embates é a receita da felicidade futura.
Pense nisso.

Redação do Momento Espírita