quarta-feira, 14 de maio de 2014

Os dois amigos


Dois amigos cultivavam o mesmo campo de trigo, trabalhando arduamente a terra com amor e dedicação, numa luta estafante, às vezes inglória, à espera de um resultado compensador.
Passam-se anos de pouco ou nenhum retorno. Até que um dia, chegou a grande colheita. Perfeita, abundante, magnífica, satisfazendo os dois agricultores que a repartiram igualmente, eufóricos.
Cada um seguiu o seu rumo.
À noite, já no leito, cansado da brava lida daqueles últimos dias, um deles pensou:
"Eu sou casado, tenho filhos fortes e bons, uma companheira fiel e cúmplice. Eles me ajudarão no fim da minha vida. O meu amigo é sozinho, não se casou, nunca terá um braço forte a apoiá-lo. Com certeza, vai precisar muito mais do dinheiro da colheita do que eu".
Levantou-se silencioso para não acordar ninguém, colocou metade dos sacos de trigo recolhidos na carroça e saiu.
Ao mesmo tempo, em sua casa, o outro não conciliava o sono, questionando: "Para que preciso de tanto dinheiro se não tenho ninguém para sustentar, já estou idoso para ter filhos e não penso mais em me casar. As minhas necessidades são muito menores do que as do meu sócio, com uma família numerosa para manter".
Não teve dúvidas, pulou da cama, encheu a sua carroça com a metade do produto da boa terra e saiu pela madrugada fria, dirigindo-se à casa do outro. O entusiasmo era tanto que não dava para esperar o amanhecer.
Na estrada escura e nebulosa daquela noite de inverno, os dois amigos encontraram-se frente a frente.
Olharam-se espantados. Mas não foram necessárias as palavras para que entendessem a mútua intenção. Amigo é aquele que no seu silêncio escuta o silêncio do outro.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Perdido no Deserto


Um homem estava perdido em um deserto, sem esperanças de lá sair... Mesmo assim, ele se pôs a caminhar...
O calor era insuportável...
E ele estava ficando cansado...

De repente ele viu dois animais:
Um camelo velho
E um jovem cavalo

E pensou:
- Vou montar em um dos dois... certamente, conseguirei sair daqui...

Ele avaliou os dois animais e chegou á conclusão que montaria o cavalo, que, por ser mais jovem, provavelmente seria mais rápido...
E assim o fez...
Ele montou o cavalo e saiu em disparada...

Há certa distância, ele olhou para trás e pensou:
- Pobre camelo velho... Irá morrer nesse deserto...

Assim, ele olhou para frente com confiança e seguiu cavalgando...

O cavalo era mesmo rápido e corria muito, mas,
De certa forma, parecia que ele nunca chegava a lugar algum...
E pior... Ele parecia estar andando em círculos...

Com o tempo, o homem e o cavalo estavam ficando “esgotados”...
O cavalo que era rápido diminuiu seus passos e o homem ficou sem forças...
Mas um milagre aconteceu...

Frente á eles, há cerca de 500 metros, o homem avistou um oásis.

Embora muito fracos o cavalo e o homem foram em direção ao salvador oásis...
Mas, sem forças, o cavalo tombou e ambos caíram...
Estavam tão cansados que nem o homem nem o cavalo conseguiram se levantar...

E lá ficaram, caídos, vendo á distância, o oásis que salvaria suas vidas...

De repente, eles avistaram chegando o velho camelo, com seu andar vagaroso passar...
Lento, porém firme...
Desajeitado, porém consistente...
E lá foi o camelo em direção ao oásis...

O homem viu o camelo chegar e beber a água...
Nesse momento ele pensou:
- Como fui tolo... Fiz a escolha errada... por isso, agora morrerei...

Dessa forma, são os homens: perdidos no deserto da ignorância... Que escolhem pela: aparência, força e facilidade...

O cavalo são as idéias e escravidões mentais que se espalham pelo deserto.
Essas idéias e seus autores carregam “massas” de desesperados
“perdidos no deserto”, para uma queda eminente, antes do objetivo final...

O camelo é sábio.

Nunca depende de: força, beleza ou facilidades para se chegar ao oásis...
Ele está sempre pronto a ajudar os desesperados que estão “perdidos no deserto”, mas, que não dependem destes para chegar onde precisam...

São os camelos: velhos sábios a percorrer o deserto de ilusões...