quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A Samambaia e o Bambu



Certo dia os problemas me fizeram dar-me por vencido.

Renunciei ao meus sonhos, meus objetivos e as minhas metas.

Resolvi desistir até da minha vida.

Dirigi-me ao bosque para ter uma última conversa com Deus.

“Deus, eu disse:

Poderias dar-me uma boa razão para eu não entregar os pontos?”

Sua resposta me surpreendeu:

“Olha em redor. Estás vendo a samambaia e o bambu?”

“Sim, estou vendo”, respondi.

“Pois bem. Quando eu semeei as samambaias e o bambu, cuidei deles muito bem.

Não lhes deixei faltar luz e água.

A samambaia cresceu rapidamente.

Seu verde brilhante cobria o solo.

Porém, da semente do bambu nada saía.

Apesar disso, eu não desisti do bambu.

No segundo ano, a samambaia cresceu ainda mais brilhante e viçosa.

E, novamente, da semente do bambu, nada apareceu.

Mas, eu não desisti do bambu.

No terceiro ano, no quarto, a mesma coisa…

Mas, eu não desisti.

Mas… no quinto ano, um pequeno broto saiu da terra.

Aparentemente, em comparação com a samambaia, era muito pequeno, até insignificante.

Seis meses depois, o bambu cresceu mais de 50 metros de altura.

Ele ficara cinco anos afundando raízes.

Aquelas raízes o tornaram forte e lhe deram o necessário para sobreviver.

A nenhuma de minhas criaturas eu faria um desafio que elas não pudessem superar.

E olhando bem no meu íntimo, disse:

Sabes que durante todo esse tempo em que vens lutando, na verdade estavas criando raízes?

Eu jamais desistiria do bambu.

Nunca desistiria de ti.

Não te compares com outros”.

“O bambu foi criado com uma finalidade diferente da samambaia, mas ambos eram necessários para fazer

do bosque um lugar bonito”.

“Teu tempo vai chegar” disse-me Deus.

“Crescerás muito!”

Quanto tenho de crescer? perguntei.

“Tão alto como o bambu?” foi a resposta.

E eu deduzi: Tão alto quanto puder!

Espero que estas palavras possam ajudar-te a entender que Deus nunca desistirá de ti.

Nunca te arrependas de um dia de tua vida.

Os bons dias te dão felicidade.

Os maus te dão experiência.

Ambos são essenciais para a vida.

A felicidade te faz doce.

Os problemas te mantêm forte.

As penas te mantêm humano.

As quedas te mantêm humilde.

O bom êxito te mantém brilhante.

Mas, só Deus te mantém caminhando...

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Descobrindo o Passado


Muitas pessoas afirmam desejar conhecer suas encarnações anteriores.
Uma boa parte delas espera ter animado importantes personalidades históricas.
Reis e santos, poetas e intelectuais, sumidades as mais diversas não faltam no imaginário dos candidatos à recordação.
Entretanto, é preciso lembrar que a lei do progresso vigora em toda a sua plenitude.
Ela impede o retrocesso moral e intelectual.
As condições sociais podem variar significativamente ao longo dos séculos.
É possível passar-se da extrema riqueza à mais abjeta pobreza, de uma encarnação a outra.
Esse movimento pendular presta-se a viabilizar a realização da justiça Divina.
Mediante ele, o poderoso que elaborou leis iníquas para o povo, posteriormente a elas se submete.
Quem lesou o patrimônio público terá oportunidade de se ressentir da falta de educação e segurança públicas eficientes.
O mau patrão poderá experimentar a condição de empregado oprimido.
Essa oscilação nas condições materiais também auxilia o despertar da sensibilidade.
O homem que olha insensível a dor alheia candidata-se a experimentá-la.
Nem toda dor é uma expiação.
O sofrimento é corolário da imperfeição.
Todo vício, toda insensibilidade, toda rudeza atrai a dor como um remédio necessário.
Somente a perfeição moral e intelectual livra a criatura de experiências dolorosas.
A partir de certo nível de desenvolvimento, o Espírito desvincula-se das experiências materiais.
Sem necessidade de vivências terrenas, a elas retorna por espírito de amor e serviço.
Cumprindo missões, dá exemplo de genuína elevação moral e intelectual.
Mas o relevante é que a evolução conquistada jamais é perdida.
Nenhuma alma generosa de repente se torna mesquinha.
O homem intelectualmente superior não perde suas habilidades intelectuais.
Por certo, quem utilizou mal a inteligência pode renascer na condição de idiota.
Ou viver em condições difíceis que não lhe possibilitem adquirir cultura.
Contudo, ordinariamente, a alma expressa o seu potencial.
Assim, a criatura pode ter certeza de que se encontra no ápice de sua evolução.
Ninguém jamais foi tão bondoso e inteligente como é hoje.
Esse raciocínio auxilia a perder ilusões quanto ao próprio passado espiritual.
Quem atualmente detesta estudar, certamente nunca foi um intelectual.
O homem egoísta ou fútil de hoje pode ter como certo jamais ter sido um santo, na acepção da palavra.
Raras pessoas têm recordações precisas do que viveram nos séculos precedentes.
Entretanto, se a recordação detalhada não é possível, nem por isso é inviável ter uma noção do que se viveu.
Para ter uma ideia do que se fez, basta analisar as tendências atuais.
E pensar que ocorreu uma melhora, ao longo do tempo.
As suas ideias inatas revelam o seu nível evolutivo e o caminho que você trilhou.
Para se conhecer, preste atenção nos impulsos mais naturais de seu coração.
Caso seu agir e seu sentir instintivos tenham algo de egoísta, insensível ou vulgar, convém refletir sobre isso.
Enquanto não burilar o seu íntimo, você permanecerá tendo experiências dolorosas.
Então, é de seu interesse mais direto modificar o próprio comportamento e livrar-se de velhas fissuras morais.
Afinal, mais importante do que saber o que você já viveu, é garantir que o seu futuro seja pleno de felicidade e bem-estar.
Pense nisso.

Redação do Momento Espírita