segunda-feira, 4 de maio de 2015

Quando Deus Criou as Mães


Diz uma lenda que o dia em que o bom Deus criou as mães, um mensageiro se acercou Dele e Lhe perguntou o porquê de tanto zelo com aquela criação.

Em quê, afinal de contas, ela era tão especial?

O bondoso e paciente Pai de todos nós lhe explicou que aquela mulher teria o papel de mãe, pelo que merecia especial cuidado.

Ela deveria ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até namoro terminado.

Deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa preparando o lanche do filho, enquanto mexesse nas panelas para que o almoço não queimasse.

Que tivesse noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada.

Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança ao filho de passos vacilantes. Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido, quase insignificante, numa roupa especial para a festinha da escola.

Por ser mãe deveria ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver através de portas fechadas, para aqueles momentos em que se perguntasse o que é que as crianças estão tramando no quarto fechado.

Outro para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura uma criança em apuros e lhe dizer: Eu te compreendo. Não tenhas medo. Eu te amo, mesmo sem dizer nenhuma palavra.

O modelo de mãe deveria ser dotado ainda da capacidade de convencer uma criança de nove anos a tomar banho, uma de cinco a escovar os dentes e dormir, quando está na hora.

Um modelo delicado, com certeza, mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os filhos.

De superar a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família com o pão do amor.

Uma mulher com capacidade de pensar e fazer acordos com as mais diversas faixas de idade.

Uma mulher com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor mas, ainda assim, insistir para que o filho parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior.

Uma mulher com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão.

Uma mulher de lábios ternos, que soubesse cantar canções de ninar para os bebês e tivesse sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas.

Lábios que soubessem falar de Deus, do Universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida.

Uma mulher. Uma mãe.

* * *

Ser mãe é missão de graves responsabilidades e de subida honra. É gozar do privilégio de receber nos braços Espíritos do Senhor e conduzi-los ao bem.

Enquanto haja mães na Terra, Deus estará abençoando o homem com a oportunidade de alcançar a meta da perfeição que lhe cabe, porque a mãe é a mão que conduz, o anjo que vela, a mulher que ora, na esperança de que os seus filhos alcancem felicidade e paz.

Redação do Momento Espírita

sábado, 2 de maio de 2015

A Dor do Abandono


Era uma manhã de sol quente e céu azul quando o humilde caixão contendo um corpo sem vida foi baixado à sepultura. 

De quem se trata? Quase ninguém sabe. 

Muita gente acompanhando o féretro? Não. Apenas umas poucas pessoas. 

Ninguém chora. Ninguém sentirá a falta dela. Ninguém para dizer adeus ou até breve. 

Logo depois que o corpo desocupou o quarto singelo do asilo, onde aquela mulher havia passado boa parte da sua vida, a moça responsável pela limpeza encontrou em uma gaveta ao lado da cama, algumas anotações. 

Eram anotações sobre a dor... 

Sobre a dor que alguém sentiu por ter sido abandonada pela família num lar para idosos... 

Talvez o sofrimento fosse muito maior, mas as palavras só permitem extravasar uma parte desse sentimento, grafado em algumas frases: 

Onde andarão meus filhos? 

Aquelas crianças ridentes que embalei em meu colo, alimentei com meu leite, cuidei com tanto desvelo, onde estarão? 

Estarão tão ocupadas, talvez, que não possam me visitar, ao menos para dizer olá, mamãe? 

Ah! Se eles soubessem como é triste sentir a dor do abandono... A mais deprimente solidão... 

Se ao menos eu pudesse andar... Mas dependo das mãos generosas dessas moças que me levam todos os dias para tomar sol no jardim... Jardim que já conheço como a palma da minha mão. 

Os anos passam e meus filhos não entram por aquela porta, de braços abertos, para me envolver com carinho... 

Os dias passam... e com eles a esperança se vai... 

No começo, a esperança me alimentava, ou eu a alimentava, não sei... 

Mas, agora... como esquecer que fui esquecida? 

Como engolir esse nó que teima em ficar em minha garganta, dia após dia? 

Todas as lágrimas que chorei não foram suficientes para desfaze-lo. 

Sinto que o crepúsculo desta existência se aproxima... 

Queria saber dos meus filhos... dos meus netos... 

Será que ao menos se lembram de mim? 

A esperança, agora, parece estar atrelada aos minutos... que a arrastam sem misericórdia... para longe de mim. 

Às vezes, em meus sonhos, vejo um lindo jardim... 

É um jardim diferente, que transcende os muros deste albergue e se abre em caminhos floridos que levam a outra realidade, onde braços afetuosos me esperam com amor e alegria... 

Mas, quando eu acordo, é a minha realidade que eu vejo... que eu vivo... que eu sinto... 

Um dia alguém me disse que a vida não se acaba num túmulo escuro e silencioso. E esse alguém voltou para provar isso, mesmo depois de ter sido crucificado e sepultado... 

E essa é a única esperança que me resta... 

Sinto que a minha hora está chegando... 

Depois que eu partir, gostaria que alguém encontrasse essas minhas anotações e as divulgasse. 

E que elas pudessem tocar os corações dos filhos que internam seus pais em asilos, e jamais os visitam... 

Que eles possam saber um pouco sobre a dor de alguém que sente o que é ser abandonado... 

*** 

A data assinalada ao final da última anotação, foi a data em que aquela mãe, esquecida e só, partiu para outra realidade. 

Talvez tenha seguido para aquele jardim dos seus sonhos, onde jovens afetuosos e gentis a conduzem pelos caminhos floridos, como filhos dedicados, diferentes daqueles que um dia ela embalou nos braços, enquanto estava na terra.

Autor:
Equipe de Redação do Momento Espírita.