domingo, 22 de novembro de 2015

Há pessoas que nos roubam e pessoas que nos devolvem - Padre Fábio de Mello


A pior coisa nessa vida, minha gente, é a gente ser olhado de um jeito antigo. É muito triste, você ter pessoas do seu lado que te olham de um jeito antigo. Por isso que cada vez mais eu me convenço que o que faz a gente se apaixonar uns pelos outros, não é o que o outro nos fala, é o jeito como o outro nos olha. Porque no jeito como o outro nos olha, há duas possibilidades, ou ele diz: "Eu já sei quem é você" ou então ele nos diz: "Eu nem imagino quem é você". No primeiro olhar, aquele que diz: "Eu sei muito bem o que você fez no verão passado!" Nesse olhar só tem condenação porque você se sente condenado por aquilo que ele sabe de você.

Por outro lado, se ele diz: "Eu nem imagino quem você é, e mesmo assim já consigo te olhar com carinho", é como se ele estivesse dando a você a oportunidade de nascer de novo, de ser tudo novo de novo. Por isso que o olhar é apaixonante sempre. Porque no olhar do outro você descobre o que ele acha de você, mesmo que ele não diga nada, mesmo que ele não fale absolutamente nada.

Por isso eu sempre digo e quero cada vez mais tomar posse disso. "Evangelizar antes de ser um gesto de dizer ao outro alguma coisa, evangelizar é um gesto de olhar antes de qualquer coisa."

Eu me recordo, uma das passagens do Evangelho que mais mexe com meu coração é aquele momento em que Madalena está pronta para ser apedrejada. Cheio de olhares antigos dizendo pra ela que ela era uma prostituta, porque todos aqueles olhares conheciam a vida de Madalena. Tinham razão de sobra pra condená-la. Mas eis que no meio de tantos olhares antigos surgiu um olhar diferente. O olhar de Jesus. Ele cravou os olhos nela e disse sem dizer uma palavra: "minha filha, o que você está fazendo aí? Você não nasceu pra essa condenação! Minha filha, hoje, se você quiser acreditar nos meus olhos, sua vida será absolutamente nova".

Deixe-se ser olhado pelos olhos de Jesus. Já que no olhar de tanta gente, há uma antiguidade que te condena, esqueça! Quando você receber um olhar de condenação, pense nos olhos de Jesus pra você; Jesus não está nem um pouquinho preocupado com o que você fez da sua vida até agora, por uma razão muito simples: ela já passou!

Deus não sobrevive de passado, Deus está interessado é naquilo que você pode fazer da sua vida hoje.

Padre Fábio de Melo

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

A Outra Janela


A menina, debruçada na janela, trazia nos olhos grossas lágrimas e o peito oprimido pelo sentimento de dor, causado pela morte do seu cão de estimação.
Com pesar, observava atenta o jardineiro a enterrar o corpo do amigo de tantas brincadeiras. A cada pá de terra jogada sobre o animal, sentia como se sua felicidade estivesse sendo soterrada também.
O avô, que observava a neta, aproximou-se, envolveu-a num abraço e falou-lhe com serenidade: Triste a cena, não é verdade?
A netinha ficou ainda mais triste e as lágrimas rolaram em abundância.
No entanto, o avô, que sinceramente desejava confortá-la, chamou-lhe a atenção para outra realidade. Tomou-a pela mão e a conduziu até uma janela opostamente localizada na ampla sala.
Abriu as cortinas e permitiu que ela visse o imenso jardim florido à sua frente, e lhe perguntou carinhosamente: Está vendo aquele pé de rosas amarelas, bem ali à frente? Lembra-se de que me ajudou a plantá-lo? Foi num dia de sol como o de hoje, que nós dois o plantamos.
Era apenas um pequeno galho cheio de espinhos, e hoje... Veja como está lindo, carregado de flores perfumadas e botões como promessa de novas rosas!
A menina enxugou as lágrimas que ainda teimavam em permanecer em suas faces e abriu um largo sorriso.
Mostrou as abelhas que pousavam sobre as flores e as borboletas que faziam festa entre uma e outra e as tantas rosas de variados matizes, que enfeitavam o jardim.
O avô, satisfeito por tê-la ajudado a superar o momento de dor, falou-lhe com afeto: Veja, minha filha, a vida nos oferece sempre várias janelas. Quando a paisagem de uma delas nos causa tristeza, sem que possamos alterar-lhe o quadro, voltemo-nos para outra, e certamente nos depararemos com uma paisagem diferente.

* * *
Tantos são os momentos felizes que se desenrolam em nossa existência. Tantas oportunidades de aprendizado nos visitam no dia-a-dia, que não vale a pena chorar e sofrer diante de quadros que não podemos alterar.
São experiências valiosas das quais devemos tirar as lições oportunas, sem nos deixar tragar pelo desespero e pela revolta, que só infelicitam e denotam falta de confiança em Deus.
A nossa visão do mundo ainda é muito limitada, não temos a capacidade de perceber os objetivos da Divindade, permitindo-nos momentos de dor e sofrimento.
Mas Deus tem sempre objetivos nobres e uma proposta de felicidade a nos aguardar.

* * *
Se hoje você está a observar um quadro desolador, lembre-se de que existem outras tantas janelas, com paisagens repletas de promessas de melhores dias.
Não se permita contemplar a janela da dor. Aproveite a lição e siga em frente com ânimo e disposição.
O sofrimento que hoje nos parece eterno, não resiste a força das horas que a tudo modifica.
A luz sempre vence as trevas, basta que tenhamos disposição íntima e coragem de voltar-nos para ela.
Agindo assim, o gosto amargo do sofrimento logo cede lugar ao sabor agradável de viver, e saber que Deus nos ampara em todos os momentos da nossa vida.
Pense nisso!

Redação do Momento Espírita.