domingo, 28 de fevereiro de 2016

Relações de Além-Túmulo


274. As diferentes ordens de Espíritos estabelecem entre elas uma hierarquia de poderes; e há entre eles subordinação e autoridade?

— Sim, muito grande. Os Espíritos têm, uns sobre os outros, a autoridade relativa à sua superioridade. E a exercem por meio de uma ascendência moral irresistível.

274 – a) Os Espíritos inferiores podem subtrair-se à autoridade dos superiores?

— Eu disse: irresistível.

275. O poder e a consideração de que um homem goza na Terra dão-lhe alguma supremacia no mundo dos Espíritos?

— Não; pois os pequenos serão elevados e os grandes, rebaixados. Lê os salmos.

275 – a) Como devemos entender essa elevação e esse rebaixamento?

— Não sabes que os Espíritos são de diferentes ordens, segundo os seus méritos? Pois bem, o maior na Terra pode estar na última classe entre os Espíritos; enquanto o seu servidor estará na primeira. Compreendes isso? Jesus não disse: Quem se humilhar será exaltado e quem se exaltar será humilhado?

276. Aquele que foi grande na Terra e se encontra inferior entre os Espíritos sente humilhação?

— Quase sempre muito grande, sobretudo se era orgulhoso e invejoso.

277. O soldado que, após a batalha, encontra o seu general no mundo dos Espíritos, reconhece-o ainda como seu superior?

— O título não é nada; a superioridade real é tudo.

278. Os Espíritos de diferentes ordens estão misturados?

— Sim e não; quer dizer, eles se vêem, mas se distinguem uns dos outros. Afastam-se ou se aproximam segundo a semelhança ou divergência de seus sentimentos, como acontece entre vós. E todo um mundo, do qual o vosso é o reflexo obscuro. Os da mesma ordem se reúnem por uma espécie de afinidade, e formam grupos ou famílias de Espíritos unidos pela simpatia e pelos propósitos; os bons, pelo desejo de fazer o bem; os maus, pelo desejo de fazer o mal, pela vergonha de suas faltas e pela necessidade de se encontrarem entre os seres semelhantes a eles.

Comentário de Kardec: Igual a uma grande cidade, onde os homens de todas as classes e de todas as condições se vêem e se encontram, sem se confundirem, onde as sociedades se formam pela similitude de gostos, onde o vicio e a virtude se acotovelam, sem se falarem.

279. Todos os Espíritos têm acesso, reciprocamente, uns junto aos outros?

— Os bons vão por toda parte e é necessário que assim seja, para que possam exercer a sua influência sobre os maus. Mas as regiões habitadas pelos bons são interditadas aos imperfeitos, afim de que não levem a elas o distúrbio das más paixões.

280. Qual é a natureza das relações entre os bons e os maus Espíritos?

— Os bons procuram combater as más tendências dos outros, a fim de os ajudar a subir; e uma missão.

281. Por que os Espíritos inferiores se comprazem em nos levar ao mal?

— Pelo despeito de não terem merecido estar entre os bons. Seu desejo é o de impedir, tanto quanto puderem, que os Espíritos ainda inexperientes atinjam o bem supremo. Querem fazer os outros provarem aquilo que eles provam. Não vedes o mesmo entre vós ?

282. Como os Espíritos se comunicam entre si?

— Eles se vêem e se compreendem; a palavra é material: é o reflexo da faculdade espiritual. O fluido universal estabelece entre eles uma comunicação constante; é o veículo da transmissão do pensamento, como o ar é para vós o veículo do som; uma espécie de telégrafo universal que liga todos os mundos, permitindo aos Espíritos corresponderem-se de um mundo a outro.

283. Os Espíritos podem dissimular reciprocamente os seus pensamentos; podem esconder-se uns dos outros?

— Não; para eles, tudo permanece a descoberto, principalmente quando são perfeitos. Podem distanciar-se uns dos outros, mas sempre se vêem. Esta não é uma regra absoluta, porque certos Espíritos podem muito bem tornar-se invisíveis para outros, se julgam útil fazê-lo.

284. Como podem os Espíritos, que não têm mais corpo, constatar a própria individualidade e distinguir-se dos outros que os rodeiam?

— Constatam a sua individualidade pelo períspirito, que os torna seres distintos uns para os outros, como os corpos entre os homens.

285. Os Espíritos se reconhecem por terem convivido na Terra? O filho reconhece o pai; o amigo, o seu amigo?

— Sim, e assim de geração a geração.

285 – a) Como se reconhecem no mundo dos Espíritos os homens que se conheceram na Terra?

— Vemos a nossa vida passada e a lemos como num livro. Vendo o passado de nossos amigos e de nossos inimigos, vemos a sua passagem da vida para a morte.

286. A alma, ao deixar os despojos mortais, vê imediatamente os parentes e amigos que a precederam no mundo dos Espíritos?

—Imediatamente, nem sempre; pois, como já dissemos, é-lhe necessário algum tempo para reconhecer o seu estado e sacudir o véu material.

287. Como a alma é recebida, na sua volta ao mundo dos Espíritos?

—A do justo, como um irmão bem-amado e longamente esperado; a do mau, como um ser que se desprega.

288. Que sentimento experimentam o Espíritos impuros, à vista de outro mau Espírito que chega?

— Os maus ficam satisfeitos de verem os seres à sua imagem e como eles privados da felicidade infinita; como acontece, na Terra, a um ladrão entre os seus iguais.

289. Nossos parentes e nossos amigos vêm, às vezes, ao nosso encontro, quando deixamos a Terra?

— Sim, vêm ao encontro da alma que estimam, felicitam-na como no regresso de uma viagem, se ela escapou aos perigos do caminho, e a ajudam a se desprender dos liames corporais. E um favor concedido aos bons Espíritos, quando os que os amam vêm ao seu encontro, enquanto os que estão manchados ficam no isolamento ou cercados somente de Espíritos semelhantes a eles: é uma punição.

290. Os parentes e os amigos reúnem-se sempre após a morte?

— Isso depende de sua elevação e do caminho que seguem para o seu adiantamento. Se um deles está mais adiantado e marcha mais rápido que o outro, não poderão ficar juntos; poderão ver-se algumas vezes, mas não estarão sempre reunidos, a não ser quando possam marchar ombro a ombro, ou quando tiverem atingido a igualdade na perfeição. Além disso, a privação de ver os parentes e amigos é às vezes uma punição


Autor
Allan Kardec

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Drepressão na Infância - Reflexão


Está se tornando frequente a discussão em torno do problema da depressão na infância.

É assustador o número de crianças que entra nesse estado preocupante.

Mas, embora se tente descobrir as causas geradoras desse mal, e se levantem várias questões sobre o assunto, o problema continua.

Para um observador atento, talvez não seja difícil detectar as possíveis raízes do problema.

É que, envolvidos na agitação da sociedade atual, os pais e demais familiares têm esquecido de dar a devida atenção aos pequeninos.

De forma geral, eles são relegados a segundo plano na ordem das prioridades.

Em primeiro lugar, vem a ocupação dos pais com os recursos financeiros que garantam o sustento da família.

E essa preocupação absorve a tal ponto os pais que, muitas vezes, as crianças são atropeladas ao invés de conduzidas com amor e carinho.

É comum observar os pequenos no banco traseiro do automóvel ou na janela do ônibus escolar, de rostinho melancólico, olhando para o nada, como se estivessem absorvidos por profundos questionamentos.

Se pudéssemos ouvir seus devaneios, talvez escutássemos suas angústias íntimas:

Por que tenho que sair do meu lar aconchegante para ficar perto de pessoas que nem conheço?

Por que preciso deixar meus brinquedos e ir brincar, na escolinha, com outras crianças que sempre querem tomar os brinquedos que eu mais gosto?

Será que a tia não vai brigar comigo? Será que algum menino maior que eu não vai me bater? Será que vai entrar um assaltante na escola e vai me roubar?

E, que tal se quando eu voltar para casa toda minha família tenha sumido, ido embora? Ou então, será que minha mãe vai lembrar de me buscar no final da aula?

Para o adulto, que vive uma realidade diferente da criança, tudo isso parece não ter importância, mas para ela é motivo de inquietação e angústia.

Hoje em dia, movidos pelo desejo sincero de prevenir as crianças contra os males das drogas e da violência, talvez tenhamos jogado uma carga demasiado grande de pavores sobre essas almas ainda frágeis.

No lar, muitas delas convivem diariamente com a brutalidade e a violência dos jogos eletrônicos, sem maturidade para separar a ficção da realidade.

E, um dia, elas saem do lar e partem para um mundo diferente do seu, cheias de medos e inseguranças.

Além disso, carregam, nas profundezas da alma, traumas e conflitos de outras existências, pois não devemos esquecer que nossas crianças são Espíritos reencarnados.

Considerando isso tudo, se realmente desejamos ajudar nossos filhos, busquemos entendê-los melhor. Procuremos penetrar no seu mundo e oferecer-lhes o amparo e a proteção de que tanto necessitam.

Socorramos nossos pequenos que rogam, muitas vezes através da rebeldia, nossa atenção e carinho, para que possam caminhar com segurança nesse mundo turbulento e assustador para muitas delas.

* * *

Não espere que seu filho mostre sintomas de depressão, observe-o e ampare-o sempre.

Reveja suas atividades e verifique se você não está sobrecarregando seu filho com tarefas, vergando suas estruturas psicológicas, ainda frágeis.

Muitas vezes, com a intenção de preparar os filhos para o mundo competitivo de hoje, esquecemos de considerar aspectos importantes do seu psiquismo, principalmente as suas tendências e aptidões.

É de relevância que nos questionemos sobre o que é mais importante:

Instruir muito bem o homem, ou formar o homem de bem.

Pense nisso!

Redação do Momento Espírita