sábado, 5 de março de 2016

Mundos de Regeneração


Entre essas estrelas que cintilam na abóbada azulada, quantas delas são mundos, como o vosso, designados pelo Senhor para expiação e provas! Mas há também entre elas mundos mais infelizes e melhores, como há mundos transitórios, que podemos chamar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, girando no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo mundos primitivos, de provas, de regeneração e de felicidade. Já ouvistes falar desses mundos em que a alma nascente é colocada, ainda ignorante do bem e do mal, para que possa marchar em direção a Deus, senhora de si mesma, na posse do seu livre-arbítrio. Já ouvistes falar das amplas faculdades de que a alma foi dotada, para praticar o bem. Mas ai!, existem as que sucumbem! Então Deus, que não quer aniquilá-las, permite-lhes ir a esses mundos em que, de encarnações em encarnações podem fazer-se novamente dignas da glória a que foram destinadas.

Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os felizes. A alma que se arrepende, neles encontra a paz e o descanso, acabando por se purificar. Sem dúvida, mesmo nesses mundos, o homem ainda está sujeito às leis que regem a matéria. A humanidade experimenta as vossas sensações e os vossos desejos, mas está isenta das paixões desordenadas que vos escravizam. Neles, não há mais o orgulho que emudece o coração, a inveja que o tortura e o ódio que os asfixia. A palavra amor está escrita em todas as frontes; uma perfeita equidade regula as relações sociais; todos manifestam a Deus e procuram elevar-se a Ele, seguindo as suas leis.

Nesses mundos, contudo, ainda não existe a perfeita felicidade, mas a aurora da felicidade. O homem ainda é carnal, e por isso mesmo sujeito às vicissitudes de que só estão isentos os seres completamente desmaterializados. Ainda tem provas a sofrer, mas estas não se revestem das pungentes angústias da expiação. Comparados à Terra, esses mundos são mais felizes, e muito de vós gostariam de habitá-los, porque representa a calma após a tempestade, a convalescença após uma doença cruel. Menos absorvido pelas coisas materiais, o homem entrevê melhor o futuro do que vós, compreende que são outras as alegrias prometidas pelo Senhor aos que tornam dignos, quando a morte ceifar novamente os seus corpos, para lhes dar a verdadeira vida. É então que a alma liberta poderá pairar sobre os horizontes. Não mais os sentidos materiais e grosseiros, mas os sentidos de um perispírito puro e celeste, aspirando às emanações de Deus, sob os aromas do amor e da caridade, que se expandem do seu seio.

Mas, ah!, nesses mundos o homem ainda é falível, e o Espírito do mal ainda não perdeu completamente o seu domínio sobre ele. Não avançar é recuar, e se ele não estiver firme no caminho do bem, pode cair novamente em mundos de expiação, onde o esperam novas e mais terríveis provas. Contemplai, pois, durante a noite, na hora do repouso e da prece, essa abóbada azulada, e entre as inumeráveis esferas que brilham sobre as vossas cabeças, procurai as que levam a Deus, e pedi que um mundo regenerador vos abrisse o seu seio, após a expiação na Terra.

Autor: Santo Agostinho

sexta-feira, 4 de março de 2016

Maternidade Abençoada


Afirma o Apóstolo João, em seu Evangelho que, se todas as coisas feitas pelo Mestre Jesus fossem escritas, o mundo não comportaria o número de livros.

A vida de Jesus foi intensa de obras. É o Espírito Amélia Rodrigues que nos conta que, certa vez, após as pregações do dia, tendo a multidão se dispersado, o Rabi se afastou para uma parte solitária da praia e mergulhou em profundo cismar.

Durante aquele dia, as criaturas atendidas que nEle haviam encontrado diretriz, trouxeram novos candidatos ao Amigo Divino, que a todos atendera.

As ondas morriam na areia, quase em sussurro, não desejando interromper o silêncio que se tornara moldura viva na qual a figura do Mestre se destacava, irradiando claridade.

Foi então que dEle se acercou uma mulher. Desculpou-se por perturbá-lO e Lhe falou do seu drama.

Tinha sede de amor, e não lograra a honra de fruir o amor. Há muitos anos tivera os seus sentimentos de mulher dilapidados e, desde então, procurava a paz, que parecia dela fugir.

Que fazer, perguntava, para viver a felicidade?

O Mestre perpassou o olhar pela paisagem e lhe falou: Observa a terra arrebentando-se em flores, frutos e verdor, o rio cantante, enriquecendo as margens de vida, os astros fulgurando ao longe.

Em tudo, a ordem, o amor, a transparência da misericórdia do Pai, ensinando equilíbrio e vida.

Em tudo vige a Sabedoria do Criador. Assim, não relaciones dores, nem mágoas. Levanta o olhar e avança para o futuro.

Senhor, prosseguiu a mulher, entendo a grandeza Divina na Criação. No entanto, eu me equivoquei e do meu equívoco me nasceu um filho. Ele é meu motivo de inquietação e desespero.

Mais doce que nunca, Jesus lhe respondeu: A mulher é sempre mãe.

A relva que cresce sobre os escombros oculta as suas deformidades e disfarça as suas imperfeições.

Quando a mulher é abençoada por Deus, pela maternidade, um filho é sempre uma estrela engastada na carne, com a oportunidade de espalhar claridade pelo caminho.

Enquanto houver, na Terra, crianças e mães, o Amor Divino estará cantando esperanças para a Humanidade.

Não existe filho do equívoco, do delito ou do pecado. Todos eles são dádivas da Vida para a vida.

Esquece as circunstâncias em que te chegou o anjo que te bate à porta do sentimento. Levanta-te com ele, avançando no rumo das estrelas.

A mulher, emocionada, procurou os olhos de Jesus, por entre a nuvem de lágrimas que encobria sua visão.

Levantou-se com uma discreta reverência, e preparou-se para partir.

Ela não saberia dizer se O ouviu falar ou se O escutou no imo d’alma.

Vai filha, e ama.

* * *

A maternidade é a mais elevada concessão de nosso Pai, demonstrando que o mal jamais triunfará no mundo. Porque, enquanto houver um coração de mãe, um sentimento maternal, na Terra, o amor ateará o fogo purificador e a esperança de felicidade jamais se apagará.

* * *

Dizem que mãe não tem limite. É como tempo sem hora, luz que não se apaga quando sopra o vento ou a chuva desaba.

É veludo escondido na pele enrugada. É água pura, ar puro, puro pensamento.

Um poeta ousou dizer que a palavra é pequenina, mas mãe é do tamanho do céu e apenas menor que Deus!

Redação do Momento Espírita