quarta-feira, 30 de março de 2016

Manhã Especial


Era para ser mais uma manhã como outra qualquer, do cotidiano da vida. Mas não foi...

O trânsito, quase sempre caótico, fazia com que os motoristas permanecessem alguns minutos parados, nos semáforos.

Ninguém, com certeza, imaginava o que viria pela frente. Sons e cores se misturavam naquele cenário, brindado pela natureza com um belíssimo sol de outono.

Envoltos em seus pensamentos, cada qual programava a rotina daquele dia. Contas a pagar, clientes a atender, documentos a assinar, relatórios a revisar, refeições, encontros.

De repente, a novidade. Já havia, por certo, passado diversos ambulantes e entregadores de panfletos comerciais, quando aquele homem chamou a atenção de todos os que estavam próximos.

Estava trajado de modo bem simples e com um colete, contendo o nome do jornal que vendia, naquele local.

O sinal não demoraria a abrir, quando ele se deteve, por alguns segundos, junto à janela do passageiro de um dos carros parados no semáforo.

Debruçou-se na janela, ante a surpresa e a expectativa dos dois homens que estavam naquele veículo.

E não era por acaso. O rádio deles estava com um volume relativamente alto, que permitia aos demais motoristas ouvi-lo, mesmo que estivessem com as suas janelas fechadas.

Fechadas, é bem verdade, como as portas, travadas pelo receio que temos, todos, neste nosso presente incerto, das ameaças da violência que ronda sobre nossas cabeças.

De repente, a mágica. O homem passou a cantarolar, acompanhando a música e, empolgando-se, desfilou alguns passos bem ritmados, com extrema perícia e graça.

Afastou-se, com o desenrolar de sua surpreendente dança, e abriu um sorriso, extremamente contagiante. Subiu na calçada, ainda com os jornais em punho, os quais, aliás, pareciam ser o seu par naqueles passos tão definidos.

Finda a dança, ele olhou para trás, esboçou um tímido sorriso, com um radiante brilho nos olhos, como a agradecer aos tais homens, ou mesmo ao infinito, pela oportunidade de compor a sua trilha sonora daquele árduo dia de trabalho.

* * *

Interessante como a maioria de nós, para enfrentar o dia que começa, já sai de casa amargurada, aflita, sobrecarregada, impaciente, nervosa, agitada, aborrecida.

Pensamos nos problemas a resolver, nos débitos a saldar, nas pessoas que teremos de atender e tantas coisas desagradáveis que enchem nosso cotidiano.

Envoltos na rotina e na agitação do mundo moderno, esquecemos de bailar, de sorrir, de apreciar o tempo passar, de observar uma flor, um pássaro ou um cão, ou um ser humano igual a gente.

Um ser humano que, mesmo diante de dificuldades, com parcos recursos materiais, sujeito a um subemprego, exposto às intempéries e aos maus tratos e grosserias de algumas pessoas, encontra motivos simples para abrir um largo sorriso, rindo para a vida, para que essa mesma vida, em seguida, possa lhe sorrir.

* * *

Cultiva a alegria. Essa alegria que independe das coisas de fora, mas que nasce na fonte cantante e abençoada do solo do coração e verte abundante como um rio de paz.

Com o que tiveres, exalta a alegria, embelezando a vida e vive em totalidade os momentos de felicidade que a vida te oferece.

Redação do Momento Espírita

terça-feira, 29 de março de 2016

O Anjo de Karen



A adolescente aguardou o final da aula e se dirigiu ao professor. Confiava nele e, por isso, desejava lhe contar a tormenta que estava vivenciando.

Estava prestes a sair de casa, embora não soubesse para onde ir. Mas, não aguentava mais a situação.

Sua mãe se prostituíra e, todos os dias, homens diferentes adentravam o que deveria ser o seu lar.

Era uma vergonha! - dizia Karen. Tenho vergonha de minha mãe. Não nos falamos há muito.

O professor, experimentado nas questões do mundo, ouviu com atenção e sugeriu que ela conversasse com sua mãe.

Alguma vez perguntara a ela o que estava acontecendo? Por que se permitia tal comportamento?

Mãe e filha eram como duas estranhas vivendo sob o mesmo teto. Quando uma entrava, a outra saía.

O tempo passou. Aquele ano se findou e meses depois, a jovem procurou o professor, outra vez.

Estava diferente. O rosto irradiava felicidade. Ela falara com sua mãe. Um longo e doloroso diálogo.

Contudo, se dera conta que sua mãe sofria de uma grave carência afetiva.

A mãe falara de sua viuvez muito jovem, uma filha para criar, a rebeldia de Karen, a soma das dificuldades.

E, por fim, do equivocado caminho pelo qual optara.

Mais um tempo passado e Karen veio dizer ao professor que ela e sua mãe tinham transferido residência.

Que se haviam tornado amigas. Que agora costumavam fazer tudo juntas. Que a mãe deixara a vida equivocada e se dedicava, com exclusividade a ela.

Saíam, conversavam, faziam compras, trocavam ideias. Como era boa aquela mãe - descobrira a jovem.

Karen estava muito agradecida ao professor por ter sugerido que ela conversasse com sua mãe, que se aproximasse dela.

Hoje, passados alguns poucos anos, Karen está casada e tem um filhinho.

O genro encontrou na sogra uma pessoa especial, dedicada, carinhosa.

Agora, quando o casal deseja viajar, ou necessita estender-se em horas a mais no trabalho, é a mãe dedicada que fica com o netinho.

Vovó, mamãe! – Essas são as palavras mágicas que alimentam o coração da mãe de Karen.

Em verdade, o anjo de Karen. O anjo de sua vida, que vela todos os dias por ela, pelo genro a quem acolheu como filho e ao netinho.

* * *

O diálogo franco, honesto ainda faz muita falta. No lar, as pessoas se isolam, magoadas umas com as outras, por palavras ditas ou não ditas, por atitudes impensadas.

Tudo se tornaria bem mais fácil se as pessoas aprendessem a conversar, a perguntar porquês, a indagar de razões.

Se, em vez de se falar às ocultas, criar desconfianças, gerar desencontros, aprendêssemos sempre a conversar, olhando nos olhos uns dos outros, a vida se tornaria mais fácil de ser vivida.

Pois o que complica a vida é cada qual ficar em seu canto, imaginando que não é amado, querido, desejado.

Quando seria tão simples perguntar: Por que você está agindo desta forma?

Por que tomou aquela atitude? Por que não fez o que lhe pedi? Por que esqueceu do nosso aniversário?

Pense nisso e adote, em sua vida, a atitude de nunca deixar para depois o elucidar qualquer questão.

Converse mais, participe das questões familiares, seja amigo dos seus amores.

Descubra, enfim, a riqueza de cada um e enriqueça-se interiormente, tornando a sua vida plena de amor, de atitudes de afeto e bem-querer.

Experimente!

Redação do Momento Espírita