quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Sou um Aprendiz da vida


Queria poder dizer que estou numa idade onde aprendi a viver. Mas não cheguei ainda a esse ponto. Aprendi algumas coisas, sim, outras trazem uma luta enorme dentro de mim, e não sei quantas quedas e quantos levantares serão necessárias para que eu aprenda. Mas não desisto!

Parece que estou na idade da razão, mas percebo que não existe idade para isso. Nem sempre tenho razão. Nem sempre sei o que fazer. Sou e serei até o último minuto um aprendiz da vida.

Dizem que perdoar é esquecer e eu não sei ainda onde encontrar essa borracha que apaga vivências doloridas ou curativos que cubram feridas que nunca se fecham. No meu ver, perdoar é compreender, aceitar e seguir adiante. É poder olhar nos olhos daquela pessoa novamente, e se precisar dar a mão sem sentimento de sacrifício. Raras são as pessoas que alcançam o dom do perdão, mas não é impossível.

Quando pensamos que sabemos tudo porque vivemos um certo número de anos, temos que admitir que vivemos em outra época, com outros valores e que nossa certeza de antes nem sempre cabem nos dias de hoje. Nossos filhos nos lembram disso a cada instante, são eles nossos melhores mestres, ao contrário do que se pensa.

Em tudo que fizemos ou dizemos nosso exemplo vale mais do que todas as palavras. As crianças ouvem muito mais que parecemos que o que dizemos. É assim também com os que precisam do nosso apoio. Cada um de nós absorve acontecimentos de maneira diferente, acontecimentos comuns a todos, e somos incomparáveis.

Por que não vivi algo de um jeito não obrigo ninguém a viver da mesma forma. Aprender a respeitar a dor alheia, é respeitar a individualidade do ser humano. O medo do sofrimento do amor nos afasta das pessoas que mais nos amam.

Muito do que chamamos de imprevisto e coincidência, é a mão de Deus interferindo nas nossas vidas. Devemos pensar então duas vezes, antes de reagir mal a algo que contraria nossos planos. O passar do tempo nos traz a experiência, mas a sabedoria vem de maneira diferente. Ela chega com a vivência, entendimento, compreensão e aceitação das adversidades.

Meu maior medo é de acreditar sobre o que dizem a meu respeito, isso me destruiria. Devo sempre saber quem sou e nunca me esquecer daquele que me criou. Aprender a vida é reconhecer-se aluno eterno, com as somas, diminuições e ciências do dia a dia. É chegar ao fim do dia e fazer planos para o dia seguinte e se preciso for, recalcular, rever, repensar e recomeçar.

Autora: Letícia Thompson

Interpretação: Silvio de Matos

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Senhor, fazei de mim um instrumento da Sua paz.


Você já ouviu falar na oração de Francisco de Assis?

Sim, é aquela prece belíssima, que fala de paz, de amor, perdão, esperança, alegria e fé.

Na rogativa, Francisco demonstra sua grandeza d'alma e sua verdadeira humildade.

Nós, que tanto temos buscado auxílio para vencer as dificuldades que nos rodeiam, talvez pudéssemos encontrar, em suas palavras, um roteiro de autoajuda.

Desejando tornar-se útil a si mesmo e aos semelhantes, diz ele:

Senhor, fazei de mim um instrumento da Sua paz.

Quanto a nós, seria interessante que indagássemos com frequência: Sou um instrumento da paz?

Onde estou as pessoas se sentem mais tranquilas, mais animadas, mais felizes?

Ou será que a paz se despede no exato momento em que vou chegando?

Ele continua: Onde houver ódio, que eu semeie o amor.

Mahatma Gandhi dizia que alguém que atingiu a plenitude do amor, é capaz de neutralizar o ódio de milhões.

Ele próprio foi o exemplo vivo dessa realidade pois, em nome do amor e da não-violência, conseguiu que a Índia se libertasse do jugo inglês, sem derramamento de sangue.

Além de não fazer guerra, Gandhi, com sua filosofia pacifista, fez com que fossem superados os ressentimentos seculares dos indianos por seus dominadores.

E nós? Temos semeado o amor onde haja o ódio?

Certa feita, um funcionário de uma grande empresa estava furioso com o gerente que vivia a transferi-lo de setor. Certamente agia assim para pressioná-lo a se demitir.

Cogitava disso quando um colega, semeador da paz, o desarmou falando-lhe com firmeza:

Você está enganado quanto ao nosso chefe, meu amigo. Ele o admira muito, sabe que é eficiente e digno de confiança. Por isso o tem encaminhado para os setores onde há problemas, consciente de que você sabe resolvê-los.

Com sua intervenção benéfica, o companheiro passou a ver as iniciativas do gerente com simpatia, dedicando-se ao trabalho com mais vontade e alegria.

Francisco de Assis roga com o coração aberto: Onde houver injúria que eu semeie o perdão.

E se alguém nos fala em vingança, com o coração cheio de mágoa, qual é a nossa orientação?

Dizemos que a mágoa é como um espinho cravado no peito, que machuca, dói, incomoda... Orientamos que perdoe para libertar-se? Ou cravamos em seu peito alguns espinhos a mais?

Onde houver dúvida que eu semeie a fé.

Esperança, onde houver desespero.

Luz, onde haja escuridão.

Alegria, onde haja tristeza.

Ele termina com as afirmações: É dando que se recebe; perdoando que somos perdoados; e é morrendo que nascemos para a vida eterna.

Na proposta final Francisco de Assis refere-se à superação do eu egoístico que nos domina; à eliminação dos interesses pessoais para o nascimento do legítimo cristão, liberto de impurezas e imperfeições.

* * *

Quando o Francisco de Assis diz que é morrendo que nascemos para a vida eterna podemos entender que, após superadas as reencarnações expiatórias, teremos a existência em plenitude nos planos do Infinito, onde habitam os Puros Espíritos e onde não há acesso para a morte.

Pensemos nisso! E tenhamos sempre em mente esse excelente roteiro de autoajuda.

Redação do Momento Espírita