sábado, 7 de outubro de 2017

O Chico me tirou de um pesadelo, Ele foi a minha salvação!


“Só existe algo mais marcante do que perder um filho:
descobrir que ele continua vivo.”


“Querido papai Wilson e querida mamãe Chiquinha”, riscou Chico Xavier em letras grandes e arredondadas. Era sexta-feira, 18 de outubro de 1980. A carta, mais uma das psicografias feitas pelo médium naquele dia, seria lida mais tarde pelo próprio Chico para êxtase de Francisca Ruiz Dellalio e Wilson Dellalio, pais de Eduardo Ruiz Dellalio, morto quatro meses antes, aos 18 anos, em um acidente de moto a quatro quadras de sua casa, no bairro do Tatuapé, em São Paulo. Era o primeiro texto que recebiam. “Estava pensando em férias sem qualquer sombra nas ideias, quando o choque me surpreendeu”, continuou a carta, que coincidia com o que os pais vinham conversando com o filho na época do acidente.

Eduardo era mais do que o único filho de dona Chiquinha e seu Wilson. Das dez gestações de Francisca, cinco resultaram em aborto, duas em crianças natimortas, uma em um menino que morreu com uma semana de vida e a outra em uma menina, Kátia, que faleceu com pouco mais de um ano. “Até receber a primeira mensagem do Eduardo, simplesmente não vivia”, lembra Chiquinha, que costumava acordar de madrugada e correr, aos prantos, para cheirar as roupas do filho no armário. “O Chico me tirou de um pesadelo”, atesta. “Ele foi a minha salvação.”

Do homem que lhe deu conforto com 22 mensagens e quase 300 páginas de texto psicografado, Chiquinha, hoje com 69 anos, guarda lembranças dignas de uma devota que conheceu seu Deus. “Perto dele você não sentia o chão. Me segurava em cada palavra que ele dizia.” Uma carta em especial tocou fundo Francisca. Na mensagem de número sete, o filho repetiu uma expressão comum apenas entre eles. “Esticar minhas andanças” era o que Eduardo dizia quando queria um complemento da semanada dada pelo pai para que pudesse passear mais com os amigos nos finais de semana. “Nem o pai sabia disso, só eu e ele”, diz, emocionada. “Ainda sinto o cheiro do perfume dele pela casa”, lembra.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Sou um Aprendiz da vida


Queria poder dizer que estou numa idade onde aprendi a viver. Mas não cheguei ainda a esse ponto. Aprendi algumas coisas, sim, outras trazem uma luta enorme dentro de mim, e não sei quantas quedas e quantos levantares serão necessárias para que eu aprenda. Mas não desisto!

Parece que estou na idade da razão, mas percebo que não existe idade para isso. Nem sempre tenho razão. Nem sempre sei o que fazer. Sou e serei até o último minuto um aprendiz da vida.

Dizem que perdoar é esquecer e eu não sei ainda onde encontrar essa borracha que apaga vivências doloridas ou curativos que cubram feridas que nunca se fecham. No meu ver, perdoar é compreender, aceitar e seguir adiante. É poder olhar nos olhos daquela pessoa novamente, e se precisar dar a mão sem sentimento de sacrifício. Raras são as pessoas que alcançam o dom do perdão, mas não é impossível.

Quando pensamos que sabemos tudo porque vivemos um certo número de anos, temos que admitir que vivemos em outra época, com outros valores e que nossa certeza de antes nem sempre cabem nos dias de hoje. Nossos filhos nos lembram disso a cada instante, são eles nossos melhores mestres, ao contrário do que se pensa.

Em tudo que fizemos ou dizemos nosso exemplo vale mais do que todas as palavras. As crianças ouvem muito mais que parecemos que o que dizemos. É assim também com os que precisam do nosso apoio. Cada um de nós absorve acontecimentos de maneira diferente, acontecimentos comuns a todos, e somos incomparáveis.

Por que não vivi algo de um jeito não obrigo ninguém a viver da mesma forma. Aprender a respeitar a dor alheia, é respeitar a individualidade do ser humano. O medo do sofrimento do amor nos afasta das pessoas que mais nos amam.

Muito do que chamamos de imprevisto e coincidência, é a mão de Deus interferindo nas nossas vidas. Devemos pensar então duas vezes, antes de reagir mal a algo que contraria nossos planos. O passar do tempo nos traz a experiência, mas a sabedoria vem de maneira diferente. Ela chega com a vivência, entendimento, compreensão e aceitação das adversidades.

Meu maior medo é de acreditar sobre o que dizem a meu respeito, isso me destruiria. Devo sempre saber quem sou e nunca me esquecer daquele que me criou. Aprender a vida é reconhecer-se aluno eterno, com as somas, diminuições e ciências do dia a dia. É chegar ao fim do dia e fazer planos para o dia seguinte e se preciso for, recalcular, rever, repensar e recomeçar.

Autora: Letícia Thompson

Interpretação: Silvio de Matos