quarta-feira, 27 de julho de 2011

Obstáculos

Que admitisse no Espiritismo uma doutrina de acomodação com o menor esforço, na qual as inteligências desencarnadas devessem andar cativas aos caprichos dos homens, decerto vaguearia, irresponsável, à distância da Lei. Descerrando o intercâmbio entre os dois mundos, a nossa fé não vem pulverizar os óbices do caminho que para todos nós funciona à conta de estímulo e advertência, amparo e lição. Achamo-nos todos, encarnados e desencarnados, na sublime escola da vida. Cada criatura estagia na experiência que abraçou ou na luta que preferiu. Não seria lógico subtrair o remédio ao doente, o serviço ao trabalhador e o ensinamento ao aprendiz. Somos prisioneiros de nossas próprias culpas, não burlaremos a justiça. Todavia, pela nossa conduta no trilho espinhoso da regeneração, podemos conquistar amplo socorro da confiança divina. Eis, porque, antes de pedir, devemos merecer, para que nossos apelos não se apaguem no clamor do petitório vazio e inútil. Para rogar proteção é preciso também proteger.
Somos elos da imensa corrente da evolução que em se perdendo no abismo insondável das origens repousa, com segurança, nas mãos misericordiosas e justas de Deus. Desse modo, suplicando auxílio aos Benfeitores que nos auxiliam, não nos esqueçamos de que é necessário auxiliar aos irmãos menos felizes que gravitam em torno de nossos passos. Os obstáculos são bênçãos em que podemos receber e dar, conforme a nossa atitude perante a vida. Recolhendo sem revolta as pedras do caminho e oferecendo ao espinheiro as flores de nossa fé, atraímos o concurso do Céu e inspiramos a paz e o perdão, a bondade e a renúncia àqueles que nos partilham as dificuldades e o sonho de cada dia. Cada um de nós permanece, portanto, entre os instrutores do monte da luz e os necessitados do vale das trevas, com a possibilidade de amealhar as bênçãos do Alto e com a obrigação de distribuí-las.
Em razão disso, no estudo da assistência salvadora que nos é administrada, não nos esqueçamos de que outros irmãos, em problemas e lutas mais aflitivas que as nossas, estão esperando por nossa fraternidade e por nosso auxílio que somente ao preço de humildade e de amor conseguiremos distender.

 (Obra: Doutrina de Luz - Chico Xavier/Emmanuel)

terça-feira, 26 de julho de 2011

NUNCA É DEMAIS

“Sede, na oração, perseverantes.”
(Paulo – Romanos – 12:12)

        Diretamente convidado a uma decisão, no tumulto dos conflitos complexos, busque a inspiração superior através da prece.
        Um momento de prece dirime problemas largamente cultivados.
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        Instado por dificuldade à rebeldia e ao desequilíbrio, faça uma pausa para a prece.
        A prece não apenas aponta rumos quanto tranquiliza interiormente.
        Açodado pelas paixões inferiores e vencido na psicosfera negativa do ambiente em que vive, erga-se à prece edificante.
        A prece não somente sustenta o bom ânimo como também luariza os sentimentos.
        Tombado por falta de apoio e aturdido nos melhores propósitos acalentados, tente o convívio da prece antes de desertar.
        A prece não é só uma ponte que o leva a Deus, porém uma alavanca a impeli-lo para sair do desânimo que o prostra.
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        Atordoado por informações infelizes e vitupérios; apedrejado por incompreensões indevidas, mergulhe a mente na prece antes do revide.
        A prece não constitui um paliativo exclusivo, sendo, também, inexaurível e abençoada fonte de renovação e entusiasmo.
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        Examinando o problema imenso que se avulta, aquietado pelas complexas engrenagens das decisões, estugue o passo, faça uma prece.
        A prece tem o poder de clarificar os horizontes e içar o homem do abismo às cumeadas libertadoras.
        Concluída a tarefa em que recolheu bênçãos e júbilos, não se esqueça da prece.
        A prece não lhe constitua um instrumento de rogativa e solicitação incessantes, tornando-se, também, um telefônio para expressar o reconhecimento e a gratidão com que você exporá os sentimentos renovados ao Pai Celestial.
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        Não se trata de beatice, nem tampouco de pieguismo emocional.
        Se lhe é justo permitir-se o pessimismo e o desaire, conservando a negação e o dissabor, a prece constituir-lhe-á  bastão de apoio, medicamento reconfortante, pão nutriente porquanto cada um sintoniza com aquilo em que pensa e vibra.
        Orando, você, naturalmente, haurirá nas fontes inesgotáveis da Divina Providência as energias necessárias para o êxito dos seus cometimentos.
        Não se deixe vencer pelos que o abordam com ceticismo e preferem a manifestação cínica diante do seu estado de prece e de confiança.
        Uma prece a mais nunca é demais.
                                                  
(De “Momentos de Decisão”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Marco Prisco)