quarta-feira, 3 de agosto de 2011

VINGANÇA ALIENANTE

Remanesce, como vestígio do primarismo, em a natureza humana, o mórbido costume da vingança. Presença do rancor nos sentimentos asselvajados, programa o desforço e aguarda o momento para desferir o golpe certeiro contra quem não espera o atentado vil. Cavilosamente, o vingador maquina a agressão, comprazendo-se, antecipadamente, com a surpresa dorida de que será objeto aquele a quem detesta. Quando se sente superior em força e oportunidade, esmaga o adversário, cortando-lhe o passo de acesso a qualquer libertação. Se é fraco - e todo aquele que se vinga, é doente e frágil - urge com falsidade a trama que envolverá o desafeto, ferindo-lhe o mais profundo do ser. Às vezes fica, a distância, usufruindo o gozo, ante o sofrimento daquele a quem odeia. Em circunstâncias diferentes, desnuda o caráter e revela-se ao
tombado, informando-lhe haver produzido o desastre, por tal ou qual motivo, que traz à tona, alegrando-se com a amargura que vê estampada na face do vencido.
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A vingança se manifesta, no entanto, de várias outras formas sutis, não, porém, menos danosas. Impossibilitada de eliminar o rival diretamente, apunhá-la-lhe a alma com a calúnia, que ao outro infelicita as horas, trazendo-lhe amargura e dor; abre-lhe abismos, mediante a cizânia que o arroja ao poço da vergonha e da aflição; prepara armadilhas morais que lhe arruínam a dignidade e lhe envilecem a conduta; inspira suspeitas que lhe corroem a estrutura do comportamento, deixando-o com insegurança e mal-estar;
espreita-lhe o passo e não perde ocasião de o humilhar ou de levá-lo ao ridículo, sempre encontrando forma de malsinar-lhe as horas...
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A vingança é alta expressão de covardia moral, compreensível e desculpável por ser reflexo de morbidez e alienação mental, inspirando piedade em razão dos danos que sobre si mesmo acumula o seu agente. O vingador é um ser sempre infeliz e atormentado. Mesmo quando logra o seu intento não se satisfaz, porque se descobre vazio e sem objetivos.
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Envolve-te na luz da caridade e espraia-a até aqueles que se vingam, evitando também derrapares, quando ferido, na treva densa da vingança onde o ódio se homizia e aguarda.

(De "Luz da Esperança", de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de
Ângelis)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Perdão e Liberdade

Aprendamos a perdoar, conquistando a liberdade de servir.
E imprescindível esquecer o mal para que o bem se efetue.
Onde trabalhas, exercita a tolerância construtiva para que a tarefa não se
escravize a perturbações...
Em casa, guarda o entendimento fraterno, a fim de que a sombra não te algeme
o espírito ao desespero...
Onde estiveres e onde fores, lembra-te do perdão incondicional, para que o
auxílio dos outros te assegure paz à vida.É
indispensável que a compreensão reine hoje entre nós, para que amanhã não
estejamos encarcerados na rede das trevas.
A morte não é libertação pura e simples.
Desencarnar-se a alma do corpo não é exonerar-se dos sentimentos que lhe são
próprios.
Muitos conduzem consigo, além-túmulo, uma taça de fel envenenado com que
aniquilam os melhores sonhos dos que
ficaram na Terra, e muitos dos que ficam na Terra conservam consigo no
coração um vaso de fogo vivo com que
destroem as melhores esperanças dos que demandam o cinzento portal do
túmulo.
Não procures para tua alma o inferno invisível do ódio.
Acomoda-te com o adversário ainda hoje, procurando entendê-lo e servi-lo,
para que amanhã não te matricules em
aflitivas contendas com forças ocultas.
Transferir a reconciliação para o caminho da morte é atormentar o caminho da
própria vida.
Desculpa sempre, reconhecendo que não prescindimos da paciência alheia.
Nem sempre somos nós a vítima real, de vez que, por atitudes imanifestas,
induzimos o próximo a agir contra nós
convertendo-nos, ante os tribunais da Justiça Divina, em autores,
intelectuais dos delitos que passamos a lamentar
indebitamente diante dos outros.
Toda intolerância é violência.
Toda dureza espiritual é crueldade.
Quase sempre, a crítica é corrosivo do bem, tanto quanto a acusação
habitualmente, é um chicote de brasas.
E sabendo que encontraremos na estrada a projeção de nós mesmos, conservemos
o perdão por defensor de nossa
liberdade, ajudando agora para que não sejamos desajudados depois.

Espírito: EMMANUEL
Médium: Francisco Cândido Xavier
Livro: "Trevo de Idéias" -EDIÇÃO GEEM