segunda-feira, 9 de julho de 2012

VIDA E MORTE


        A teimosa insistência negativa dos conceitos humanos, em torno das legítimas realidades da vida, faz que se conserve o verbete “morte” como sendo a expressão capaz de traduzir o aniquilamento do ser, no estágio posterior ao da decomposição orgânica.
        Em verdade, porém, a desencarnação de forma alguma pode ser conceituada como o fim da vida.
        Do lado de cá pululam seres que se localizam felizes ou inditosos em regiões compatíveis com o seu estado mental, em que a vida se lhes manifesta conforme o que trazem da jornada fisiológica, na qual edificaram propósitos e realizações, fixando ideais, plasmando objetivos, que defrontam depois do traspasse orgânico.
        A perda do envoltório carnal não os santificou, não os desgraçou, não os extinguiu. Situou-os na dimensão em que cada um preferiu, mantendo os hábitos de prazer ou de renúncia com que se agraciaram, mediante as realizações contínuas que vitalizaram pelo pensamento.
        Multiplicam-se, povoadas de dores, as paisagens de sombras e as províncias de angústias, como se sucedem os panoramas de bênçãos e os painéis de luz, sustentados pelos valores pessoais intransferíveis, que identificam os viandantes recém-chegados da Terra...
        Há, todavia, se assim desejarmos, um estágio espiritual que pode ser tido, transitoriamente, como um estado de morte: é o da consciência obliterada para a verdade, anatematizada pelos remorsos infelizes e pelos arrependimentos tardios; o da razão vencida pela revolta contumaz e pela toxicidade do ódio demoradamente conservado; o da inteligência gasta na inutilidade e no comércio do prazer fugaz...
        Para tais Espíritos há um demorado estado de morte, porque a perda do roteiro interior atira-os num Dédalo onde não defrontam a luz nem encontram a esperança, terminando por anestesiarem os centros do discernimento longamente.
        E não é por outra razão, conforme se refere o Mestre, que Deus não é o Senhor dos mortos, mas, sim, dos vivos.
        Libertemo-nos das vendas que impedem a visão espiritual e dos vapores dos vícios que anestesiam, a fim de que a consciência livre nos enseje vida e sempre vida abundante.

(De “Intercâmbio Mediúnico”, de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito João Cléofas)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

FAZER LUZ

 "Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões". - Paulo (Romanos, 14:1)

Indubitavelmente, nem sempre a fé acompanha a expansão da cultura, tanto quanto nem sempre a cultura consegue altear-se ao nível da fé.
Um cérebro vigoroso pode elevar-se a prodígios de cálculo ou destacar-se nos mais entranhados campos da emoção, portas a dentro dos valores artísticos, sem entender bagatela de resistência moral diante da tentação ou do sofrimento. De análogo modo, um coração fervoroso é suscetível das mais nobres demonstrações de heroísmo perante a dor ou da mais alta reação contra o mal, patenteando manifesta incapacidade para aceitar os imperativos da perquirição ou dos requisitos do progresso.
A Ciência investiga.
A Religião crê.
Se não é justo que a Ciência imponha diretrizes à Religião, incompatíveis com as suas necessidades do sentimento, não é razoável que a Religião obrigue a Ciência à adoção de normas inconciliáveis com as suas exigências do raciocínio.
Equilíbrio ser-nos-á o clima de entendimento em todos os assuntos que se relacionem à Fé e à Cultura, ou estaremos sempre ameaçados pelo deserto da descrença ou pelo charco do fanatismo.
Auxiliemo-nos mutuamente.
Na sementeira da fé, aprendamos a ouvir com serenidade para falar com acerto.
Diz o Apóstolo Paulo: "Acolhei o que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões". É que para chegar à cultura, filha do trabalho e da verdade, o homem é naturalmente compelido a indagar, examinar, experimentar, e teorizar, mas, para atingir a fé viva, filha da compreensão e do amor, é forçoso servir. E servir é fazer luz.
(De “Segue-me!...”,  de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)