sexta-feira, 20 de julho de 2012

O REINO DE DEUS DENTRO DO HOMEM

        “Mestre — perguntaram, um dia, os homens — onde está o reino de Deus?”
        “O reino de Deus — respondeu o Nazareno — não vem com aparato exterior; nem se pode dizer: ei-lo aqui!, ei-lo acolá! O reino de Deus está dentro de vós”...
        Entretanto, os homens, cegos para essa luz, continuam a procurar o reino de Deus fora de si mesmos, em vãs exterioridades...
        O reino de Deus é o reino da verdade e do bem...
        O reino da justiça e da paz...
        O reino do amor e da caridade...
        O reino da humanidade e da pureza...
        Quando o homem tem dentro da alma estas coisas, está no meio do reino de Deus — porque dentro dele está o reino de Deus...
        Ninguém pode entrar no reino de Deus — se nele não entrar o reino de Deus...
        O homem que uma vez entrou no reino de Deus — encontra a Deus por toda a parte.
        Encontra a Deus na grandeza do cosmos visível — e nos mistérios da alma invisível.
        Vê a Deus no fulgor do relâmpago — e no matiz das flores do prado...
        Ouve a Deus no bramir da procela — e no silêncio das noites estreladas...
        Adivinha a Deus nos indefessos labores da abelha — e nos indolentes devaneios da borboleta...
        Contempla a Deus nos etéreos primores do arco-íris — e nas pupilas de inocente criança...
        Percebe a Deus no sorriso feliz duma noiva — e nas lágrimas acerbas do agonizante...
        O homem que dentro de si descobriu a Deus — descobre-o por toda a parte fora de si...
        Pois Deus é espírito onipresente — basta possuir a necessária vidência espiritual para encontrá-lo em cada uma das suas obras, espelhos e enigmas da Divindade.
        É justo, ó homem, que tenhas lugares de cultos onde, com teus irmãos, cantes louvores a Deus — mas não restrinjas a esses momentos o culto divino.
        Cultua a Divindade onipresente e onividente no santuário do Eu e do lar...
        Glorifica o Eterno no amor à pátria e na história dos povos...
        Adora o Altíssimo nas maravilhas da Natureza e nos prodígios da cultura...
        Venera o eterno Anônimo até nos gemidos da dor e nos paradoxos do mal...
        Se dentro de ti não encontraste o reino de Deus — em parte alguma o encontrarás...
        Por toda a parte verás o reino de Satã — dentro e fora de ti...
        Pois o homem não enxerga as coisas como elas são — mas, sim, como ele é...
        Projeta ao mundo externo o colorido do seu mundo interno...
        O homem sem Deus contempla sem Deus o mundo repleto de Deus...
        O homem repleto de Deus encherá de Deus as almas sem Deus...
        Proclama em tua alma, ó homem, o reino de Deus — e tua plenitude transbordará em outras almas...
        Só pode fazer bons os homens quem é bom ele mesmo... Só pode encher de Deus quem está cheio de Deus... O homem divinizado diviniza os homens...
 
      (De “Alma para Alma”, de Huberto Rohden)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

PARTICIPAÇÃO NA FELICIDADE

Quando alguém chora acoimado por este ou aquele problema, fácil é participares do seu drama, dilatando esforços para diminuir-lhe o padecimento.
        Ante a fome ou a enfermidade experimentas o apelo aos elevados sentimentos que te concitam à ajuda automática e rápida.
        Sem dúvida todo socorro que se oferta a alguém que sofre é de relevante significação.
        Caridade, sim, a dádiva material e o gesto moral de solidariedade.
        Indispensável, porém, não te deteres na superfície da realização.
        Há os que são solidários na dor, assumindo a posição de benfeitores, em lugar de realce com o que se realizam interiormente.
        Todavia, quando defrontam amigos em prosperidade, companheiros em evidência, conhecidos em situação de relevo, deixam-se ralar por mágoa injustificável, transformando-se em fiscais impenitentes e acusadores severos que não perdoam a ascensão do próximo.
        Ressentimentos se acumulam nas paisagens íntimas, e, azedos, referem-se ao êxito alheio, vencido por torpe inveja.
        Não sabem o preço do triunfo de qualquer procedência, quando na Terra.
Ignoram os contributos que deve doar todo aquele que se alça a situação de destaque.
        Farpas de maledicência e doestos do ciúme, perseguição sistemática disfarçada de sorrisos, ausência de amigos legítimos tornam as ilusórias horas douradas do homem de relevo em momentos difíceis de ser vencidos.
        Assume posição diferente.
Sem que te faças interessado no que ele tem ou é, rejubila-te com o progresso de quem segue contigo.
        Quando alguém se eleva, com ele se ergue toda a Humanidade. Quando cai é prejuízo na economia moral do planeta.
        Solidário na dificuldade do teu irmão, participa dos júbilos do teu próximo para que a ingestão do veneno do despeito e do tóxico da animosidade não te destrua a alegria de viver.
        Ser feliz com a felicidade alheia é também forma de caridade cristã.
 
(De “Leis Morais da Vida”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Ângelis)