segunda-feira, 23 de julho de 2012

Vontade
 
Comparemos a mente humana – espelho vivo da consciência lúcida – a um grande escritório, subdividido em diversas seções de serviço.
Aí possuímos o Departamento do Desejo, em que operam os propósitos e as aspirações, acalentando o estimulo ao trabalho; o Departamento da Inteligência, dilatando os patrimônios da evolução
e da cultura; o Departamento da Imaginação, amealhando as riquezas do ideal e da sensibilidade; o Departamento da Memória, arquivando as súmulas da experiência, e outros, ainda, que definem
os investimentos da alma.
Acima de todos eles, porém, surge o Gabinete da Vontade.
A Vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental.
A Divina Providência concedeu-a por auréola luminosa à razão, depois da laboriosa e multimilenária viagem do ser pelas províncias obscuras do instinto.
Para considerar-lhe a importância, basta lembrar que ela é o leme de todos os tipos de força incorporados ao nosso conhecimento.
A eletricidade é energia dinâmica.
O magnetismo é energia estática.
O pensamento é força eletromagnética.
Pensamento, eletricidade e magnetismo conjugam-se em todas as manifestações da Vida Universal, criando gravitação e afinidade, assimilação e desassimilação, nos campos múltiplos da forma que servem à romagem do espírito para as Metas Supremas, traçadas pelo Plano Divino.
A Vontade, contudo, é o impacto determinante.
Nela dispomos do botão poderoso que decide o movimento ou a inércia da máquina.
O cérebro é o dínamo que produz a energia mental, segundo a capacidade de reflexão que lhe é própria; no entanto, na Vontade temos o controle que a dirige nesse ou naquele rumo, estabelecendo
causas que comandam os problemas do destino.
Sem ela, o Desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento, a Inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade, a Imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra, e a memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a Natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento.
Só a Vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do espírito.
Em verdade, ela não consegue impedir a reflexão mental, quando se trate da conexão entre os semelhantes, porque a sintonia constitui lei inderrogável, mas pode impor o jugo da disciplina
sobre os elementos que administra, de modo a mantê-los coesos na corrente do bem.
 
Francisco Cândido Xavier - Pensamento e Vida - pelo Espírito Emmanuel

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O REINO DE DEUS DENTRO DO HOMEM

        “Mestre — perguntaram, um dia, os homens — onde está o reino de Deus?”
        “O reino de Deus — respondeu o Nazareno — não vem com aparato exterior; nem se pode dizer: ei-lo aqui!, ei-lo acolá! O reino de Deus está dentro de vós”...
        Entretanto, os homens, cegos para essa luz, continuam a procurar o reino de Deus fora de si mesmos, em vãs exterioridades...
        O reino de Deus é o reino da verdade e do bem...
        O reino da justiça e da paz...
        O reino do amor e da caridade...
        O reino da humanidade e da pureza...
        Quando o homem tem dentro da alma estas coisas, está no meio do reino de Deus — porque dentro dele está o reino de Deus...
        Ninguém pode entrar no reino de Deus — se nele não entrar o reino de Deus...
        O homem que uma vez entrou no reino de Deus — encontra a Deus por toda a parte.
        Encontra a Deus na grandeza do cosmos visível — e nos mistérios da alma invisível.
        Vê a Deus no fulgor do relâmpago — e no matiz das flores do prado...
        Ouve a Deus no bramir da procela — e no silêncio das noites estreladas...
        Adivinha a Deus nos indefessos labores da abelha — e nos indolentes devaneios da borboleta...
        Contempla a Deus nos etéreos primores do arco-íris — e nas pupilas de inocente criança...
        Percebe a Deus no sorriso feliz duma noiva — e nas lágrimas acerbas do agonizante...
        O homem que dentro de si descobriu a Deus — descobre-o por toda a parte fora de si...
        Pois Deus é espírito onipresente — basta possuir a necessária vidência espiritual para encontrá-lo em cada uma das suas obras, espelhos e enigmas da Divindade.
        É justo, ó homem, que tenhas lugares de cultos onde, com teus irmãos, cantes louvores a Deus — mas não restrinjas a esses momentos o culto divino.
        Cultua a Divindade onipresente e onividente no santuário do Eu e do lar...
        Glorifica o Eterno no amor à pátria e na história dos povos...
        Adora o Altíssimo nas maravilhas da Natureza e nos prodígios da cultura...
        Venera o eterno Anônimo até nos gemidos da dor e nos paradoxos do mal...
        Se dentro de ti não encontraste o reino de Deus — em parte alguma o encontrarás...
        Por toda a parte verás o reino de Satã — dentro e fora de ti...
        Pois o homem não enxerga as coisas como elas são — mas, sim, como ele é...
        Projeta ao mundo externo o colorido do seu mundo interno...
        O homem sem Deus contempla sem Deus o mundo repleto de Deus...
        O homem repleto de Deus encherá de Deus as almas sem Deus...
        Proclama em tua alma, ó homem, o reino de Deus — e tua plenitude transbordará em outras almas...
        Só pode fazer bons os homens quem é bom ele mesmo... Só pode encher de Deus quem está cheio de Deus... O homem divinizado diviniza os homens...
 
      (De “Alma para Alma”, de Huberto Rohden)