segunda-feira, 3 de setembro de 2012

DIA-A-DIA


                 Nas curtas viagens do dia-a-dia, todos nós encontramos o próximo, para cuja dificuldade somos o próximo mais próximo.
        Imaginemo-nos, assim, numa excursão de cem passos que nos transporte do lar à rua. Não longe, passa um homem que não conseguimos, de imediato, reconhecer.
        “Quem será?” — perguntamos em pensamento.
        E a Lei de Amor no-lo aponta como alguém que precisa de algo:
        se vive em penúria, espera socorro;
        se abastado, solicita assistência moral, de maneira a empregar, com justiça, as sobras de que dispõe;
        se aflito, pede consolo;
        se alegre, reclama apreço fraterno, para manter-se ajustado à ponderação;
        se é companheiro, aguarda concurso amigo;
        se é adversário, exige respeito;
        se benfeitor, requer cooperação;
        se malfeitor, demanda piedade;
        se doente, requisita remédio;
        se é dono de razoável saúde, precisa de apoio a fim de que a preserve;
        se ignorante, roga amparo educativo;
        se culto, reivindica estímulo ao trabalho, para desentranhar, a benefício dos semelhantes, os tesouros que acumula na inteligência;
        se é bom, não prescinde de auxílio para fazer-se melhor;
        se é menos bom, espera compaixão, que o integre na divindade da vida.
        Ante o ensino de Jesus, pelo samaritano da caridade, poderemos facilmente entender que os outros necessitam de nós, tanto quanto necessitamos dos outros. E, para atender às nossas obrigações, no socorro mútuo, comecemos, à frente de qualquer um, pelo exercício espontâneo da compreensão e da simpatia.

Emmanuel
(De “Caminho Espírita” de Francisco Cândido Xavier – Autores diversos)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Oportunidade


"Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo está pronto." - (JOÃO, capítulo 7, versículo 6.)

O mau trabalhador está sempre queixoso. Quando não atribui sua falta aos instrumentos em mão, lamenta a chuva, não tolera o calor, amaldiçoa a geada e o vento.
Esse é um cego de aproveitamento difícil, porqüanto somente enxerga o lado arestoso das situações.
O bom trabalhador, no entanto, compreende, antes de tudo, o sentido profundo da oportunidade que recebeu. Valoriza todos os elementos colocados em seus caminhos, como respeita as possibilidades alheias. Não depende das estações. Planta com o mesmo entusiasmo as frutas do frio e do calor. É amigo da Natureza, aproveita-lhe as lições, tem bom ãnimo, encontra na aspereza da semeadura e no júbilo da colheita igual contentamento.
Nesse sentido, a lição do Mestre reveste-se de maravilhosa significação. No torvelinho das incompreensões do mundo, não devemos aguardar o reino do Cristo como realização imediata, mas a oportunidade dos homens é permanente para a colaboração perfeita no Evangelho, a fim de edificá-lo.
Os cegos de espírito continuarão queixosos; no entanto, os que acordaram para Jesus sabem que sua época de trabalho redentor está pronta, não passou, nem está por vir. É o dia de hoje, é o ensejo bendito de servir, em nome do Senhor, aqui e agora...
XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. 28.ed. Brasília: FEB, 2009. Capítulo 73.