quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Renasce agora


 “Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” – Jesus. (João, 3:3.)

A própria Natureza apresenta preciosas lições, nesse particular.
Sucedem-se os anos com matemática precisão, mas os dias são sempre novos. Dispondo, assim, de trezentas e sessenta e cinco ocasiões de aprendizado e recomeço, anualmente, quantas oportunidades de renovação moral encontrará a criatura, no abençoado período de uma existência?
Conserva do passado o que for bom e justo, belo e nobre, mas não guardes do pretérito os detritos e as sombras, ainda mesmo quando mascarados de encantador revestimento.
Faze por ti mesmo, nos domínios da tua iniciativa pela aplicação da fraternidade real, o trabalho que a tua negligência atirará fatalmente sobre os ombros de teus benfeitores e amigos espirituais.
Cada hora que surge pode ser portadora de reajustamento.
Se é possível, não deixes para depois os laços de amor e paz que podes criar agora, em substituição às pesadas algemas do desafeto.
Não é fácil quebrar antigos preceitos do mundo ou desenovelar o coração, a favor daqueles que nos ferem. Entretanto, o melhor antídoto contra os tóxicos da aversão é a nossa boa-vontade, a benefício daqueles que nos odeiam ou que ainda não nos compreendem.
Enquanto nos demoramos na fortaleza defensiva, o adversário cogita de enriquecer as munições, mas se descemos à praça, de  sassombrados e serenos, mostrando novas disposições na luta, a idéia de acordo substitui, dentro de nós e em torno de nossos passos, a escura fermentação da guerra.
Alguém te magoa? Reinicia o esforço da boa compreensão.
Alguém te não entende? Persevera em demonstrar os intentos mais nobres.
Deixa-te reviver, cada dia, na corrente cristalina e incessante do bem.
Não olvides a assertiva do Mestre: – “Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.”
Renasce agora em teus propósitos, deliberações e atitudes, trabalhando para superar os obstáculos que te cercam e alcançando a antecipação da vitória sobre ti mesmo, no tempo …
Mais vale auxiliar, ainda hoje, que ser auxiliado amanhã.
Vinha de Luz
Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Conquistas


O Homem comum satisfaz-se com os fenômenos fisiológicos e os prazeres que exaurem os sentidos, sem qualquer benefício para a emoção.Todos os seus planos e aspirações giram em torno de lucros que lhe propiciem as metas imediatas do gozo, da sensualidade.Gozo alimentar e posse sensual; gozo no sono e sensualidade na ambição; gozo na comodidade e sensualismo na mente.O seu intelecto se volta para o utilitarismo e o seu sentimento para a sensação. O crescimento que anela é horizontal, de superfície, encontrando dificuldade para a verticalização da vida, a ascese.
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O homem que desperta para as experiências libertárias, emerge dos sentidos opressores e ala-se. O conhecimento torna-se-lhe uma bússola e um roteiro, enquanto o sentimento o propele à conquista das distâncias. O prazer instala-se-lhe nas áreas profundas do ser através das sucessivas aquisições da renúncia, da abnegação, da identificação dos valores reais, em detrimento das inquietações provenientes dos desejos insatisfeitos.Verticaliza a conduta e comanda o pensamento, sem vazios, físicos ou mentais, para os conflitos que envilecem, atormentando o coração.Os seus, são os triunfos sobre os próprios limites.
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O homem comum vê, ouve e vive conforme se apraz. Os acontecimentos são enfocados de acordo com as lentes dos seus interesses pessoais.Tudo faz para fruir sempre, desfrutando do maior quinhão. O seu humor é instável, porque governado pela força da paixão egoísta. A sua fé é acomodada, por supor que ganhará a Vida utilizando os métodos escusos em que tem posto a existência.
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O homem lúcido entende a finalidade para a qual foi criado por Deus e vê, ouve e vive obedecendo aos padrões exarados pelas Leis que regem a Vida. Proporciona os meios para que os fenômenos aconteçam — efeitos naturais das suas ações postas a serviço dos programas divinos. É estável, porque sabe que somente lhe acontece o que se lhe torna de melhor, daí retirando a boa parte, aquela que o ajuda em qualquer ocorrência. Crê e ama sem receio, porque a sua é uma vida fecunda. O homem comum vive embriagado ou aturdido, ansioso ou desiludido. O homem consciente movimenta-se em paz. Pilatos, na horizontal do poder, lavou as mãos quanto ao destino do Justo. Jesus, na vertical da verdade, sem nenhuma queixa submeteu-se. Erguendo-se na cruz, permanece como exemplo fecundo de união com Deus, na conquista total da Vida.

Divaldo Pereira Franco / Joanna de Angellis