segunda-feira, 12 de novembro de 2012


“EU" CONTRA "EU" 

Quando o HOMEM, ainda jovem, 
desejou cometer o primeiro desatino, 
aproximou-se o Bom-Senso e 
observou-lhe: 
¾  Detém-te! Por que te confias assim 
ao mal? 
O interpelado, porém, respondeu 
orgulhoso: 
¾  Eu quero. 
Passando, mais adiante, à condição 
de perdulário e adotando a 
extravagância e a loucura por normas 
de viver, apareceu a Ponderação e 
aconselhou-o: 
¾  Pára! Por que te consagras, desse 
modo, ao gasto inconsequente? 
Ele, contudo, esclareceu, jactancioso: 
¾  Eu posso. 
Mais, tarde, mobilizando os outros, a 
serviço da própria insensatez, recebeu 
a visita da Humildade, que lhe rogou 
piedosa: 
¾  Reflete! Por que não te compadeces 
dos mais fracos e dos mais ignorantes? 
O infeliz, todavia, redargüiu, colérico: 
¾  Eu mando. 
Absorvendo imensos recursos, 
inutilmente, quando podia beneficiar a 
coletividade, abeirou-se dele o Amor e 
pediu: 
¾  Modifica-te! Sê caridoso! Como podes 
reter o rio das oportunidades sem 
socorrer o campo das necessidades 
alheias? 
E o mísero informou: 
¾  Eu ordeno. 
Praticando atos condenáveis que o 
levaram ao pelourinho da desaprovação 
pública, a Justiça acercou-se dele a 
recomendar: 
¾  Não prossigas! Não te dói ferir tanta 
gente? 
O infortunado, entretanto, acentuou 
implacável: 
¾  Eu exijo. 
E assim viveu o Homem, acreditando-se
 o centro do Universo, reclamando, 
oprimindo e dominando, sem ouvir as 
sugestões das virtudes que iluminam 
a Terra, até que um dia, a Morte o 
procurou e lhe impôs a entrega do 
corpo físico. O desditoso entendendo 
a gravidade do acontecimento, 
prosternou-se diante dela e considerou: 
¾  Morte, por que me buscas? ¾  Eu quero - disse ela. ¾  Por que me constranges a aceitar-te? 
  gemeu triste. 
¾  Eu posso - retrucou a visitante. ¾  Como podes atacar-me desse modo? ¾  Eu mando. ¾  Que poderes te movem? ¾  Eu ordeno. ¾  Defender-me-ei contra ti — clamou o 
Homem, desesperado — duelarei e 
receberás a minha maldição!... 
Mas a Morte sorriu, imperturbável, e 
afirmou: 
¾  Eu exijo. 
E, na luta do "eu" contra "eu", conduziu-o 
à casa da Verdade, para maiores lições.
Irmão X
(De: “Contos e Apólogos”, de Francisco Cândido Xavier)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

MEUS FILHOS:


Existem duas forças em luta na Terra, onde Jesus está construindo o Reino de Deus.
Essas forças são a do bem e a do mal que se manifestam por nossas mãos.
Temos, assim, por onde passamos no mundo, as mãos iluminadas que estendem o amor e a paz, o trabalho e a alegria...
E conhecemos as mãos espinhosas que fazem o ódio e o desespero, a preguiça e o sofrimento.
Há mãos que sustentam a lavoura e o jardim, produzindo pão e felicidade.
E vemos aquelas que se entregam à miséria e ao vício.
Mãos que honram a indústria e o progresso.
Mãos que arrancam lágrimas e multiplicam o infortúnio.
Vemos braços que acariciam... Braços de mãezinhas abençoadas, de pais amigos, de obreiros da paz e da evolução, de enfermeiras abnegadas e de crianças generosas que asseguram na Terra o Serviço da Luz.
E encontramos braços que ferem e amaldiçoam, que se entregam ao crime, que humilham os pobres e os pequeninos, que exercem a crueldade, e que violentam a Natureza, aniquilando as plantas e os animais prestimosos.
Reparamos mãos preciosas que usam a enxada e a pena, auxiliando o celeiro e a educação.
E surpreendemos mãos infelizes que roubam e matam, estendendo a perturbação e a morte.
Mãos que levantam templos e lavres, escolas e hospitais.
Mãos que destroem e dilaceram, enganam e apedrejam.
Jesus veio ao mundo para que nossas mãos aprendam a servir à Luz do Bem, edificando a nossa própria felicidade.
Com as d’Ele, curou os doentes, socorreu os fracos, amparou os tristes, limpou os leprosos, restituiu a visão aos cegos...
Levantou os paralíticos, afagou os velhos e os deserdados, e abençoou as criancinhas...
Filhos meus, não permitam que as garras da sombra lhes dominem as mãos na vida...
Sigamos pelos caminhos da Luz, procurando a intimidade com os servidores do bem!
Observem o brilhante lapidado e o diamante bruto. Ambos são filhos da terra. Um deles, porém, refulge, divino, retratando a beleza do céu, mas o outro jaz encarcerado nas trevas do cascalho contundente.
Jesus é o lapidário do céu, a quem Deus, Nosso Pai, nos confiou os corações.
Obedeçamos a Ele, nosso Divino Mestre, buscando-lhe as lições e seguindo-lhe os exemplos, e o Cristo nos farão construtores do Reino de Deus no mundo, conduzindo-nos para a Glória Celestial.


(Obra: Cartilha do Bem - Chico Xavier / Meimei)