terça-feira, 24 de setembro de 2013

Surge a Era Nova


O sol da esperança desbasta as trevas da ignorância.
Pequenos grupos de servidores verdadeiros do Evangelho, no silêncio da renúncia, estão levantando os pilotis sobre os quais será erguida a Era Nova.
Sem alarde, em luta ingente, esses corações convidados constituem segurança para o mundo melhor de amanhã.
Não obstante o vendaval, as ameaças do desequilíbrio e o predomínio aparente das forças da violência, o bem, como fluido de libertação, penetra todo o organismo terrestre preparando o mundo novo.
Não engrossam as fileiras dos desanimados, nem aplaudem a insensatez dos perversos ou apóiam a estultícia dos vitoriosos da ilusão.
Quem aprendeu a confiar em Jesus põe as suas raízes na verdade. São minoria, não, porém, grupo ao abandono.
Todos os grandes ideais da humanidade surgem em pequeninos núcleos, que se alargam em gerações após gerações.
O Cristianismo restaurado, por sua vez, é a doutrina do amanhã, no enfoque espírita, porque, enquanto a mensagem de Jesus teve de destruir as bases do paganismo para erguer o santuário do amor, o Espiritismo deve apenas erigir, sobre o Cristianismo, o templo luminoso da caridade.
Chamados para este ministério, não duvidam, alegrando-se por ter seus nomes inscritos, como diz o Evangelho, no livro do reino dos céus e serem conhecidos do Senhor.
Nossa Casa tem ação. É hoje reduto festivo, santuário que alberga Espíritos mensageiros da luz, oficina onde se trabalha, escola de educação e hospital de recuperação de vidas.
Com outros Obreiros aqui temos estado, mantendo a chama da verdade acesa - como ocorria com os antigos faróis com a flama ardente, apontando a entrada dos portos e mais tarde dando notícias dos recifes e perigos do mar.
Filhos da alma, nunca desistam de fazer o bem, face ao aparente triunfo do mal em desgoverno, em torno de suas vidas.
Passada a tempestade, a luz volta a fulgir.
A sombra é somente ausência da claridade. Não é real.
Só Deus é Vida; somente o Bem é meta.

Autor: Joanna de Ângelis - Psicografia de Divaldo Franco. Livro: Momentos Enriquecedores

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Salvar a vida


O trem estava por partir. Deixaria aquele lugar sórdido, levando os judeus jovens e sadios para a liberdade.
A notícia era a de preservação dos mais fortes, e naquele trem não havia lugar para velhos.
As portas seguiriam abertas, pois não sobrava espaço para fechá-las. Estava abarrotado de judeus.
Um ancião polonês, de cabelos alvos, segurou com as mãos encarquilhadas o paletó do jovem que estava por partir e suplicou-lhe com veemência, que desse a sua pela vida dele.
Estava velho e doente e desejava rever os familiares que deixara na distante Polônia. Seria sua última chance, implorou ao rapaz.
O velho apelou para o coração do jovem que lhe permitisse embarcar no seu lugar, em nome do Cristo.
O rapaz não era cristão, e pouco ouvira falar do Homem de Nazaré. Apenas uma frase atribuída a Ele pairava em sua memória: Aquele que quiser ganhar a vida, perdê-la-á, e aquele que a perder por amor de Mim, ganhá-la-a.
Olhou longamente para aquele velho desesperado e, embora a promessa de liberdade próxima o tentasse, resolveu descer e ceder seu lugar ao ancião.
O trem partiu e ele pôde contemplar pela janela o aceno de agradecimento daquele a quem salvara a vida com a sua própria, pensava.
Deteve-se ali por alguns instantes, como adorno vivo de uma paisagem de horror e desolação, observando o trem que se afastava lentamente.
Após alguns dias chegou a notícia do engodo. O trem que partira em direção à liberdade, aportara no Campo de Concentração de Auschwitz, na Áustria, e todos os passageiros pereceram sob os chuveiros de gás letal.
Os meses rolaram e levaram com eles o horror da guerra. O jovem sobreviveu para escrever sua história e conhecer melhor Aquele Homem que um dia dissera que aquele que quisesse ganhar a vida perdê-la-ía, e aquele que a perdesse por amor a Ele, ganhá-la-ía.
* * *
Nós, cristãos, que ainda caminhamos pelas estradas do hemisfério físico, saberemos precisar quando sairá o próximo trem?
Será que nosso nome não consta da lista de passageiros com destino ao hemisfério espiritual?
Preocupados em ganhar a vida, em amontoar recursos materiais, esquecemos de cultivar a vida do Espírito, a vida verdadeira e imperecível que nos aguarda no além-túmulo.
Temos empregado a maior parte da vida perdendo-a nos gozos efêmeros e ilusórios, e não temos tempo para dedicá-la, ainda que por alguns instantes, em benefício dos necessitados de toda ordem.
Os dias passam, os anos se somam e pouco, ou quase nada, temos buscado aprender sobre o futuro espiritual que nos aguarda.
Agindo assim, dizemo-nos imortais, mas não vivemos como tal, uma vez que só nos ocupamos com as coisas da matéria, como se daqui jamais fossemos partir.
* * *
Muitas pessoas entram na vida espiritual como suicidas.
Pelas Leis Divinas não são tidos como suicidas somente os que põem fim à vida num ato de desespero ou insanidade, mas também os que acabam com ela aos poucos, através dos excessos de toda ordem.
Assim, os fumantes inveterados, os alcoólatras, os gulosos, os sexólatras, os adeptos da violência, entre outros, são suicidas, por queimarem a existência física por mero egoísmo e desconsideração com a própria vida.

Redação do Momento Espírita