terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Desce, elevando

Desce, elevando aqueles que te comungam a convi­vência, para que a vida em torno suba igualmente de nível. Se sabes, não firas o ignorante. Oferece-lhe apoio para que se liberte da sombra. Se podes, não oprimas o fraco. Ajuda-o, de alguma sorte, a fortalecer-se, para que se faça mais útil. Se entesouraste a virtude, não humilhes o compa­nheiro que o vício ensandece. Estende-lhe a bênção do amor como adequada medicação. Se te sentes correto, não censures o irmão transvia­do em desajustes do espírito. Dá-lhe o braço fraterno para que se renove. Se ajudas, não recrimines quem te recebe o socorro. Pão amaldiçoado é veneno na boca. Se ensinas, não flageles quem te recebe a lição. Benefício com açoite é mel em taça candente. Auxilia em silêncio para que o teu amparo não se converta em tributo espinhoso na sensibilidade daque­les que te recolhem a dádiva, porque toda caridade a exibir-se no palanque das conveniências do mundo é sem­pre vaidade, em forma de serpe no coração, e toda mo­déstia que pede o apreço dos outros, para exprimir-se, é sempre orgulho em forma de lodo nos escaninhos da alma. Nesse sentido, não te esqueças do Mestre que des­ceu, até nós, revelando-nos como sublimar a existência. Anjo entre os anjos, faz-se pobre criança necessi­tada do arrimo de singelos pastores; sábio entre os sá­bios, transforma-se em amigo anônimo de pescadores hu­mildes, comungando-lhes a linguagem; instrutor entre os instrutores, detém-se, bondoso, entre enfermos e afli­tos, crianças e mendigos abandonados, para abraçar-lhes a luta, e, juiz dos juízes, não se revolta por sofrer no tumulto da praça o iníquo julgamento do povo que o prefere a Barrabás, para os tormentos imerecidos. Todavia, por descer, elevando quantos lhe não po­diam compreender a refulgência da altura, é que se fez o caminho de nossa ascensão espiritual, a verdade de nosso gradativo aprimoramento e a vida de nossas vidas, a erguer-nos a alma entenebrecida no erro, para a vi­tória da luz.

Do cap. 28 do livro Religião dos Espíritos, de Emmanuel, obra psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Conhecer Deus



Algum dia você já ficou imaginando como seria Deus? Qual seria a imagem de Deus?
De um modo geral, nos vem à mente a figura de um ancião, barbas longas, brancas, muitas vezes sentado em um majestoso trono, a cuidar das coisas daqui de baixo...
A herança cultural que carregamos nos traz essa imagem que, ao ser analisada mais detidamente, vemos ser distante do que possa ser real.
Vejamos: Em que parte do espaço estaria Deus olhando para baixo?
Qualquer que seja essa resposta, nos perguntaríamos: E os outros planetas, os outros corpos celestes, que estarão acima, ao lado, atrás... Como Ele cuidará de todos esses, se já não estarão sob Seu olhar?
Ainda, por que a figura de Deus como um ancião? Será que Ele já foi jovem um dia? O tempo Lhe alterou o semblante, como acontece conosco?
E como pode o tempo alterar a figura de Deus, se Deus é a causa primeira, a origem de todas as coisas?
Podemos nos perguntar ainda, por que a figura masculina a representar Deus? Não poderia ser uma figura feminina, como acreditavam algumas culturas antigas?
Na dificuldade de transcender nosso pensamento, damos a Deus a figura humana, emprestamos ao Criador do céu e da Terra a pobre imagem humana, como se isso fosse suficiente e mesmo necessário para ver e entender Deus.
Ao considerarmos Deus como a Inteligência Suprema e a causa primária de todas as coisas, já não teremos a necessidade de representar a figura de Deus.
Como O sabemos a causa e origem de tudo é fácil entender que não há como representá-lO na limitação de nosso pensamento e sentimento.
Percebemos que, se ainda não conseguimos entendê-lO ou não há como representá-lO, já O podemos sentir.
E sentimos Deus ao contemplar um pôr-do-sol a desdobrar o céu em inúmeros matizes, colorindo o horizonte, a cada dia, de maneira diferente.
Sentimos o Criador e toda a pujança do Seu amor a nos tocar, na grandiosidade da natureza que se faz bela, harmoniosa e generosa, dando-nos o suporte para a vida física no planeta.
Sabemos da presença de Deus quando nos emocionamos com o milagre da vida, que se repete infinitas vezes no ventre materno, permitindo que uma simples célula dê origem a um organismo complexo e ordenado, após nove meses de elaboração.
Se não conseguimos representar, entender ou ver Deus, já é possível tê-lO em nossa intimidade.
Sem a necessidade de materializar ou personificar Sua figura, mas apenas senti-lO, nos mínimos detalhes da vida.
Seja no microcosmo, na intimidade da organização celular, ou no macrocosmo, nas galáxias e estrelas infindas, aí estará a presença de Deus e de Seu amor, a cuidar de cada um de nós, Seus filhos.

Redação do Momento Espírita.