segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O egoismo na sociedade


Para o espírita, todos os males humanos nascem do orgulho e do egoísmo. 
Os males da sociedade derivam do egoísmo dos indivíduos. Desde o início da civilização, quando o homem começou a se organizar em grupos maiores, superando os regimes tribais, códigos e normas de conduta tentam organizar a vida em sociedade. A lei de talião, proposta por Moisés, o famoso “olho por olho e dente por dente”, embora possa nos parecer primitivo, foi um grande avanço para a época. Seus primeiros indícios são anteriores a Moisés, estavam expressos no Código de Hamurabi, de 1780 a.C., no reino da Babilônia. Ela impedia que se fizesse justiça com as próprias mãos. 
Antigamente vigorava a vingança até as últimas consequências. Se alguém arrancava um olho do inimigo, os parentes deste fariam vingança: se pudessem, matariam quem arrancou o olho, matariam as crianças, estuprariam as mulheres da família, saqueariam a sua aldeia e por fim colocariam fogo em tudo. Essa era a regra. A lei de talião, ao limitar o objeto da vingança ao estritamente lesado, representou uma inovação digna de admiração. Sem falar que ela simboliza a Lei de causa e efeito, à qual Jesus acrescentou a Lei de Amor. 
No decorrer dos séculos muitas legislações funcionaram, muitos regimes dirigiram os homens, muitos costumes surgiram e desapareceram sem deixar vestígios. 
Hoje vivemos, no Brasil, o que se convencionou chamar de democracia, e novas leis surgem a toda hora tentando melhorar a vida em sociedade. É claro que precisamos de leis, e que algumas leis representam avanços indiscutíveis. Mas não se acaba com o egoísmo por decreto. 
A preocupação exacerbada com os próprios interesses faz com que qualquer coisa ou pessoa que contrarie esses interesses se torne um estorvo a ser eliminado. Orgulho e egoísmo. 
Pode-se fazer leis para defender minorias, pode-se fazer leis para garantir a ordem, pode-se fazer leis para salvaguardar direitos econômicos. Mas não há lei possível para acabar com o egoísmo pessoal, ou de classe, ou de família. 
O egoísta pessoal se acha um ser especial, uma divindade não reconhecida, uma celebridade oculta no meio da plebe. Quer tudo para si, exige privilégios e paparicações. Não lhe passa na cabeça que os outros têm interesses, e desejos, e sentimentos que devem ser respeitados. 
O egoísta de classe tem convicção de que o grupo a que pertence é o único correto, o único que tem direitos inegáveis. Seja um grupo religioso, político ou profissional, ele esquece que existem inúmeros outros grupos que compõe a sociedade, com pensamentos e posicionamentos legítimos e respeitáveis. Ele ignora que os grupos são formados por indivíduos como ele, com sentimentos, anseios e ideais como ele. 
O egoísta de família preserva uma espécie de mania de casta, pensa que sua família é melhor e mais nobre que as outras, que um sangue especial corre em suas veias. Seus membros familiares merecem tudo. Se há divergência com outras pessoas, certamente os seus familiares têm razão. Não cogita a hipótese de que seus filhos estejam errados, ou que seus pais sejam desonestos, ou que haja famílias mais especiais que a sua. 
Todos os males que assolam a humanidade, todas as pequenas e grandes misérias da sociedade se devem ao egoísmo. 
A criminalidade que gera insegurança, os acidentes de trânsito, a corrupção, as tragédias passionais, os enganos, as maledicências, as desonestidades. 
Há leis para cuidar do trânsito, mas não para fazer os motoristas se respeitarem uns aos outros; há leis para coibir a corrupção, mas não se pode legislar sobre o caráter e os princípios morais; há leis prevendo infrações e respectivas punições para todas as áreas da sociedade. 
A base da legislação do futuro é o Evangelho. Emmanuel se refere aos Evangelhos como “códigos de Justiça e de Amor que são a base da legislação do futuro”. 
É imprescindível zelar pela sociedade. Mas há idealistas agnósticos que acreditam que as leis conseguirão, um dia, transformar a sociedade. Ficam em busca da “lei ideal”. Fazem teses e mais teses falando sobre a banalização do mal, tentando entender a sociedade. 
Não há como entender a sociedade sem entender o indivíduo. A sociedade é composta de indivíduos. 
O composto não pode ser melhor do que a soma total dos seus componentes. Buscam causas na História. 
A causa da sociedade pode estar na História, mas só reconhecendo a reencarnação para compreender que nós mesmos, em outras existências, escrevemos a História. 
Nós somos a causa de nós mesmos.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A riqueza do Pai


Quando o pólen vai conduzido pelas patinhas dos insetos e pelo vento, observamos o curioso fenômeno da fertilização no reino vegetal. 
Essa integração entre o vento, as plantas e os animais nos fala da beleza que caracteriza as Leis do Criador. 
Mas as flores e os frutos que decorrem dessa integração nos falam da riqueza de Deus, a saciar a sede de beleza e a fome de Sua criação animal. 
Quando as poeiras celestes se reúnem nos cenários cósmicos e cantam o nascimento de um novo astro, conseguimos ver a beleza do Criador a inundar os espaços. 
Porém, ao olharmos a olho nu ou por meio de equipamentos tecnológicos, a infinidade de astros nos céus, constatamos a riqueza de Deus, a nos falar dos universos sem conta. 
Quando observamos a movimentação do verme no solo, transformando a matéria em húmus fertilizante; quando vemos a ação dos seres unicelulares desde a ameba, no ciclo do progresso, temos a beleza da obra Divina em ampla demonstração. 
Entretanto, ao vermos a multiplicidade das formas animais, das cores, da plumagem, das peles, constatamos como tudo isso exprime a riqueza de Deus. 
Quando nos permitimos as observações no mundo da irracionalidade, das reações animais nos impulsos do instinto e o acerto dessas reações, somos levados a penetrar os campos da beleza do Pai, que unifica o vaga-lume e o chimpanzé, a mosca e o dromedário, a formiga e o leão, na vasta cadeia da evolução animal. 
Todavia, ao verificarmos as experiências humanas que reúnem em si todos os progressos dos seres inferiores à humanidade; ao constatarmos as sofisticações intelectuais, morais, espirituais do homem não se pode ficar indiferente a essas demonstrações da riqueza de Deus. 
Tudo nos leva a conceber a Inteligência Suprema como a beleza e a riqueza plenas e perfeitas a penetrar e envolver os mundos. 
E, ao reconhecer a nossa condição de filhos desse grande Pai, nos sentimos herdeiros das constelações, donos da vida, uma vez que é o nosso Pai o dono de tudo. 
Observamos que toda a feiúra e a pobreza que vemos sobre o planeta é devida às construções infelizes do ser humano. 
É o homem que cava para si mesmo abismos de dor e veredas de morte, em razão de dar ouvidos às sombras que ainda existem em sua intimidade. 
No entanto, não há porque persistir em conservar as pobrezas da mente e do coração, desde que em Deus tudo é beleza, riqueza, um campo de vibrante evolução. 
O que devemos buscar é o aprimoramento da alma, o embelezamento íntimo e a riqueza do caráter, a fim de que desenvolvamos em nós o Reino dos Céus, na marcha para a evolução. 
* * * 
Aprendamos a descobrir, ao nosso redor, a beleza e a riqueza de Deus a fim de que, assim sintonizados, sejamos estetas da beleza, artífices da paz e promotores do bem, nesse universo de ações, vibrações, sentimentos, em que nos movemos. 

Redação do Momento Espírita