segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A prece



Quando se fala em prece, a imediata imagem que, de um modo geral, vem à mente das pessoas é a de senhoras idosas ajoelhadas em recintos semiobscuros, numa cantilena ininteligível.
Será que somente os idosos devem orar? Serão somente os deserdados do mundo, os sofredores os que carecem de oração?
Oração é um processo dinâmico de dialogar com Deus. É o elevar a mente para sintonizar com as forças Superiores, de lá extraindo novas energias, ideias.
Sem fórmulas prontas, deve ser ditada pelo sentimento. É um abrir do coração ao Pai amoroso e bom.
Alguns defendem a idéia de que se Deus tudo sabe não há necessidade de se ficar a pedir. Ele dará às Suas criaturas o de que elas necessitam.
O que não se dão conta tais pessoas é de que o Pai realmente tudo sabe, tudo vê, mas a prece tem a virtude de abrir os canais mentais a fim de que se possa entender a resposta. É o tornar-se receptivo ao auxílio.
Será que a resposta sempre vem? Recordamos o ensino de Jesus: Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos concederá. A resposta sempre vem.
O que acontece é que, normalmente, não a percebemos. Mesmo porque ela nem sempre nos chega do jeito que se espera.
A resposta Divina, por vezes, é um não. De outras, vem através dos amigos, de uma mensagem, das intuições, e outra vez não nos apercebemos.
E o que pedir? Eis outra dúvida. Defendem muitos que somente se deve solicitar coisas para o Espírito, jamais coisas materiais.
Convenhamos que se vivemos no mundo, necessitamos de algumas coisas materiais. Qual o problema de se rogar pela saúde de alguém?
Qual a dificuldade de se pedir auxílio na busca de um emprego digno, que nos garanta o sustento da carne?
Qual o inconveniente de se rogar a Misericórdia Divina para a fome que castiga o estômago ou para o frio que tortura o corpo?
Contudo, oração não é somente um petitório infindável. Antes de tudo é louvor.
Ao ensinar a orar, Jesus primeiramente louvou o Criador de todas as coisas. Santificado seja Vosso nome.
E para ensinar a resignação aos planos celestes, estabeleceu: Seja feita a Vossa vontade.
Só depois é que Ele direcionou a rogativa.
A oração é alimento diário. Na alegria e na dor. Na saúde e na doença. Ante os sucessos ou enfrentando os fracassos.
Orar com sinceridade, sabedor que não será pela extensão da oração que ela será melhor ouvida, mas sim pelo seu conteúdo.
A melhor prece é a do homem de bem.
Orar a Deus, a Jesus, evitando dirigir pedidos a parentes e amigos desencarnados que poderão não ter condições de atender, o que só lhes aumentará a carga de preocupações.
Orar por nós, pelos enfermos, pelos desencarnados, pelos suicidas, em especial, pelos que não nos amam. Orar pelos ­amigos, pois que a prece sustenta.
É do Cristo o ensinamento: Orai uns pelos outros.
* * *
A oração em favor dos que sofrem constitui sempre uma valiosa contribuição para aquele a quem é dirigida.
Não resolve o problema, nem retira a aflição, mas suaviza a aspereza da prova.
Quando a oração é dirigida aos enfermos, ela estimula os centros atingidos pela doença, restaurando o equilíbrio das células.
A oração é sempre um bálsamo para a alma, e se torna medicação para o corpo físico.
A oração acalma, equilibra, dulcifica aquele que ora, propiciando-lhe resultados salutares.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 20 do livro Momento de meditação, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.  
Disponível no CD Momento Espírita, v. 1, ed. Fep. Em 11.01.2010.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Oração Refazente



..Almas da Terra!

Quando o fragor das inquietações estiver a ponto de estraçalhar-vos; se nas encruzilhadas não souberdes o caminho a seguir e todas as rotas vos parecerem acesso a abismos; quando insuportável desesperação vos houver arrastado a conclusões infelizes que vos pareçam ser a única solução; quando os infortúnios, em vos excruciando, tenderem a tornar-vos indiferentes ao próprio sofrimento — tendes o veículo da oração e dispondes do acesso à meditação remediadora! Talvez não vos sejam supressos os problemas, nem afastadas as dificuldades. No entanto, dilatareis a visão, para melhor e mais apurado discernimento; lobrigareis mais ampla compreensão da vida e das suas legítimas realidades; experimentareis a presença de forças ignotas, que vos penetrarão, vitalizando-vos; elevar-vos-eis a zonas psíquicas relevantes, donde volvereis saturados de paz, com possibilidades de prosseguirdes, não obstante quaisquer difíceis conjunturas existentes ou por existirem. Porque a prece apazigua e a meditação refaz; a oração eleva, enquanto a reflexão sustenta; o pensamento nobre, comungando com Deus, em Deus haure a vida, e dialogando, em conúbio de amor, extravasa as impurezas e se impregna com as sublimes vibrações da afetividade, que se converte em força dinâmica, para sustentar as combalidas potencialidades que, então, se soerguem e não mais desfalecem.
Não vos arrojeis desastradamente nas valas da ira irrefreável ou nas vagas da insensatez. Antes que vos assaltem os demônios do crime, erguei-vos do caos, pensando e orando.
Há ouvidos atentos que captarão vossos apelos e cérebros poderosos que emitirão mensagens-respostas, que não deveis desconsiderar.
Amores que vos precederam no além-túmulo vigiam e esperam por vós, amam e aguardam receptividade.
Não vos enganeis, nem vos desespereis vãmente. Tende tento! Falai ao Pai na prece calma e silenciai para O ouvirdes, através da inspiração clarificadora.
Nada exijais. Quem ora, não impõe. Orar é abrir a alma, externar estados íntimos, refugiar-se na divina sabedoria, a fim de abastecer-se de entendimento, penetrando-se de saúde interior...
E quando retornardes da incursão pela prece, exultai, apagando as sombrias expressões anteriores, superando as marcas das crises sofridas e espargindo alegrias, em nome da esperança que habitará em vós.
Trabalhando pelo bem, o homem ora.
Orando, na aflição ou na alegria, o homem trabalha. E orando conseguirá vencer toda tentação, integrar-se com plenitude no espírito da vida, que flui da Vida Abundante, com forças superiores para trabalhar e vencer...

Victor Hugo - Divaldo Pereira Franco

(Sublime Expiação, Victor Hugo – Ed. FEB, 7ª ed., 1992, pag. 145)
(Fonte: “A prece segundo os Espíritos — coletânea mediúnica ilustrada – Divaldo Pereira Franco – Diversos Espíritos – Org. por Washington Luiz Nogueira Fernandes)