quinta-feira, 27 de março de 2014

O Espírita na Multidão


O espírita cristão, porque busca realmente compreender Jesus e raciocinar no Evangelho, é alguém sob regime de fiscalização permanente. Daí procedem as múltiplas contradições nas críticas que recebe.

Habitualmente, se é generoso, a multidão em torno dirá dele: “é perdulário”. Se economiza: “é avarento”. Se mantém a disciplina: “é ditador.” Se não observa condições e horário: “é irresponsável”. Se diligencia renovar as normas conhecidas: “é revolucionário”. Se conserva os padrões de hábito: “é inerte”. Se usa franqueza: “é descaridoso”. Se contemporiza: “é hipócrita”. Se brinca: “é irreverente”. Se chora: “é obsesso”. Se comunicativo: “é estouvado”. Se discreto: “é orgulhoso”. Se estuda intensivamente: “é afetado”. Se estuda menos: “é ignorante”. Se colabora com afinco na assistência social: “é santarrão”. Se coopera menos na beneficência de ordem material: “é preguiçoso”. Se revela ardente fervor nas convicções: “é fanático”. Se analisa, como é necessário, as instruções em andamento: “é um céptico”. Se trabalha com grande número de pessoas: “é demagogo”. Se trabalha em ambiente restrito: “é insociável”.
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Efetivamente, a multidão é nossa família e nada justificaria qualquer propósito de nos distanciarmos dela, a pretexto de superioridade individual. Somos claramente chamados a servi-la. Com ela e por ela, é que também nos despojaremos das imperfeições que nos marcam a vida. Ainda assim, conquanto amando-a e abençoando-a, não nos seria lícito esquecer que ela própria, um dia preferiu Barrabás a Jesus, em lamentável engano. Atentos a isso, onde estiveres e como estiveres, coloca-te acima das opiniões humanas, e serve a Jesus servindo à multidão, ofertando à seara do bem o que fores e o que tiveres de melhor.

Paz e Renovação, de Francisco Cândido Xavier – Espíritos Diversos

quarta-feira, 26 de março de 2014

A mágoa


À semelhança de ácido que corrói a superfície na qual se encontra, a mágoa desgasta, a pouco e pouco, as peças delicadas das engrenagens orgânicas do homem, destrambelhando-lhe os equipamentos muito delicados da organização psíquica.
A mágoa é conselheira impiedosa e artesã de males cujos efeitos são imprevisíveis.
Penetra no âmago do ser e envenena-o, impedindo-lhe o recebimento dos socorros do otimismo, da esperança e da boa vontade em relação aos fatores que o maceram.
Instalando-se, arma a sua vítima de impiedade e rancor, levando-a a atitudes desesperadas, desde que lhe satisfaça a programação vil.
Exala amargura e desconforto, expulsando as pessoas que intentam contribuir para a mudança de estado, graças às altas cargas vibratórias negativas, que exteriorizam mau humor e azedume.
Quem acumula mágoas, coleciona lixo mental.
Reage às tentativas de alojamento da mágoa nos teus sentimentos.
Não estás, no mundo, por acaso, antes, com finalidades adredemente estabelecidas que deves atender.
Acompanha a marcha do Sol, e enriquece-te de luz, não mergulhando na sombra dos ressentimentos destrutivos.
Sorri ante o infortúnio, agradecendo a oportunidade de superá-lo através dos valores éticos e educativos que já possuis, poupando-te à consumpção de que é portadora a mágoa.

Divaldo Franco