segunda-feira, 6 de julho de 2015

O Homem de Bem


O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e caridade, na sua maior pureza. Se interroga a sua consciência sobre os próprios atos, pergunta se não violou essa lei, se não cometeu o mal, se fez todo o bem que podia, se não deixou escapar voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, enfim, se fez aos outros aquilo que queria que os outros fizessem por ele.

Tem fé em Deus, na sua bondade, na sua justiça e na sua sabedoria; sabe que nada acontece sem a sua permissão, e submete-se em todas as coisas à sua vontade.

Tem fé no futuro, e por isso coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.

Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações, e as aceita sem murmurar.

O homem possuído pelo sentimento de caridade e de amor ao próximo faz o bem pelo bem, sem esperar recompensa, paga o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte e sacrifica sempre o seu interesse à justiça.

Encontra usa satisfação nos benefícios que distribui, nos serviços que presta, nas venturas que promove, nas lágrimas que faz secar, nas consolações que leva aos aflitos. Seu primeiro impulso é o de pensar nos outros., antes que em si mesmo, de tratar dos interesses dos outros, antes que dos seus. O egoísta, ao contrário, calcula os proveitos e as perdas de cada ação generosa.

É bom, humano e benevolente para com todos, sem distinção de raças nem de crenças, porque vê todos os homens como irmãos.

Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema aos que não pensam como ele.

Em todas as circunstâncias, a caridade é o seu guia. Considera que aquele que prejudica os outros com palavras maldosas, que fere a suscetibilidade alheia com o seu orgulho e o seu desdém, que não recua à idéia de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever do amor ao próximo e não merece a clemência do Senhor.

Não tem ódio nem rancor, nem desejos de vingança. A exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios. Porque sabe que será perdoado, conforme houver perdoado.

É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência, e se lembra destas palavras do Cristo: “Aquele que está sem pecado atire a primeira pedra”.

Não se compraz em procurar os defeitos dos outros, nem a pô-los em evidência. Se a necessidade o obriga a isso, procura sempre o bem que pode atenuar o mal.

Estuda as suas próprias imperfeições, e trabalha sem cessar em combatê-las. Todos os seus esforços tendem a permitir-lhe dizer, amanhã, que traz em si alguma coisa melhor do que na véspera.

Não tenta fazer valer o seu espírito, nem os seus talentos, às expensas dos outros. Pelo contrário, aproveita todas as ocasiões para fazer ressaltar a vantagens dos outros.

Não se envaidece em nada com a sua sorte, nem com os seus predicados pessoais, porque sabe que tudo quanto lhe foi dado pode ser retirado.

Usa mas não abusa dos bens que lhe são concedidos, porque sabe tratar-se de um depósito, do qual deverá prestar contas, e que o emprego mais prejudicial para si mesmo, que poderá lhes dar, é pô-los ao serviço da satisfação de suas paixões.

Se nas relações sociais, alguns homens se encontram na sua dependência, trata-os com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus. Usa sua autoridade para erguer-lhes a moral, e não para os esmagar com o seu orgulho, e evita tudo quanto poderia tornar mais penosa a sua posição subalterna.

O subordinado, por sua vez, compreende os deveres da sua posição, e tem o escrúpulo de procurar cumpri-los conscientemente. (Ver cap.XVII, nº 9)

O homem de bem, enfim, respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da natureza, como desejaria que os seus fossem respeitados.

Esta não é a relação completa das qualidades que distinguem o homem de bem, mas quem quer que se esforce para possuí-las, estará no caminho que conduz às demais.

O Evangelho Segundo o Espiritismo
por ALLAN KARDEC – tradução de José Herculano Pires

sábado, 4 de julho de 2015

Prece no Alvorecer


Meu Deus e meu Senhor:
Eu gostaria de ser como a Via-Láctea de estrelas
para que as noites da Terra
Fossem mais belas
e a dor debandasse fugidia
na busca de um novo dia.
Mas, que na minha pequenez, sem conseguir,
Te quero pedir
para ser um pirilampo na noite escura,
iluminando a amargura
de quem anda na solidão.

Eu gostaria de ser
como uma chuva generosa,
que caísse na terra porosa
e reverdecesse o chão.
Mas, como não conseguirei,
então, Te pedirei
para ser um copo de água fria,
que mate a sede, a agonia
de quem anda na desesperação.

Eu gostaria de ser
um jardim de flores,
de todas as cores,
para embelezar a Terra.
Mas, na pobreza que minh'alma encerra,
se não puder ser um jardim,
deixe-me ser um rosa solitária
na frincha da rocha,Meu Deus e meu Senhor:
Eu gostaria de ser como a Via-Láctea de estrelas
para que as noites da Terra
Fossem mais belas
e a dor debandasse fugidia
na busca de um novo dia.
Mas, que na minha pequenez, sem conseguir,
Te quero pedir
para ser um pirilampo na noite escura,
iluminando a amargura
de quem anda na solidão.

Eu gostaria de ser
como uma chuva generosa,
que caísse na terra porosa
e reverdecesse o chão.
Mas, como não conseguirei,
então, Te pedirei
para ser um copo de água fria,
que mate a sede, a agonia
de quem anda na desesperação.

Eu gostaria de ser
um jardim de flores,
de todas as cores,
para embelezar a Terra.
Mas, na pobreza que minh'alma encerra,
se não puder ser um jardim,
deixe-me ser um rosa solitária
na frincha da rocha,
colocando beleza
no painel nobre da natureza.

Eu gostaria de ser
um trigal maduro,
para repletar de pão
a mesa da humanidade.
Mas, e demasiado para mim.
Como não poderei ser uma seara
ajuda-me a ser o grão,
que caindo no chão se multiplique num milhão
e me transforme em pão
para meus irmãos.

Eu gostaria de ser
como uma escada,
que levasse o herói ao pináculo da gloria.
Mas, não tenho valor para tanto.
Então, Te peco para ser
o primeiro degrau,
a fim de que ele alcance
a gloria de seu ideal.

Eu gostaria de ser
a montanha altaneira,
de onde se tivesse a visão
da Terra inteira,
e pudesse o Homem ser feliz.
Mas, se não conseguir,
eu Te quero pedir
para ser uma pedra, pavimentando o chão
por onde marche a criatura,
construindo o amor e a união.

Eu gostaria de ser
um pomar de frutos maduros
para acabar com a fome.
Mas, na pobreza que me consome
Te venho pedir
para ser uma arvore desgalhada,
projetando sombra na estrada
para que alguém,
quando passar de mansinho,
pelo meu caminho,
lhe possa dizer:
-Ola! meu amigo.
E se ele se voltar
e me perguntar:
-Quem es tu?
lhe possa contestar:
-Sou teu irmão!
da-me tua mão, sou teu amigo.

Eu gostaria de ser poeta,
artista, esteta,
trovador, cantor,
musicista, orador,
para falar da magia
e beleza da Tua gloria.
Mas, como quase nada sou,
me falta o verbo, a mestria,
então Te peco, Senhor,
para ser companheiro
da criatura deserdada
caminhando na estrada
da alucinacão
e, dando-lhe a mão de sustento
lhe dizer: sou teu irmão,
estou contigo.
Gracas, Senhor, porque nasci,
porque creio em Ti,
pelo Teu amor,
obrigado, Senhor!
colocando beleza
no painel nobre da natureza.

Eu gostaria de ser
um trigal maduro,
para repletar de pão
a mesa da humanidade.
Mas, e demasiado para mim.
Como não poderei ser uma seara
ajuda-me a ser o grão,
que caindo no chão se multiplique num milhão
e me transforme em pão
para meus irmãos.

Eu gostaria de ser
como uma escada,
que levasse o herói ao pináculo da gloria.
Mas, não tenho valor para tanto.
Então, Te peco para ser
o primeiro degrau,
a fim de que ele alcance
a gloria de seu ideal.

Eu gostaria de ser
a montanha altaneira,
de onde se tivesse a visão
da Terra inteira,
e pudesse o Homem ser feliz.
Mas, se não conseguir,
eu Te quero pedir
para ser uma pedra, pavimentando o chão
por onde marche a criatura,
construindo o amor e a união.

Eu gostaria de ser
um pomar de frutos maduros
para acabar com a fome.
Mas, na pobreza que me consome
Te venho pedir
para ser uma arvore desgalhada,
projetando sombra na estrada
para que alguém,
quando passar de mansinho,
pelo meu caminho,
lhe possa dizer:
-Ola! meu amigo.
E se ele se voltar
e me perguntar:
-Quem es tu?
lhe possa contestar:
-Sou teu irmão!
da-me tua mão, sou teu amigo.

Eu gostaria de ser poeta,
artista, esteta,
trovador, cantor,
musicista, orador,
para falar da magia
e beleza da Tua gloria.
Mas, como quase nada sou,
me falta o verbo, a mestria,
então Te peco, Senhor,
para ser companheiro
da criatura deserdada
caminhando na estrada
da alucinação
e, dando-lhe a mão de sustento
lhe dizer: sou teu irmão,
estou contigo.
Gracas, Senhor, porque nasci,
porque creio em Ti,
pelo Teu amor,
obrigado, Senhor!

Divaldo Franco - Joanna de Ângelis