sexta-feira, 4 de março de 2016

Maternidade Abençoada


Afirma o Apóstolo João, em seu Evangelho que, se todas as coisas feitas pelo Mestre Jesus fossem escritas, o mundo não comportaria o número de livros.

A vida de Jesus foi intensa de obras. É o Espírito Amélia Rodrigues que nos conta que, certa vez, após as pregações do dia, tendo a multidão se dispersado, o Rabi se afastou para uma parte solitária da praia e mergulhou em profundo cismar.

Durante aquele dia, as criaturas atendidas que nEle haviam encontrado diretriz, trouxeram novos candidatos ao Amigo Divino, que a todos atendera.

As ondas morriam na areia, quase em sussurro, não desejando interromper o silêncio que se tornara moldura viva na qual a figura do Mestre se destacava, irradiando claridade.

Foi então que dEle se acercou uma mulher. Desculpou-se por perturbá-lO e Lhe falou do seu drama.

Tinha sede de amor, e não lograra a honra de fruir o amor. Há muitos anos tivera os seus sentimentos de mulher dilapidados e, desde então, procurava a paz, que parecia dela fugir.

Que fazer, perguntava, para viver a felicidade?

O Mestre perpassou o olhar pela paisagem e lhe falou: Observa a terra arrebentando-se em flores, frutos e verdor, o rio cantante, enriquecendo as margens de vida, os astros fulgurando ao longe.

Em tudo, a ordem, o amor, a transparência da misericórdia do Pai, ensinando equilíbrio e vida.

Em tudo vige a Sabedoria do Criador. Assim, não relaciones dores, nem mágoas. Levanta o olhar e avança para o futuro.

Senhor, prosseguiu a mulher, entendo a grandeza Divina na Criação. No entanto, eu me equivoquei e do meu equívoco me nasceu um filho. Ele é meu motivo de inquietação e desespero.

Mais doce que nunca, Jesus lhe respondeu: A mulher é sempre mãe.

A relva que cresce sobre os escombros oculta as suas deformidades e disfarça as suas imperfeições.

Quando a mulher é abençoada por Deus, pela maternidade, um filho é sempre uma estrela engastada na carne, com a oportunidade de espalhar claridade pelo caminho.

Enquanto houver, na Terra, crianças e mães, o Amor Divino estará cantando esperanças para a Humanidade.

Não existe filho do equívoco, do delito ou do pecado. Todos eles são dádivas da Vida para a vida.

Esquece as circunstâncias em que te chegou o anjo que te bate à porta do sentimento. Levanta-te com ele, avançando no rumo das estrelas.

A mulher, emocionada, procurou os olhos de Jesus, por entre a nuvem de lágrimas que encobria sua visão.

Levantou-se com uma discreta reverência, e preparou-se para partir.

Ela não saberia dizer se O ouviu falar ou se O escutou no imo d’alma.

Vai filha, e ama.

* * *

A maternidade é a mais elevada concessão de nosso Pai, demonstrando que o mal jamais triunfará no mundo. Porque, enquanto houver um coração de mãe, um sentimento maternal, na Terra, o amor ateará o fogo purificador e a esperança de felicidade jamais se apagará.

* * *

Dizem que mãe não tem limite. É como tempo sem hora, luz que não se apaga quando sopra o vento ou a chuva desaba.

É veludo escondido na pele enrugada. É água pura, ar puro, puro pensamento.

Um poeta ousou dizer que a palavra é pequenina, mas mãe é do tamanho do céu e apenas menor que Deus!

Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 3 de março de 2016

Almas Afins


Dizem que para o amor chegar... Não há dia... Não há hora... E nem momento marcado para acontecer. Ele vem de repente e se instala... No mais sensível dos nossos órgãos... O coração.

Começo a acreditar que sim... Mas percebo também... Que pelo fato deste momento... Não ser determinado pelas pessoas... Quando chega, quase sempre... Os sintomas são arrebatadores... Vira tudo às avessas... E a bagunça feliz se faz instalada.

Quando duas almas se encontram... O que realça primeiro... Não é a aparência física... Mas a semelhança das almas. Elas se compreendem... E sentem falta uma da outra.... Se entristecem... Por não terem se encontrado antes... Afinal tudo poderia ser tão diferente.

No entanto sabem que o caminho é este... E que não haverá retorno... Para as suas pretensões. É como se elas falassem além das palavras... Entendessem a tristeza do outro... A alegria e o desejo... Mesmo estando em lugares diferentes.

Quando almas afins se entrelaçam... Passam a sentir saudade uma da outra... Em um processo contínuo de reaproximação... Até a consumação.

Almas que se encontram... Podem sofrer bastante também... Pois muitas vezes... Tais encontros acontecem... Em momentos onde não mais podem extravasar... Toda a plenitude do amor... Que carregam, toda a alegria de amar... E de querer compartilhar a vida com o outro... Toda a emoção contida... À espera do encontro final.

Desejam coisas que se tornam quase impossíveis... Mas que são tão simples de viver... Como ver o pôr-do-sol... Ou de caminhar... Por uma estrada com lindas árvores... Ver a noite chegar... Ir ao cinema e comer pipocas... Rir e brincar.

Brigar às vezes... Mas fazer as pazes... Com um jeitinho muito especial. Amar e amar, muitas vezes... Sabendo que logo depois... Poderão estar juntas de novo... Sem que a despedida se faça presente.

Porém muitas vezes... Elas se encontram em um tempo... E em um espaço diferente... Do que suas realidades possam permitir.

Mas depois que se encontram... Ficam marcadas... tatuadas... E ainda que nunca venham a caminhar... Para sempre juntas... Elas jamais conseguirão se separar... E o mais importante... Terão de se encontrar em algum lugar.

Almas que se encontram... Jamais se sentirão sozinhas... Porquanto entenderão, por si só... A infinita necessidade... Que têm uma da outra para toda a eternidade. - Paulo Fuentes