quinta-feira, 4 de maio de 2017

A ORAÇÃO DE UMA MÃE


Coração de mãe é uma couraça, nunca sucumbe, sustentando-a durante as noites insones e as horas de prece velando nossa febre, durante a madrugada sem fim de nossa adolescência, à espera de nosso telefonema, à espera de nossa voz viva, diariamente, a todo instante.

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Não dá para escrever sobre mães sem que as palavras enveredem por um viés deliciosamente piegas – ouso até dizer que toda mãe é babosa. Senão vejamos: quem é que fantasia o bebê para tirar fotos e mostrá-las às amigas, toda cheia de si? Quem chora nas apresentações da escolinha? Quem guarda o primeiro dentinho que cai, molda o pezinho, vibra com o primeiro “mama” – ou algo parecido – que ouve do filho? Pois é, mães são amor em estado puro, desprovido de censuras e etiquetas, de qualquer senso que possa existir. E é exatamente isso que as torna essenciais, indispensáveis, inesquecíveis e únicas em nossas vidas.

Nós recebemos tudo delas: sangue, matéria, existência, essência – quer elas tenham ou não nos gerado em seu ventre. Crescemos com elas ali, sempre presentes, e vez ou outra olhamos em busca de seu olhar de aprovação. Mãe é a segurança, o esteio, o porto-seguro para onde voltamos, mesmo que em memória, quando dos reveses da vida. Não existe cafuné mais gostoso, comida mais saborosa, cheiro mais penetrante ou voz mais acalentadora do que de nossas mães. Sabemos que, quando ninguém mais nos der razão, no colo das mães encontraremos repouso consolador.

Por outro lado, elas também sabem ser críticas, mordazes, ferinas, num primeiro momento, quando fugimos às suas expectativas. Porque precisam colocar pra fora todo aquele ranço acumulado, para que o encantamento de seu coração possa transbordar livre, trazendo-nos de volta à realidade. Ao final, elas sempre acabam nos aceitando como somos, em tudo o que nos define. Elas até tentam nos moldar e nos conduzir à sua imagem e semelhança, mas invariavelmente acabam nos deixando livres – e nos amando ainda mais por sermos nós mesmos e por termos nos tornado quem somos.

Coração de mãe é uma couraça, nunca sucumbe, sustentando-a durante as noites insones e as horas de prece velando nossa febre, durante a madrugada sem fim de nossa adolescência, à espera de nosso telefonema, à espera de nossa voz viva, diariamente, a todo instante. Mães têm uma fé absurda e a força de suas orações chega a gritar aos nossos ouvidos – Chico Xavier disse que a oração de uma mãe arrebenta as portas do céu: alguém duvida? Elas estão ali ao lado dos filhos, firmes, esperançosas, quando nada mais parece ter salvação, à cabeceira das sessões de quimioterapia, à porta dos prontos-socorros, em frente aos portões das prisões. Mãe é esperança sem fim, fé inconteste.

Mães não erram deliberadamente, posto que em razão do amor. O filho é seu projeto de vida, sua perpetuação nesse mundo, o legado que deixa à sociedade, por isso elas relutam tanto diante das falhas, dos vícios e dos erros de seu rebento. Aceitar as imperfeições do ser humano a quem outorga sua vida requer desconstruir-se, ressignificar paradigmas, abrir mão da felicidade completa e sofrer, frustando planos acalentados em vão. Mas nada é em vão, em se tratando de mãe e filho. Sorvemos tudo o que vem delas, mesmo que fique adormecido, aguardando o momento certo de vir à tona em nosso favor – sempre em nosso favor.

Mãe também é solidão. Porque ninguém, a não ser elas mesmas, conseguem compreender o que é tudo isso que lhes é tão peculiar. Um amor que transborda além do permitido, um amor que cura, acalma e alimenta a alma. Um amor que nunca desiste da esperança, presente ali nas casas de repouso e nos asilos, onde aguardam ansiosas pelas visitas esparsas, ou mesmo inexistentes. Mãe é persistência, é crença indelével na capacidade do ser humano. É aceitação e resignação, sem questionamento nem cobranças. E precisamos que elas assim o sejam, pois nos são exemplos da necessidade de nos entregar, de acreditar, de amar, de aceitar e de brigar por aquilo que se quer.

Mães não morrem como as outras pessoas – elas são tiradas de nós, abruptamente, sem aviso, porque nunca estaremos preparados para enfrentar a vida sem elas. E então vamos nos agarrando dolorosamente às memórias, às fotos, filmes, cartas e à certeza de que teria sido muito pior se tivéssemos sido nós tirados delas, tentando nos consolar e aprumar nosso navio que parece navegar à deriva de nós mesmos, enquanto experenciamos os ambientes sem a sua presença e nos consolamos com as suas visitas em nossos sonhos. E, nesse processo de luto, somos obrigados a aprender a viver somente de nós mesmos, sem a ternura, a bravura, a cafonice e a sabedoria de um de nossos sustentáculos emocionais mais preciosos. Enfim a dor, burilada e mitigada, transforma-se em saudade contida e em gratidão por termos sido filhos das melhores mães do mundo.

*O título deste artigo alude a uma conhecida citação de autoria de Chico Xavier.

Autor: MARCEL CAMARGO

Fonte: O Segredo.

terça-feira, 2 de maio de 2017

OS ESTIGMAS DE CRISTO EM CHICO XAVIER - O momento em que Chico começou a apresentar as Chagas de Cristo


“Chico era extremamente reservado. Não falava de si, evitando qualquer situação que pudesse colocá-lo em destaque. Chico estava se locomovendo com maior dificuldade que nos demais dias. Os seus pés estavam muito inchados e não cabiam dentro dos sapatos.
Recebendo em nossa casa, eu e Márcia, a visita do casal amigo Lineu e Elenir Meirelles, de Niterói, comentamos com eles a nossa preocupação. No dia anterior, ambos haviam estado com Chico mais reservadamente e, então, nos relataram o que puderam constatar. Descalçando os sapatos, que estava utilizando como se fossem chinelos, e tirando as meias, o médium permitiu que Lineu e Elenir lhe testemunhassem o fenômeno dos estigmas nos pés: sobre o peito de cada um, uma chaga se havia aberto!
- Esses dias todos, - explicou-lhes Chico - eu tenho pensado muito em Jesus e, de tanto pensar nele, no episódio de seu sacrifício na cruz, essas duas feridas apareceram em meus pés... Peço a vocês não dizerem nada a ninguém. Poucos seriam capazes de entender. Eu não sou nada...
E desatou a chorar, enxugando as lágrimas que lhe escorriam do rosto com as golas do surrado paletó que vestia. Por seu imenso amor a Jesus, à semelhança de outro Francisco, o de Assis, Chico também fora estigmatizado! E apenas permitiu que pouquíssimos ficassem sabendo.

Temos conosco cópia de um depoimento escrito e assinado por Josyan Courté, datado de 9/8/2009, da cidade de Itatiba (SP). Pudemos testemunhar o carinho e o respeito com que Chico sempre o tratou.
"Na madrugada de uma terça-feira (...) dia 09/08/1966 - escreveu de próprio punho -, Francisco Cândido Xavier recebeu a transposição dos sinais dos espinhos da coroa do Cristo em sua própria cabeça. O fenômeno podemos nomear como incorporação de sinais e marcas do Cristo (estigmas).
(…) Quando nos aproximamos da casa do médium, já era manhã muito clara, radiante de sol. (…) Reparamos que o Chico usava um gorro na cabeça, muito justo, que cobria desde a testa até a nuca. Naquela manhã não sabíamos ainda o que ele pretendia ocultar. Os nossos irmãos de fé, João e Lázaro, eram dois velhinhos que habitavam humilde choupana e que dependiam dos donativos do Chico para sobreviver. Quem daria trabalho àqueles braços velhos e cansados? Foi para o ancião João que perguntei se ele sabia desde quando o Chico mantinha coberta a cabeça. Ele respondeu-nos no linguajar simples e sincero: 'Onte não tava, não...'
(…) Os estigmas surgiram pela primeira vez naquela data distante para desaparecer em seguida. Retornariam mais tarde, de forma definitiva, obrigando o médium a ocultá-los em sigilo absoluto. Muito mais tarde, décadas após, os sinais surgiriam também nos pés.”

Este depoimento foi publicado no livro “Chico Xavier: o brasileiro mais importante da história” de Josyan Courté (GEEM, abril de 2017). Josyan no cap. “Os livros astros” complementa “(…) Com Chico ocorreu que a coroa de espinhos lhe marcou a cabeça por inteiro. (…) Esse fenômeno [estigmatização], que tem implicações com a mediunidade de incorporação, obrigou-o a usar boinas, gorros e, depois, perucas. Chico procurou de todas as formas ocultar os sinais, somente observados na velhice, quando não mais podia locomover-se livremente, e foram enfim, observados pelas caridosas irmãs que banhavam o corpo do médium já muito debilitado pela idade avançada (…) Após a estigmatização, Chico passou a exsudar penetrante aroma de rosas até o fim de seus dias.”

Do livro “Chico Xavier, o médium do pés descalços” de Carlos Baccelli (Vinha de Luz Editora).

Depoimento de Adelino da Silveira relatando diálogo com Chico:

- Mandei chamar você aqui porque lhe quero mostrar uma coisa. Ontem à noite quando fui deitar-me, estava pensando muito no sofrimento de Jesus quando lhe fincaram os cravos nos pés (…) De madrugada, senti uma dor muito profunda nos pés (…) Quando amanheceu, olhei para os meus pés e levei um susto (…)
Quando lhe retirei os sapatos e as meias, quem levou um susto fui eu. Havia no dorso de cada pé uma mancha roxa, como se houvessem enfiado ali dois cravos ou pregos enormes. Então ele me disse:
- Olhe para as minhas mãos (…)
Havia em suas mãos as mesmas marcas dos pés, embora em tamanhos menores, sendo que as das palmas das mãos eram maiores que as do dorso. Entre a emoção e as lágrimas, daquela hora inesquecível, pude apenas dizer: Chico, você é o único espírito que conheço que tem as marcas do Cristo.”

No livro “Nas trilhas da Garça – Chico Xavier nas Minas Gerais”