segunda-feira, 14 de agosto de 2017

PARE COM O DESCULPISMO - CHICO XAVIER


E todos, um a um, começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: comprei um campo e tenho necessidade de sair para vê-lo. Peço-te que me dês por escusado.

Lucas 14:18

Desculpismo sempre foi a porta de escape dos que abandonam as próprias obrigações.

Irmãos nossos que tiveram a infelicidade de escorregar na delinquência costumam justificar-se com vigoroso poder de persuasão, mas isso não lhes exonera a consciência do resgate preciso.

Companheiros que arruínam o corpo em hábitos viciosos arquitetam largo sistema de escusas, tentando legitimar as atitudes infelizes que adotam, comovendo a quem os ouve, entretanto, acabam suportando em si mesmos as consequências das responsabilidades a que se afeiçoam.

E, ainda agora, quando a Doutrina Espírita revive o Evangelho, concitando os homens à construção do bem na Terra, surgem às pencas desculpas disfarçando deserções:

— Estou muito jovem ainda…

— Sou velho demais…

— Assumi compromissos de monta e não posso atender…

— Minhas atribulações são enormes…

— Obrigações de família estão crescendo…

— Os negócios não me permitem qualquer atividade espiritual…

— Empenhei-me a débitos que me afligem…

— Os filhos tomam tempo…

— Problemas são muitos…

Tantas são as evasivas e tão veementes aparecem que os ouvintes mais argutos terminam convencidos de que se encontram à frente de grandes sofredores ou de criaturas francamente incapazes, passando até mesmo a sustentá-los na fuga.

Os convidados para a lavoura da luz, no entanto, engodados por si próprios, acordam para a verdade no momento oportuno e, atados às ruinosas consequências da própria leviandade, não encontram outra providência restauradora senão a de esperarem por outras reencarnações.

Autor: Emmanuel pela psicografia de Chico Xavier

Livro: O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho Luca

domingo, 13 de agosto de 2017

Uma homenagem a todos os pais. Feliz dia dos pais!


Pai...
Estava agora olhando pela janela,
tentava antecipar sua chegada.
Fiz isso muitas vezes quando era criança.
Outro dia fingi que dormia e esperei você vir me cobrir.
Mas percebi que isso não era mais possível.
Estava aqui nesse quarto sozinho,
lamentava os dias em que fui rude com o senhor
e das inúmeras vezes em que precisou de mim
e eu não estava lá.
Lembrei-me então, dos tempos de criança e adolescência,
quando apesar de todos os seus problemas e cansaço
você sempre arrumava tempo para ir até a minha cama
simplesmente para ver se eu estava bem,
colocava as mãos sobre minha testa
para ver se eu estava com febre,
ajeitava o cobertor,
às vezes deixava algumas moedas embaixo de meu travesseiro.
Eram poucas naquela época, e com certeza, sem muito valor,
mas hoje as desejo como se fossem ouro
porque esses simples gestos não saem da minha cabeça.
Achava que era forte, mas tudo isso me enfraquece.
Quando você saía para trabalhar ou viajar,
eu ficava apreensivo, nunca lhe contei,
mas meu coração doía de saudades.
Pedia a Deus que lhe protegesse e lhe trouxesse de volta.
Você sempre voltava.
Sofrido, abatido, sujo,
mas voltava.
Hoje fico pensando,
será que meus filhos sentem minha falta como eu sentia a sua?
Será que sou importante para eles
como você foi e ainda é para mim?
Será que consigo transmitir a eles
os mesmos valores que aprendi com você?
Também me pergunto,
se você é tão importante para mim,
por que às vezes eu o esqueço?
Por que não tenho tempo para lhe dar um simples "alô"?
Por que às vezes não consigo retribuir o seu carinho?
O engraçado é que hoje tenho tudo que você nunca pôde ter:
casas, apartamentos, carros, dinheiro.
Por que nada disso é seu, se você merecia tanto?
Você me carregou no colo muitas vezes,
pegou filas e filas para um atendimento médico,
pediu dinheiro emprestado para me alimentar,
até vendeu sua casa quando tudo estava difícil.
Por quê?
Hoje lhe vejo frágil, com a coluna desgastada pelo tempo,
a pele queimada pelo sol,
seus setenta e tantos anos lhe deixaram indefeso.
Apesar de tudo isso, quando me recebe em sua casa,
está sempre alegre e disposto.
Seja para ir até a padaria
para comprar aquele pãozinho que eu gostava tanto,
ou para fazer outros agrados.
Não entendo.
Apesar de toda sua receptividade, às vezes ainda sou rude,
reclamo da vida, dos negócios feitos ou desfeitos
e mesmo assim você tem toda paciência comigo.
Então, pai, se ainda der tempo,
queria dizer que hoje também sou um pai,
e que tento ser você todos os dias,
tento ser para meus filhos o que você sempre foi para mim.
Já não me importo mais com a idade.
Hoje, mesmo com meus quarenta e poucos anos,
quero que me segure no colo como segura seus netos,
pois quando lhe vejo, sinto que ainda sou criança
e você continua a ser
o meu herói.

Deivison Pedroza