terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

PODER E VIDA

        A simplicidade do Médium Divino desarticulava a arrogância dos presunçosos, que se atribuíam direitos a privilégios e considerações.
        Ele amava o povo, que lhe constituía a razão de haver mergulhado no corpo, a fim de o erguer à Realidade Última.
        Este amor era luz e a luz era Ele.
        Terminando de espraiar-se em ondas de ternura nos corações ávidos de consolo, Dele se aproximou um triunfador terreno e exorou:
        — Que é o poder? Qual o verdadeiro, que projeta o homem na direção da sua plenitude?
        Havia um honesto interesse na indagação. Graças a isto, o Libertador respondeu:
        “ — O verdadeiro poder é aquele que se irradia em vibrações de paz, irrigando a vida com amor. O que se caracteriza pela suavidade da sua força; que se deixa conduzir por toda parte sem causar preocupação nem temor; que oferece confiança e concede proteção; que está presente e não ostentação; é natural, porque se conhece, resistindo a todas as investidas do mal através da não-violência.
        No mundo, o poder corrompe vidas, envenena almas, dilacera sentimentos, entorpece o caráter, macula as virtudes.
        Quando atinge, contamina, terminando por vitimar aquele que o utiliza, quase sempre desordenadamente.
        Apresenta-se no disfarce da beleza, da fortuna, da sociedade, da política, da cultura vaidosa, da religião temerária.
        Com a facilidade que alça ao pináculo da glória, da fama, da dominação, conduz ao corredor sombrio e estreito da loucura, do abandono, do crime e da morte.
        O poder humano, considerado e temido, é névoa que o calor do tempo dilui. Consiste em um empréstimo-provação das Soberanas Leis, para ser usado de forma edificante na construção do progresso e na sustentação das vidas.
        Os seus usuários, entretanto, raramente utilizam-no com sabedoria, sucumbindo sob a sua tormentosa constrição.
        O homem que realmente pode, é aquele que se domina, sem aos outros submeter; que se supera, sem aos demais vencer; que se liberta, a todos oferecendo campo para a própria ventura.
        O único poder real é Deus. Transitórios, são todos os demais, que resultam da ilusão de amealhar, de dispor de servidores e áulicos, de soldados e bajuladores, pois que a morte a todos vencerá, igualando-os na horizontal do túmulo.
        O poder do Espírito sobre si mesmo, haurido na meditação, na prece, na ação do bem, na auto-eliminação, é o que nunca se perde, nem se decompõe, nem aflige.
        O poder moral, este sim, fomenta Vida.”

(De “A UM PASSO DA IMORTALIDADE”, de Divaldo P. Franco, pelo Espírito Eros)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Vínculos familiares

“... Afeição real de alma a alma, a única que sobrevive à destruição do corpo, porque os seres que não se unem neste mundo senão pelos sentidos não têm nenhum motivo para se procurarem no mundo dos Espíritos. Não há de duráveis senão as afeições espirituais...” (Capítulo 4, item 18.)

       A rigor, família é uma instituição social que compreende indivíduos ligados entre si por laços consangüíneos.
       A formação do grupo familiar tem como finalidade a edu­cação, implicando, porém, outros tantos fatores como amor, aten­ção, compreensão, coerência e, sobretudo, respeito à individualidade de cada componente do instituto doméstico.
       Com o Espiritismo, porém, esse conceito de família se alarga, porque os velhos padrões patriarcais, impositivos e machistas do passado, cedem lugar a um clã familiar de visão mais ampla de vivência coletiva, dentro das bases da reencarnação. Por admitir que os laços da parentela são preexistentes à jornada atual, os preconceitos de cor, de sangue, sociais e afetivos caem por terra, em face da possibilidade de as almas retornarem ao mesmo domi­cílio, ocupando roupagens físicas conforme as necessidades evolutivas.
       As afeições reais do espírito sobrevivem à destruição do corpo e permanecem indissolúveis e eternas, nutrindo-se cada vez mais de mútuas afinidades, enquanto que as atrações materiais, cujo único objetivo são as ilusões passageiras e os interesses do orgulho, extinguem-se com a “causa que os fez nascer”.
       Assim, vemos famílias que adotam a “eliminação quase total da vida particular”. A atenção é focalizada de forma exclusiva no grupo familiar, cujos integrantes vivem neuroticamente uns para os outros. Bloqueiam seus direitos à própria vida, à liberdade de agir e de pensar e ao processo de desenvolvimento espiritual, para se ocuparem de cuidados improdutivos e alienatórios entre si. Vi­vem uns para os outros numa “simbiose doentia”.
       Os elementos que vivem presos a esse relacionamento de permuta egoísta afirmam para si mesmos: “Se eu me sacrifico pelo outro, exijo que ele se dedique a mim”. Não se trata de caridade, e sim de compromissos impostos entre dois ou mais indivíduos de juntos viverem, visando ao “bem-estar familiar”. Na verdade, não estão exercitando o discernimento necessário para enxergar a autên­tica satisfação de cada um como pessoa.
       Não nos referimos aqui ao companheirismo afetivo, tão reconfortante e vital à família, mas a uma postura obrigatória pela qual indivíduos se vigiam e se encarceram reciprocamente.
       Encontramos também outras famílias que não se formaram por afeições sinceras; fazem comparações e observam caracte­rísticas de outras famílias que invejam e que buscam copiar a qual­quer custo: são as chamadas “alpinistas sociais
       Procuraram formar o lar afeiçoadas a modelos de elegân­cia e a peculiaridades obstinadas de afetação social, moldando o recinto doméstico ao que eles idealizam a seu bel-prazer como “chique”.
       Vestem-se à imagem dos outros, comparam carros, mó­veis, gostos e comidas; negam a cada membro, de forma nociva, a verdadeira vocação, tentando sempre copiar modos de viver que não condizem com suas reais motivações.
       Há ainda outras agremiações familiares denominadas “exi­bicionistas”, em que os membros do lar se associam para suprir a necessidade que nutrem de ser vistos, ouvidos, apreciados e admirados. Ajudam-se mutuamente, ressaltando uns a imagem dos ou­tros e focalizando áreas que podem ser valorizadas pelo social, como, por exemplo, a beleza física ou o recurso financeiro.
       As pessoas vaidosas desse tipo familiar, quando bem sucedidas ou conceituadas, alimentam exibição sistemática diante dos outros, como forma de compensação ao orgulho de que estão revestidas.
       Assim considerando, os laços de família formados em bases de fidelidade, amor, respeito e dedicação perdurarão pela Eter­nidade e serão cada vez mais fortalecidos. Os espíritos simpáticos envolvidos nessas uniões usufruem indizível felicidade por estar juntos trabalhando para o seu progresso espiritual. “Quanto às pes­soas unidas pelo único móvel do interesse, elas não estão realmente em nada unidas uma à outra: a morte as separa sobre a Terra e no céu”, (1) conforme nos certifica literalmente o texto de “O Evan­gelho Segundo o Espiritismo”.

(1) O Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo 4º item 18. - RENOVANDO ATITUDES - FRANCISCO DO ESPÍRITO SANTO NETO - DITADO PELO ESPÍRITO HAMMED