segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

LEMBRA-TE DE DEUS


              Reunião da noite de 31 de maio de 1956.
      Encerrando-nos as lides da noite, comunicou-se Meimei, a abnegada irmã de nosso grupo, que nos ofertou, como de outras vezes, a sua palavra generosa e confortadora.

        Lembra-te de Deus para que não olvides a tua alma no labirinto das sombras.
        O Criador vive e palpita na Criação que o reflete.
        Quando estiveres ferido pelas farpas do sofrimento, lembra-te de Deus que, em muitas ocasiões, socorre a terra seca, por intermédio de nuvens tempestuosas.
        Quando te sentires revoltado ante as misérias do mundo, lembra-te de Deus, cuja majestade permanece incorruptível, no próprio fruto podre, através da semente pura em que a planta se renovará, exuberante e vitoriosa.
        Lembra-te de Deus e aprende a não julgar com os olhos físicos, que apenas assinalam na Terra ligeiras nuances da verdade.
        Tudo nos infinitos domínios do Infinito Universo é transformação incessante para a glória do bem.
        Em razão disso, o mal é sempre efêmero nevoeiro na exaltação da eterna luz, e toda sombra, por mais dilatada no espaço e no tempo, não passa de expressão transitória no jogo das aparências.
        Não reproves, assim, o solo estéril pela carência que patenteia e nem condenes a víscera cadavérica pelo bafio que exala, porque, amanhã, a Bondade de Deus pode reunir um e outro, com eles edificando um berçário de lírios.
        Não te antecipes à Justiça do Pai Celeste quando fores incomodado, porque o Pai Celeste sabe distribuir o pão e a corrigenda com os filhos que lhe constituem o patrimônio de excelso amor.
        Ainda mesmo diante do inferno que nós criamos na consciência com os nossos erros deliberados, ei-lo, bondoso, a expressar-se com o seu Divino Devotamento, transformando-o em lixívia que nos sane as mazelas da alma.
        Trabalha, ajudando sempre,  na certeza de que Deus sustenta a vida, para que a vida se aprimore.
        Assim sendo, no princípio de cada dia ou no começo de cada tarefa nova, faze da oração a nota inicial de teu passo primeiro, para que te não falte a inspiração do Céu em toda a medida justa.
        Quando fatigado, seja Deus teu descanso
        Quando aflito, seja Deus teu consolo.
        Quando supostamente derrotado, seja Deus teu arrimo.
        Quando em desalento, seja Deus tua fé.
        Ergue, diariamente, um templo vivo de amor a Deus em teu espírito e rende-lhe preito incessante, através do serviço ao próximo, nas lutas de cada hora.
        Em todos os lances de nossa peregrinação para os cimos, lembremo-nos de Deus para que não estejamos esquecidos de nós.

Meimei
(De “Vozes do Grande Além”, de Francisco Cândido Xavier – Diversos Espíritos)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

FUNÇÃO DA DOR

Aliando esforços e ajuntando trabalhos na dignidade do amor, as leis
te darão a paz. Compreendendo que a dor é o socorro da vida maior, busquemos
entendê-la na conjuntura da vida.
A dor incentiva-nos ao estudo. O estudo nos faz compreender. A
compreensão nos favorece a tranquilidade. A tranquilidade evidencia a
realidade da alma.
Estamos nos alinhavos da maturidade e, dessa forma, somos agredidos,
sobremaneira, em cada passo, a despertar em cada espírito, valores que nos
libertam das inferioridades, de maneira que algo de nossa intimidade se
mostra, se exterioriza, sem o gazofilácio da vaidade.
A função da dor é agir, nos princípios da alma, como o amor na
maturidade do espírito. A dor, nos princípios, é o despertar da vida. O amor
é o crescimento dela.
Nestes fins de tempos, companheiros, damo-nos as mãos computando
vidas, na grandiosidade da Vida Maior. Querer livrar-se da dor sem as
devidas alturas para o verdadeiro Amor, é correr o perigo de uso indevido do
tesouro a que chamamos de caridade.
Se não desejas sofrer mais, muda as tuas condições de vida. A saúde
depende da maturidade do ser. Crescer é o nosso destino e iluminar é o
roteiro traçado pelo Cristo, que mora nos nossos corações. 

(Página recebida na Sociedade Espírita Maria Nunes, Belo Horizonte, MG, em
16/12/87, Estudo de "O Evangelho segundo o Espiritismo", Cap. IX, Item 7)

(De "Páginas Esparsas 5", de João Nunes Maia, pelo Espírito Miramez)