sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A Montanha e a Planície.


O que devo dizer sobre Seu discurso? Talvez algo sobre Sua pessoa conferir poder a Suas palavras e embalar aqueles que O ouviram.

Pois Ele era gracioso, e o brilho do dia encontrava-se em Seu semblante.

Ele contava uma história ou narrava uma parábola, e o conteúdo de Suas histórias e parábolas nunca fora ouvido na Síria.

Ele parecia tecê-las com o sabor das estações, como o tempo tece os anos e as gerações.

Ele começava uma história assim: “O lavrador encaminhou-se ao campo para plantar suas sementes.”

Ou: “Havia um homem muito rico que possuía diversos vinhedos.”

Ou: “Um pastor contou suas ovelhas ao cair da noite e descobriu que faltava uma.”

E essas palavras conduziam Seus ouvintes ao ser mais simples dentro de si e aos mais remotos de seus dias.

* * *

No coração, somos todos lavradores e todos amamos os vinhedos. E, nos pastos de nossa memória, há um pastor e um rebanho e a ovelha perdida.

E há a relha do arado e a prensa do lagar e a eira.

Ele conhecia a fonte de nosso ser mais remoto e o persistente fio do qual somos tecidos.

Os oradores gregos e os romanos falavam para seus ouvintes da vida como ela parecia à mente. O Nazareno falava de um anseio que se alojava no coração.

Eles viam a vida com olhos apenas um pouco mais claros do que os vossos ou os meus. Ele via a vida à luz de Deus.

Costumo pensar que Ele falava às multidões como uma montanha falaria à planície.

* * *

Jesus é a montanha e todos nós, Espíritos em evolução, somos a imensa planície terrestre.

Dentre nós, temos aqueles que, ainda de cabeça baixa ao longo das eras, nem vislumbramos a cordilheira exuberante.

Outros, que já a encontramos no horizonte, permanecemos em estado de contemplação constante e distante.

A montanha não existe apenas para ser contemplada pela gigantesca planície, ela está lá para ensinar a planície a alcançar as nuvens.

E finalmente, temos aqueles que desejam ser montanha e trabalham para isso. Não se queixam por não estarem no Alto como o Mestre, e extraem dEle o estímulo e o exemplo para continuar.

Fomos criados planície, mas nosso destino final é ser montanha.

Alguns já somos pequenos montes, serras discretas, seguindo, contudo, o caminho certo rumo ao Alto. Não o alto das nuvens ou do céu, simbólicos, mas ao alto da evolução, do amor completo na alma.

Sigamos a montanha Jesus, não como meros contempladores inertes, mas como imitadores ativos, perguntando:O que Ele faria nesta situação? Qual o caminho que Ele apontaria? O que a Montanha tem a me dizer neste momento?

E tenhamos certeza de que a Montanha, observando a planície, com muito amor e carinho, estenderá Seus braços desvelados para nos ajudar sempre que precisarmos dela.

* * *

Costumo pensar que Ele falava às multidões como uma montanha falaria à planície.

Redação do Momento Espírita

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Borbolete-se


"As borboletas são flores que se desprenderam da terra...
E que as flores são borboletas que a terra apreendeu..."
Seja como for, se as flores marcam a primavera, 
as borboletas são seu símbolo maior.
São quatro fases da mesma vida:
ovo, lagarta, crisálida e borboleta.
Enquanto ovo, é princípio vivo, puro. 
Representa a potencialidade do ser, 
guardada dentro de um invólucro de heranças parentais.
É fundamental para desenvolver a solidez das bases estruturais do indivíduo. 
Mas num determinado momento, torna-se necessário romper com essa capa de proteção,
para caminhar sobre as próprias pernas.
A lagarta tem o aprendizado da terra, do rastejar, 
das coisas que se processam lentamente. 
Simboliza os cuidados com o mundo físico, 
com os aspectos materiais que compõem a existência cotidiana. 
Pode ser o lado pesado da vida.
A crisálida é o encapsular para gestar. 
É como se retornasse ao estágio do ovo, mas só que por escolha pessoal.
É criar um casulo para si mesmo, como forma de conectar-se com seus sentimentos, 
sua interioridade e seus próprios desejos.
E, finalmente, as asas libertam a borboleta! 
Mas, para se chegar à borboleta, é preciso superar o conforto e a comodidade do "já conhecido"...
É preciso deixar morrer o velho e partir ao encontro das possibilidades em aberto, sem certezas, sem garantias.
A borboleta é a lição viva de que tudo é passageiro.
Assim também somos nós...
Uns vivem para sempre no ovo...
Outros jamais passam de lagarta...
E tem gente que vive gestando um sonho, um ideal,
mas sem nada realizar...
Ainda existem aqueles que, com esforço, se libertam, 
ganham asas e voam leves! 
Pousam aqui e ali, no colorido das flores, e só de existir fazem a vida mais bela!
Identifique em que fase você está e observe como fazer para processar a sua metamorfose.
Viver é cumprir fase por fase.
Desapegar-se do antigo e entregar-se ao novo até ser capaz de voar.
Desperte e tente uma nova forma! 
Deixe acontecer em você esse misterioso processo de se abrir para florescer! 
Deixe aparecer suas asas, suas melhores cores, seu vôo!"

Texto:
Ana Ester Nogueira