terça-feira, 18 de outubro de 2016

A Mulher de Deus


Num frio de dezembro, no Hemisfério Norte, alguns anos atrás, um rapazinho de cerca de dez anos, descalço, estava em pé em frente a uma loja de sapatos.

Ele olhava a vitrina atentamente e tremia de frio.

Uma senhora se aproximou do rapaz e disse:

Você está com pensamento tão profundo, olhando esta vitrina!

Eu estava pedindo a Deus para me dar um par de sapatos. - Respondeu o garoto.

A senhora tomou-o pela mão imediatamente, entrou na loja e pediu ao atendente para dar meia dúzia de pares de meias para o menino.

Ela também perguntou se poderia conseguir-lhe uma bacia com água e uma toalha.

O balconista rapidamente a atendeu, enquanto ela levou o garoto para a parte de trás da loja.

Lá, ela tirou suas luvas, ajoelhou-se diante do menino e lavou seus pés pequenos. Após isso, secou-os cuidadosamente com uma toalha.

Nesse meio tempo, o empregado da loja havia trazido as meias e, claro, um belo e novo par de sapatos.

Ela amarrou os outros pares de meias e também lhe entregou.

Deu um tapinha em sua cabeça e disse:

Sem dúvida, vai ser mais confortável agora.

Ela se virou para partir e sentiu uma mão pequenina segurando a sua. O garoto estava com lágrimas nos olhos e, emocionado, perguntou:

Você é a mulher de Deus?

* * *

Há tantas formas de Deus se manifestar em nossa vida cotidiana...

Alguns ainda veem Deus nas forças da natureza apenas, ou nos grandes acontecimentos da vida.

Deus, porém, está em tudo e em todos.

Ele age incessantemente através de nós e, muitas vezes, também, apesar de nós.

Deus conta com nosso coração enternecido para estender a mão aos Seus filhos desamparados.

É como o pai que conta com os filhos maiores para cuidar dos menores.

O Criador, em Sua bondade infinita, conta com as mãos generosas de todos aqueles que praticam o bem, para instaurar na Terra, pouco a pouco, a paz permanente.

Ele conta com a sensibilidade e compaixão daqueles que não suportam ver o sofrimento alheio e tomam atitudes imediatas para amenizá-lo de alguma forma.

Ele conta com a coragem dos filhos esclarecidos, que já podem defender os fracos, ainda tão maltratados pelos interesses mundanos reinantes.

Deus conta conosco. Conta comigo e com você que se depara admirado por encontrar esta verdade tão valiosa em seu caminho.

Não perca a oportunidade de trabalhar com Ele, de ser Seu veículo, Seu agente direto.

Iluminamos o próximo, sim, mas nos autoiluminamos ao mesmo tempo, e com isso, o bem e o amor sempre saem vitoriosos.

Sejamos instrumentos do bem na Terra, onde quer que estejamos, através das tantas maneiras possíveis.

Deus conta conosco.

Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Mães Más


Um dia, quando os meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:

"Eu os amei o suficiente para ter perguntado: onde vão, com quem vão e a que horas regressarão".

Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio, e fazer com que eles soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu os amei o suficiente para fazê-los pagar pelas balas que tiraram da mercearia, ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: "Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar".

Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé duas horas junto deles, enquanto limpavam o quarto: tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu os amei o suficiente para deixá-los ver além do amor que eu sentia por eles, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.

Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.

Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes NÃO, quando eu sabia que poderiam me odiar por isso - e em alguns momentos até me odiaram.

Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci... porque no final eles venceram também!

E qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, meus filhos vão lhes dizer, quando eles lhes perguntarem se a sua mãe era má: "Sim... Nossa mãe era má! Era a mãe mais má do mundo..."

As outras crianças comiam doces no café da manhã, e nós tínhamos de comer cereais, ovos e torradas.

As outras crianças bebiam refrigerantes, comiam batatas fritas e sorvete no almoço, e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.

E ela obrigava-nos a jantar à mesa, bem diferente das outras mães, que deixavam os filhos comerem vendo televisão.

Ela insistia em saber onde nós estávamos a toda hora - tocava nosso celular de madrugada.

Era quase uma prisão; mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que eles faziam.

Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorasse só uma hora ou até menos.

Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violou as leis de trabalho infantil.

Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e todo o tipo de trabalhos que achávamos cruéis.

Eu acho que ela dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.

Ela insistia sempre conosco para lhe dizermos a verdade, e apenas a verdade.

E quando éramos adolescentes, ela até conseguia ler nossos pensamentos.

A nossa vida era mesmo chata.

Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que nós saíssemos.

Tinham que subir, bater à porta para ela os conhecer.

Enquanto todos podiam voltar à noite com 12, 13 anos, nós tivemos de esperar pelos 16 para chegar mais tarde, e aquela "chata" levantava para saber se a festa foi boa - só para ver como estávamos ao voltar.

Por causa de mãe, nós perdemos algumas experiências da adolescência.

Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime.

Foi tudo por causa dela.

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos fazendo o nosso melhor para sermos "Pais Maus", tal como a nossa mãe foi.

Eu acho que é um dos males do mundo de hoje: não há suficientes
"MÃES MÁS".

Autor desconhecido