terça-feira, 26 de junho de 2012

Laços Eternos

A reencarnação estreita os vínculos do amor, tornando-os laços eternos,
pelo quanto faculta de experiência na área da afetividade familiar.
Enquanto as ligações de sangue favorecem o egoísmo, atando as criaturas
às algemas das paixões possessivas, a pluralidade das existências ajuda,
mediante a superação das conveniências pessoais, a união fraternal.
Os genitores e nubentes, os irmãos e primos, os avós e netos de uma
etapa trocarão de lugar no grupo de companheiros que se afinam,
permanecendo os motivos e emulações da amizade superior.
O desligamento físico pela desencarnação faz que se recomponham, no
além-túmulo, as famílias irmanadas pelo ideal da solidariedade, ensaiando os
primeiros passos para a construção da imensa família universal.
Quando a força do amor vigilante detecta as necessidades dos corações
que mergulharam na carne, sem egoísmo, pedem aos programadores
espirituais das vidas que lhes permitam acompanhar aqueles afetos que os
anteciparam, auxiliando-os nos cometimentos encetados, e reaparecem na
parentela corporal ou naquela outra, a da fraternidade real que os une e faculta
os exemplos de abnegação, renúncia e devotamento.
*
Este amigo que te oferece braço forte; esse companheiro a quem estimas
com especial carinho; aquele conhecido a quem te devotas com superior
dedicação; estoutro colega que te sensibiliza; essoutro discreto benfeitor da tua
vida; aqueloutro vigilante auxiliar que se apaga para que apareças, são teus
familiares em espírito, que ontem envergaram as roupagens de um pai
abnegado ou de uma mãe sacrificada, de um irmão zeloso ou primo generoso,
de uma esposa fiel e querida ou de um marido cuidadoso, ora ao teu lado,
noutra modalidade biológica e familiar, alma irmã da tua alma, diminuindo as
tuas dores, no carreiro da evolução e impulsionando-te para cima, sem
pensarem em si...
Os adversários gratuitos que te sitiam e perturbam, os que te buscam
sedentos e esfaimados, vencidos por paixões mesquinhas, são, também,
familiares outros a quem ludibriaste e traíste, que agora retornam, necessitados
do teu carinho, da tua reabilitação moral, a fim de que se refaça o grupo
espiritual, que ascenderá contigo no rumo da felicidade.
*
Jesus, mais de uma vez, confirmou a necessidade dessa fusão dos
sentimentos acima dos vínculos humanos, exaltando a superior necessidade
da união familiar pelos laços eternos do espírito. A primeira, fê-lo, ao exclamar,
respondendo à solicitação dos que lhe apontavam a mãezinha amada que O
buscava, referindo-se: — “Quem é minha mãe, quem são meus irmãos, senão
aqueles que fazem a vontade do Pai?” Posteriormente, na cruz, quando
bradou, num sublime testemunho, em resposta direta à Mãe angustiada que O
inquirira: — “Meu filho, meu filho, que te fizeram os homens?” elucidando-a e
doando-a à Humanidade: — “Mulher, eis aí teu filho” — “Filho, eis aí tua mãe”,
entregando-o ao seu cuidado, através de cuja ação inaugurou a Era da
fraternidade universal acima de todos os vínculos terrenos.
 
Obra: SOS Família
Joanna de Ângelis / Divaldo Pereira Franco

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O OLHAR DE JESUS


     Recordemos o olhar compreensivo e amoroso de Jesus, a fim de esquecermos a viciosa preocupação com o argueiro que, por vezes, aparece no campo visual dos nossos irmãos de experiência.
    O Mestre Divino jamais se deteve na faixa escura dos companheiros de caminhada humana.
    Em Bartimeu, o cego de Jericó, não encontra o homem inutilizado pelas trevas, mas sim o amigo que poderia tornar a ver, restituindo-lhe, desse modo, a visão que passa, de novo, a enriquecer-lhe a existência.
    Em Maria de Magdala, não enxerga a mulher possuída pelos gênios da sombra, mas sim a irmã sofredora e, por esse motivo, restaura-lhe a dignidade própria, nela plasmando a beleza espiritual renovada que lhe transmitiria, mais tarde, a mensagem divina da ressurreição.
    Em Zacheu, não identifica o expoente da usura ou da apropriação indébita, e sim o missionário do progresso enganado pelos desvarios da posse e, por essa razão, devolve-lhe o raciocínio à administração sábia e justa.
    Em Simão Pedro, no dia da negação, não se refere ao cooperador enfraquecido, mas sim ao aprendiz invigilante, a exigir-lhe compreensão e carinho, e por isso transforma-o, com o tempo, no baluarte seguro do Evangelho nascente, operoso e fiel até o martírio e a crucificação.
    Em Judas, não surpreende o discípulo ingrato, mas sim o colaborador traído pela própria ilusão e, embora sabendo-o fascinado pelas honrarias terrestres, sacrifica-se, até o fim, aceitando a flagelação e a morte para doar-lhe o amor e o perdão que se estenderiam pelos séculos, soerguendo os vencidos e amparando a justiça das nações.
Busquemos algo do olhar de Jesus para nossos olhos e a crítica será definitivamente banida do mundo de nossas consciências, porque, então, teremos atingido o Grande Entendimento que nos fará discernir em cada companheiro do caminho, ainda mesmo quando nos mais inquietantes espinheiros do mal, um irmão nosso, necessitado, antes de tudo, de nosso auxílio e de nossa compaixão.
 
                         (De “Viajor”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)